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segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

TRANSIÇÕES OFENSIVAS: CARLOS CARVALHAL

14/01/2011
Preparação para o exame de capacidades motoras
Transições ofensivas! Ao iniciar esta reflexão sobre transições ofensivas, não me abandonava a ideia da indivisibilidade do jogo e em função disso na inoportunidade de falar sobre o “momento” de transição ofensiva. Não será mais oportuno falar de instante?
Hoje em dia é recorrente falar-se em transição ofensiva, mas tenho a convicção que este termo é, na esmagadora maioria das vezes, usado de uma forma inadequada. É comum as pessoas associarem este momento a saídas em ataque rápido ou contra-ataque. Penso que esta ideia surgiu pela vertigem contemporânea: pela velocidade e pela pressa!
Existem algumas divergências no que se refere à definição do que é o momento de transição ofensiva! Para uns é a forma como após se recuperar a bola, se age de uma forma colectiva até ao momento em que o adversário entre em equilíbrio. Para outros é apenas o instante em que a recuperas depois o critério que a equipa tem para dar sequência ao jogo entrando no momento de organização ofensiva.
Acho que por vezes este tipo de questões se tornam estéreis! O jogo é contínuo, onde começa e termina algo em algo que é iminentemente fluido vão existir sempre divergências de opinião. Assim sendo, vamo-nos concentrar e focar no preciso momento em que ganhamos a bola, nesse… instante!
A Transição ofensiva pode ser caracterizada pelo preciso instante em que se recupera a bola! O que fazer a partir deste instante? Sim instante!
É que a qualidade da transição ofensiva está intimamente relacionada com a qualidade do primeiro passe após recuperação da posse da bola. A partir daqui, normalmente define-se a forma como depois entras no outro momento de jogo, que é obviamente a organização ofensiva.
A definição do que se vai fazer após ganhar a bola depende de muitas coisas: em primeira instância das ideias do treinador (da forma como treina para jogar) e dos respectivos princípios de jogo inerentes à ideia de jogo; do local onde se conquista a posse da bola; muitas vezes condicionado pela gestão do jogo (resultado, tempo de jogo, cansaço, etc).
Imaginem um treinador que privilegia a posse da bola como método preferencial de jogo! A predominância dos instantes de transição ofensiva serão em “segurança”, ou seja, pretende retirar a bola rapidamente da zona de pressão (ou de elevada densidade de jogadores adversários), isto nas equipas de nível é conseguido através de um primeiro passe de grande qualidade. Esta saída da bola de zona de pressão não tem que se realizar no sentido da baliza adversária, ele pode ser lateral ou inclusivamente um passe para trás, de forma a potenciar a posse de bola, jogando-se em segurança. Os princípios e sub-princípios de jogo para o instante de transição ofensiva serão o de retirar a bola da zona de pressão, privilegiando a segurança do passe. Como exemplo podemos atentar como o Barcelona age no instante que ganha a posse da bola: primeiro passe sempre em segurança para fora da zona de pressão, segundo passe sempre a procurar segurança e o privilégio de manter a posse da bola, muitas vezes procurando a “desaceleração” do jogo.
Outro treinador, prefere um jogo mais “vertical”, procurando chegar o mais rapidamente à baliza adversária. Neste enquadramento, o primeiro passe neste vai ser predominantemente para a frente ou lateral para depois chegar rápido a linhas avançadas. Aqui os princípios e sub-princípios de jogo estarão intimamente ligados à velocidade do passe, bem como do deslocamento colectivo da equipa (no sentido da baliza adversária).
Veja-se como o Real Madrid age nos instantes de transição ofensiva: primeiro passe em segurança (por vezes lateral ou vertical no sentido da baliza contrária), sendo que na sequência deste passe sempre, com uma grande propensão de verticalidade colectiva, utiliza uma forte intensidade colectiva para chegar rapidamente à baliza adversária.
A definição do que fazer após a conquista a bola também pode depender do local onde se consegue fazer! Claro que neste caso estamos a falar na definição dos princípios do jogo preconizados pelo treinador e a propensão de acção tendo em conta o local do campo onde se conquista a bola.
Uma coisa poderá ser o recuperar-se a bola junto à própria grande área, outra poderá ser perto da baliza adversária. O Real Madrid tem uma definição muito clara de princípios de acção: ganhar a bola na zona intermediária do campo, ou no meio campo ofensivo, o que permite fazer transições ofensivas objectivas - procurando o desequilíbrio da equipa adversária. Já quando conquista a bola no seu meio campo defensivo (mais perto da sua área), as transições são muito mais “seguras”, procurando a equipa não perder a posse da bola nestas zonas do terreno.
Existem outros aspectos que poderão influenciar no tipo de acção a adoptar na forma como se “transita” para o ataque! Tendo em conta a estratégia que o treinador adopta para o jogo, pode fazer-se intencionalmente um tipo de transição diferenciada (ou não) em função do resultado e tempo de jogo, assim como pelo estado físico da equipa, no decorrer da partida! Imaginem uma equipa que privilegia o ataque rápido, e concomitantemente transições rápidas e verticais no sentido da baliza adversária! Está a vencer o jogo por 2 a 0 e a equipa a 10 minutos do final apresenta sinais evidentes de cansaço! Esta equipa pode estar preparada para modificar a propensão das suas transições privilegiando a segurança de passe e posse da bola.
Uma característica comum às equipas de grande nível é a segurança que evidenciam no primeiro passe é a eficácia com que saem das zonas de pressão. Pelo facto de ter feito um percurso com treinador desde a 3ª divisão até a um nível de grande exigência como no Sporting (percorrendo todas as divisões do Futebol Profissional), permite-me afirmar que quanto maior o nível, mais eficácia temos no primeiro passe e na forma como rapidamente saímos das zonas de pressão após ganharmos a posse da bola.
Depois, de acordo com os princípios de jogo da equipa, entramos no momento de organização ofensiva que pode ser de diversas formas.
Apesar de falarmos em “instante” e na importância da qualidade do “primeiro passe”, que estão ligadas a processos individuais (mais propriamente ao jogador que está em acção com a bola), tanto este, como todos os outros, estão subordinados a uma ideia comum (ideia de jogo da equipa) que tem princípios de jogo e sub-princípios para cada momentos e cada “instante”.
Ao falarmos de passe, tem obviamente que existir quem recepcione a bola e saiba o que fazer a seguir… Como em todos os momentos em futebol, o ideal é que TODOS os jogadores da mesma equipa pensem da mesma maneira em cada momento!

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

CAPACIDADES MOTORAS: PLANEAMENTO E PERIODIZAÇÃO DO TREINO

Planeamento e periodização do treino
Pressupostos do planeamento:
- Avaliação prévia
- Avaliação dos jogadores e da equipa
- Informações sobre as condições de treino
- Definição dos objectivos específicos
- Calendário competitivo
Periodização do treino
- Períodos (Objectivos)
- Duração (anual; periódica; semanal; diária)
Planeamento e periodização do treino
Pressupostos do planeamento:
- Avaliação prévia
- Diagnóstico
- prognóstico
- Avaliação dos jogadores e da equipa
Características dos jogadores:
- quem são?
- Como são?
- como estão?
- quantos são?
Planeamento e periodização do treino
Pressupostos do planeamento:
Informações sobre as condições de treino:
Recursos materiais;
Recursos humanos;
Apoio logístico;
Recursos económicos;
Tempo de preparação
Definição dos objectivos específicos:
Objectivos; (grandes metas, objectivos intermédios; hierarquização dos objectivos)
Caracterização dos adversários.
- Calendário competitivo:
Caracterização do quadro competitivo;
Planeamento e periodização do treino
Periodização do treino
- Períodos (Objectivos)

- Duração (anual; periódica; semanal; diária)

PLANIFICAÇÃO DO TREINO A LONGO PRAZO


Passos para confeccionar um plano a longo prazo
1-Umas linhas breves sobre os aspectos mais significativos do rendimento no desporto e qualquer outra informação relevante.
2-Objectivos gerais do plano claramente especificados.
3-Objectivos específicos das diferentes etapas de treino que compõem o plano.
4-Determinar as características qualitativas básicas de treino em cada etapa.
5-Determinar as características quantitativas do treino em cada etapa.
6-Apresentar um modelo de periodização característica por cada etapa de treino.
7-Apresentar os testes e controles de cada etapa que permitirão controlar o desenrolar do plano.
8-Planificar o tipo e frequência do controle médico.
Determinação das etapas (PLP)
O número e a duração das etapas deve ser planeado de acordo com:
- critérios de maturação
- evolução do rendimento segundo a idade
- características da especialidade
Cada etapa deve ter objectivos específicos e características de treino próprias
As idades das diferentes etapas dependem dos factores de rendimento da especialidade
Planeamento e periodização do treino
Periodização do treino
Raul Oliveira: Como opção a este tipo de periodização convencional surgiu, principalmente, na última década um tipo de periodização que considero mais pertinente e mais adaptada aos reais problemas e necessidades do futebol, esta é apelidada de "periodização táctica" e segundo Carvalhal (2003) a mesma destaca-se por: Dar primado é a contextualização.
A componente táctica surge como o núcleo central de preparação.
O Modelo de Jogo Adoptado impõe uma coordenatividade muito própria, estando subjugada à dimensão táctica as restantes dimensões, técnica ,física e psicológica.
O princípio da Especificidade é quem dirige a Periodização Táctica.
O meio de operacionalizar o Modelo de Jogo são os exercícios Específicos. Exercícios desenvolvidos com Intensidade em concentração, de acordo com o Modelo de Jogo Adoptado, estes, serão o meio mais eficaz para adquirir uma forte relação entre mente e hábito.
A operacionalizaçãodo do treino reclama a utilização de exercícios Específicos desde o primeiro dia.
Planeamento e periodização do treino
Periodização do treino
Impõe-se uma inversão no binómio Volume-Intensidade, a Intensidade é quem "comanda", e o Volume, é o somatório de fracções de máxima intensidade (Volume da qualidade) de acordo com o Modelo de Jogo Adoptado.
Esta periodização reclama o Princípio da Estabilização, de forma a permitir os Patamares de Rendibilidade
A Estabilização da Forma Desportiva consegue-se com base na estruturação de um determinado microciclo, onde o grau de desgaste semanal seja similar de semana para semana.
A estrutura básica do microciclo deve manter-se (os momentos de treino, a duração, etc), o que leva a uma estabilização de rendimento.
Faz sentido falar em forma desportiva colectiva. Esta, está ligada ao jogar (bem) de acordo com o Modelo de Jogo Adoptado, a referência que serve como indicador é "jogar melhor".
São várias as diferenças que separam a periodização convencional da periodização táctica, como poderemos confirmar através dos gráficos seguintes:
Planeamento e periodização do treino
São várias as diferenças que separam a periodização convencional da periodização táctica, como poderemos confirmar através dos gráficos seguintes:

 

Unidade de treino
Época____________ Escalão_________ Sessão____________ Data___________
Local_________________ hora________________

Objectivo (dominante): _______________________________________________________________________
Recursos materiais:
________________________________________________________________________

MICROCICLO




MACROCICLO



PLANO ANUAL:

MACROCICLO

MESOCICLO

MICROCICLO

SISTEMA:


CAPACIDADES MOTORAS: COORDENAÇÃO

CAPACIDADES COORDENATIVAS

IMPORTÂNCIA DAS CAPACIDADES COORDENATIVAS

O jogo de futebol e naturalmente cada um dos jogadores são confrontados com uma grande diversidade de informações e complexidade de situações com ou sem bola que justificam uma interacção entre o sistema perceptivo e a velocidade de reacção ou resposta motora. Assim, toma-se cada vez mais importante o trabalho a desenvolver no domínio da velocidade de reacção, na selecção e tratamento das informações e no controlo dos deslocamentos.
O jogador de elevada capacidade revela-se, cada vez mais, através da sua capacidade de antecipar as decisões, na capacidade de orientação face à movimentação dos adversários ou à trajectória da bola ou na condução rápida da bola à custa de um elevado grau de automatismos (não sendo por isso necessário olhar para ela). Estas capacidades que designamos por coordenativas podem e devem ser desenvolvidas no futebol, contribuindo, desta forma, para uma maior disponibilidade do jogador do ponto de vista mental, cognitivo, consubstanciada numa maior velocidade de reacção, de execução e, mesmo, eficácia


CAPACIDADES COORDENATIVAS
Em termos globais, são capacidades que permitem coordenar os gestos motores mais complexos, utilizar racionalmente as habilidades motoras adquiridas e adaptá-las rapidamente às novas situações. Estas capacidades permitem executar movimentos de forma coordenada, eficaz e precisa, de acordo com tarefas e objectivos propostos, tanto em situações previsíveis como imprevisíveis. Podemos, também, relacionar as capacidades coordenativas com uma maior facilidade e rapidez na aprendizagem motora ou, ainda, na regulação eficaz da tensão muscular quer no tempo, quer no espaço.
Carvalho (1987), ao abordar o conceito de capacidades coordenativas afirmava o seguinte: "As capacidades , coordenativas são essencialmente determinadas pelas componentes onde predominam os processos de condução do sistema nervoso central
CAPACIDADES COORDENATIVAS
O domínio técnico de qualquer gesto ou movimento específico de uma modalidade desportiva implica um certo nível de aperfeiçoamento, sendo condicionado por factores como a percepção, a tomada de decisão até à execução propriamente dita. Aqui, entram as capacidades coordenativas já que permitem ao jogador realizar movimentos ou acções com maior precisão, economia e eficácia. As capacidades coordenativas assumem três funções fundamentais:
-Como um elemento que condiciona a vida em geral;
-Como um factor condicionante da aprendizagem motora;
-Como um factor determinante do alto rendimento desportivo.
Em termos gerais, qualquer praticante desportivo que se apresente com um nível de capacidades coordenativas desenvolvidas, responderá bem melhor às condições de treino ou de competição, adaptando-se às situações inesperadas impostas pelos adversários, pelos companheiros ou mesmo pelas condições materiais e ambientais.
CAPACIDADES COORDENATIVAS

Capacidade de Diferenciação
Segundo Sanchez Banuelos et al (1995) pode definir-se como" a capacidade de se atingir uma coordenação muita fina na realização de acções motoras, manifestando-se com grande exactidão e economia no movimento global.
É uma capacidade extremamente importante nas disciplinas técnicas mas, igualmente importante para o futebol, na medida em que permite uma maior precisão nas acções motoras específicas do jogo, bem como, na execução dos gestos técnicos. É, portanto, a faculdade de controlar as informações provenientes dos músculos, de seleccionar as mais importantes e dosear a força a aplicar.
CAPACIDADES COORDENATIVAS

Capacidade de Orientação
É a faculdade do jogador se aperceber das modificações espaciais em função de acções decorrentes do jogo, permitindo determinar a posição e os movimentos do corpo no espaço e no tempo relativamente a um campo de acção e/ou um objecto (bola) em movimento.
São muitos os exemplos que encontramos durante o jogo de futebol e que permitem evidenciar a importância desta capacidade: desde a movimentação dos companheiros de equipa, dos adversários e da circulação da bola, a decisão sobre o momento óptimo para rematar à baliza, uma saída do guarda-redes ao encontro da bola ou do adversário, a posição dos companheiros e adversários nas situações de bola parada até à ocupação racional do espaço de jogo.
CAPACIDADES COORDENATIVAS

Capacidade de Reacção
É a capacidade de analisar qualquer situação e de reagir rápida e correctamente a determinados estímulos, permitindo realizar acções motoras em resposta a um sinal pré-determinado ou mesmo imprevisível, de forma rápida e oportuna.
No futebol predominam as reacções complexas, associadas a movimentações repentinas dos companheiros ou adversários a um sinal do treinador etc. Por isso, esta capacidade está muito associada à velocidade de reacção.
CAPACIDADES COORDENATIVAS

Capacidade de Ritmo
Relaciona-se com a faculdade de imprimir uma certa cadência na realização de determinados movimentos ou exercícios ou de interiorizar essa cadência (ritmo). Para Manno, é "a capacidade de organizar cronologicamente as prestações musculares em relação ao espaço e ao tempo". .A ritmização dos movimentos implica, assim, uma organização temporal, uma determinada ordem, duração e sucessão das acções, relacionando-se com a sincronização do processo neuromuscular.
Quando existe ritmo as acções realizadas pelos jogadores tomam-se harmoniosas, aparentemente fáceis, realçando os aspectos estéticos da prática. Por outro lado, o ritmo é um elemento a considerar como forma de estimulação e regulação individual. A marcação do penalty e o livre directo, por exemplo, permitem exteriorizar uma cadência ou ritmo próprios.
O conceito de ritmo nos desportos colectivos e, particularmente, no futebol está associado à dinâmica da equipa, ou seja, consoante a dinâmica de jogo da equipa e a especificidade e predominância das suas acções, assim podemos caracterizar o ritmo de jogo em certos períodos, durante uma parte ou mesmo o jogo na sua globalidade.
CAPACIDADES COORDENATIVAS

Capacidade de Antecipação
Relaciona-se com a capacidade de prever o desenvolvimento e o resultado de uma acção ou situação e antecipar a resposta que se segue. A importância da antecipação consiste na possibilidade de resolução dos problemas colocados pelo jogo, ganhando tempo para intervir. Desta forma, um jogador pode prever o desenvolvimento de determinado lance do jogo e antecipar a decisão.
No futebol existem várias acções/movimentos que são determinadas por uma acção rápida de antecipação perante os adversários ou a trajectória da bola. Por isso, um jogador, ainda, que menos rápido que outro pode chegar primeiro à bola ou ganhar uma posição vantajosa relativamente ao adversário directo.
CAPACIDADES COORDENATIVAS

Capacidade de Coordenação Motora
Permite assegurar uma adequada combinação de movimentos que se desenrolam ao mesmo tempo ou de forma sequencial.
Em termos práticos, esta capacidade tem grande importância, já que, é possível conjugar ou incluir vários tipos de movimentos ou habilidades na mesma unidade ou resposta motora. No futebol, assiste-se frequentemente à realização de acções combinadas que implicam nomeadamente:
-Um drible, corrida com bola e seguida de finalização;
-Remate após recepção com o peito e corrida rápida;
-Acções específicas dos guarda redes.
CAPACIDADES COORDENATIVAS

Capacidade de Equilíbrio
Está relacionada com a faculdade de manter uma determinada posição ou de a recuperar rapidamente (quando se tiver perdido), parado ou em movimento devido a condições adversas. A importância do equilíbrio na prática desportiva varia consoante as características da modalidade desportiva. Em termos gerais, podemos afirmar que se mantém o equilíbrio quando o centro de gravidade está dentro da base de sustentação,
-Estável -O corpo regressa à posição inicial independentemente dos movimentos realizados;
-Pouco Estável O corpo regressa à posição inicial mas, dentro de certos limites;
-Instável Quando perante a mínima oscilação provoca o desequilíbrio do corpo.
Sabemos que na locomoção (marcha ou corrida), há um reequilibro contínuo, sucessivo, permitindo manter a posição inicial. Todavia, as circunstâncias que se verificam durante um jogo de futebol, fruto das acções de oposição, do estado do terreno e das dificuldades criadas pelo domínio e posse da bola colocam problemas acrescidos de equilíbrio e que os jogadores têm de resolver em cada momento.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

CAPACIDADES MOTORAS:FLEXIBILIDADE

13/12/2010
FLEXIBILIDADE
A flexibilidade é uma capacidade física indispensável a todas as performances de alto nível, independentemente da modalidade desportiva. No Futebol, esta capacidade assume grande importância, nomeadamente, nos seguintes aspectos:
No nível de prestação de outras capacidades, como, por exemplo, a velocidade e as capacidades coordenativas;
Na realização de acções técnicas que implicam movimentos ou situações de grande amplitude (desarme, intercepções, remates, etc.);
No processo de aprendizagem técnico, evitando uma limitação excessiva dos movimentos do jogador;
Na redução do risco de lesões, contribuindo, desta forma, para uma diminuição do encurtamento muscular.
FLEXIBILIDADE
CONCEITO DE FLEXIBILIDADE
Na generalidade, podemos definir flexibilidade como a capacidade do indivíduo executar movimentos de grande amplitude articular, por si só ou sob influência de forças exteriores, através da mobilidade articular e da elasticidade muscular. Esta capacidade pem1ite obter um nível de alongamento muscular óptimo com vista à realização dos movimentos específicos do futebol (fundamentalmente acções técnicas) de grande amplitude.
Todavia, este conceito é demasiado genérico dado que, por exemplo, diferentes articulações do mesmo indivíduo apresentam níveis de flexibilidade distintos. A flexibilidade é, assim, uma aptidão específica que valia de um segmento para o outro e de indivíduo para indivíduo, sendo possível existir uma grande amplitude de movimentos no ombro direito e fracos níveis de flexibilidade na anca ou no ombro do lado contrário
FLEXIBILIDADE
FORMAS DE MANIFESTAÇÃO
Quanto à Origem do Movimento ou Acção
Activa: o jogador participa activamente, através de contracção voluntária na realização do estiramento muscular.
Passiva: representa a amplitude máxima a nível de uma articulação com recurso a uma força externa (companheiro, gravidade, peso do corpo etc.), não havendo, portanto, participação activa do jogador.
A flexibilidade passiva é maior do que a flexibilidade activa, já que representa a amplitude máxima a nível de uma articulação.
FLEXIBILIDADE
MÉTODOS DE TREINO
Método Dinâmico
O Método dinâmico tem por objectivo o desenvolvimento da flexibilidade dinâmica, pretendendo-se atingir o limite da amplitude ar1icular e de alongamento muscular, através de pequenos movimentos ritmados, dinâmicos, (balanços, insistências) com uma duração aproximada de 30". Para definir este método, são também utilizados frequentemente, os termos balístico, cinético, isotónico e alongamentos rápidos (fast stretching) .
É um método muito utilizado no Futebol devido às características da modalidade. Como foi dito anteriormente fundamenta-se nos alongamentos dinâmicos através de movimentos de insistências e balanços.
Movimentos de Insistência
1°- Colocar o corpo numa posição correcta e alongar os músculos que se pretendem trabalhar. 2° -Realizar pequenas insistências com o objectivo de atingir progressivamente o máximo
alongamento dos músculos.
3° -Efectuar de 10 a 30 insistências e 3 a 5 séries.
.Movimentos de Balanço
1° -Seleccionar os grupos musculares e a articulação a mobilizar.
I 2° -Realizar balanços (repetidos) tentando atingir, progressivamente, o máximo alongamento Idos grupos musculares seleccionados.
3° -Efectuar 10 a 30 balanços, realizando-se 2 a 4 séries. 1.6.2.
FLEXIBILIDADE
MÉTODOS DE TREINO
Método Estático (Activo)
Tem por objectivo o desenvolvimento da flexibilidade estática (exercícios estáticos), ou seja,
baseia-se na manutenção de uma determinada posição de alongamento, durante um certo tempo \ 1" de forma controlada e lenta (slow stretching).
Neste método os alongamentos são executados de forma mais lenta e controlada e os efeitos são conseguidos à custa do estiramento passivo dos músculos durante cerca de 20'. e em condições de algum desconfor1o.
A aplicação deste método é caracterizado pelas seguintes fases:
-1a Fase -Tensão/Contracção: Contrair o músculo ou grupos musculares que pretendemos alongar com a maior intensidade possível, sem que haja movimento e a contracção deve manter-se durante 10 a 30".
-2ª Fase -Relaxação: Manter o segmento ou a zona corporal implicada no alongamento em estado de repouso, na mesma posição utilizada na contracção. Manter esta relaxação durante 2 a 3".
-3a Fase -Alongamento: Alongar o músculo lentamente até ao máximo sem que exista dor, mantendo esta posição durante 10 a 30". Devem ser efectuadas 3 repetições por grupo muscular (1 série).

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

CAPACIDADES MOTORAS:FORÇA

8/12/2010

FORÇA
É a capacidade, que o músculo tem, de produzir uma tensão ao activar-se (contrair-se).
É a máxima tensão manifestada pelo musculo (ou conjunto de grupos musculares) a uma velocidade determinada.

FORÇA ÚTIL: no âmbito desportivo, é aquela que somos capazes de aplicar ou manifestar à velocidade a que se realiza o gesto desportivo.
Um desportista não tem um nível de força máximo único, mas sim muitos diferentes em função da velocidade a que se meça a força máxima exercida.
Os desportos colectivos, em geral, e em especial o futebol, são caracterizados por necessitarem de uma considerável quantidade de força. Como é obvio, ao futebolista interessa sobretudo desenvolver a resistência de força e a força rápida, especialmente esta última.

FORÇA
Definições: Força Muscular: Capacidade de superação da resistência externa e de contra-acção a esta resistência, por meio dos esforços musculares. ZAKHAROV (1991)
Representa a capacidade do indivíduo para vencer ou suportar uma resistência. MANSO (1996)
É a capacidade de superar resistências e contra-resistências por meio da acção muscular. GROSSER (1989)
É a força que um músculo ou grupo muscular pode exercer contra uma resistência em um esforço máximo. BAECHLE (1994)
É a força máxima ou nível de tensão que pode ser produzido por um grupo muscular. SAFRIT (1995)
Designação genérica para a força de um músculo. Entende-se, sendo tanto a força estática empregada por solicitação voluntária máxima de um músculo, como a desenvolvida durante uma tensão muscular voluntária, máxima, dinâmica. HOLLMANN & HETTINGER (1983)

FACTORES CONDICIONANTES DA CAPACIDADE DE PRODUÇÃO DE FORÇA
. FACTOR NERVOSO: se desligarmos os músculos das suas ligações nervosas, estes são incapazes de se contrair voluntariamente. Deste modo fica impossibilitada a realização de qualquer gesto ou movimento já que é o SNC que fornece o estímulo necessário para que os músculos possam assegurar a dinâmica do aparelho locomotor do ser humano.

FACTORES CONDICIONANTES DA CAPACIDADE DE PRODUÇÃO DE FORÇA
. FACTOR MUSCULAR:
podemos dividir os factores musculares em dois:
.FISIOLÓGICO:
- Área da secção transversal do músculo: na medida em que a força de um músculo é proporcional ao seu diâmetro transversal.
- Tipo de fibra muscular: existem fibras musculares de menor dimensão, também denominadas de fibras vermelhas, que contêm maior teor de hemoglobina, sendo, por isso, mais adaptadas à produção de contracções lentas e de fraca intensidade, durante longos períodos de tempo. Estas fibras, vulgarmente designadas por lentas, não se transformam em rápidas por acção do treino.
As fibras brancas (Tipo II), glicolíticas ou de contracção rápida) estão mais preparadas para contracções fortes e rápidas, sendo a glicólise anaeróbia o principal processo de produção de energia a que recorrem.
. MECÂNICO:
- A mecânica da contracção muscular influencia a capacidade do músculo produzir força e ode resumir-se no seguinte:
Tipos de contracção muscular (concêntrica, excêntrica e isométrica);
Relação força-alongamento;
Relação força-velocidade.
PROPRIEDADES COMPORTAMENTAIS DA UNIDADE MUSCULOTENDINOSA
EXTENSIBILIDADE: capacidade de ser alongado (estirado);
ELASTICIDADE: capacidade de voltar ao comprimento normal após o alongamento/estiramento;
IRRITABILIDADE: capacidade de responder a estímulos (electroquímico ou mecânico);
CAPACIDADE DE DESENVOLVER TENSÃO: contracção.
MECÂNICA MUSCULAR

FORMAS DE MANIFESTAÇÃO DA FORÇA

FORÇA RÁPIDA:
A força rápida é a capacidade do sistema neuromuscular vencer resistências com uma grande velocidade de contracção (máxima força x máxima velocidade). Aparece muitas vezes associada a outras designações como: potência ou força explosiva. Este tipo de força é fundamental nos movimentos e acções a desenvolver nos desportos colectivos e em especial no futebol.

FORÇA DE RESISTÊNCIA:
Força de Resistência ou força resistente é a capacidade mista de força e resistência que permite manter ou repetir determinado nível de força, de forma constante, durante um longo período de tempo. É a capacidade de resistir ao aparecimento da fadiga nos esforços/competições que solicitam uma participação de força como é o caso do futebol.
A força resistente faz-se sentir, principalmente, ao nível dos membros inferiores e nas acções do jogo que se repetem de forma continuada.

FORMAS DE MANIFESTAÇÃO DA FORÇA
. Força Reactiva: capacidade do músculo reagir a uma força exterior, modificando ou alterando a sua própria estrutura. Assenta na capacidade do sistema neuromuscular passar da contracção excêntrica para a contracção concêntrica.
É necessário potenciar a energia elástica presente nos movimentos dos jogadores, através da corrida e dos saltos, particularmente, nos músculos extensores dos membros inferiores.
. Força Máxima
Caracteriza-se pelo nível de força que o aluno/atleta é capaz de alcançar em consequência da tensão muscular máxima.
Dinâmica - Capacidade de desenvolver tensão máxima no desenvolvimento de um movimento articular
Estática - Maior força que o sistema neuromuscular pode realizar por contracção voluntária.
FM Estática > FM Dinâmica
. Força Máxima
Obs.: Uma FM só ocorre quando houver equilíbrio entre a carga e a força de contracção do músculo. A FM depende dos seguintes factores: - Secção fisiológica transversal do músculo; - Coordenação Intermuscular; - Coordenação Intramuscular.
Vantagens: - Aumento da força sem aumento essencial da secção transversal e do peso corporal. Sistema Energético: Os fosfatos ricos em energia (ATP-CP), desempenham um papel decisivo no desenvolvimento da força máxima. Uma carga máxima levada ao esgotamento, atinge uma super acidez intracelular (elevação do lactato) e reduz a “performance” a níveis submáximos (Weineck,1989:97).
Tipos de Contracção Muscular :
O músculo é composto de elementos elásticos e contrácteis. Dependendo da contracção muscular, pode-se contrair ou estirar os elementos envolvidos.
Os tipos de contracção muscular são divididos em:
Contracção Isométrica (Estática)
- há contracção dos elementos contrácteis, mas os elásticos são estirados. Ainda que exteriormente seja possível constatar um encurtamento do músculo
(Weineck,1989:102).

Contracção Isotónica (Dinâmica) 
- Os elementos contrácteis do músculo são contraídos, mas os elásticos não modificam seu comprimento. Produzindo um encurtamento dos músculos.
Contracção Muscular Autotónica
- combinação das solicitações isométricas com a isotónica.
É a forma mais frequente no domínio desportivo.

Tipos de Trabalho Muscular :

Concêntrico (Impulsor ou Positivo) 
- permite, através de um encurtamento muscular, mover o peso do próprio corpo ou pesos exteriores, ou superar resistências. Está presente na maioria dos desenvolvimentos motores desportivos.
 FM > Resistência.
Excêntrico (Frenador ou Negativo)
- é caracterizado por um aumento longitudinal do músculo, que produz um efeito activo contrário. Intervém no amortecimento de saltos e na preparação de movimentos.
Isométrico (Estático)
 - é caracterizado por uma contracção muscular, que exclui o encurtamento.
 Serve para a fixação de posições determinadas do corpo ou das extremidades.
Combinado (Autotónico ou Auxotónico)
- caracteriza-se por elementos do tipo impulsor, frenador ou estático.
É utilizado para desenvolver a força sem aumentar o corte transversal.
Isocinéctico (Acomodativo)
- Resistência directamente proporcional ao desenvolvimento da força por espaço de tempo. Resistência adaptada a força muscular utilizada.
Pliométrico (Reactivo)
- Passagem do trabalho muscular excêntrico para o concêntrico.
Estimula o reflexo miotático.
Inter-relações da Força : Força e Velocidade
 - Quanto mais hipertrofiado, melhor a capacidade de desenvolver velocidade. ( inserção de proteínas contrácteis )
Quanto > for o número de ligações por unidade de tempo > é a força muscular desenvolvida.
Força e Mobilidade
Não há modificação não
- Força Limitação de movimento
- hipertrofia excessiva e negligência. Força e Coordenação
 Não há influência negativa na Força Não Coordenação
 - desenvolvimento da Força (desporto).
Força e Resistência (longa duração) Melhora na capacidade de fornecer trabalho repetitivo contra fortes resistências.
Fonte:Prof. Ms. Jeferson

MÉTODOS DE TREINO DA FORÇA
Têm como base parâmetros que vão desde a organização das cargas aos tipos de acção muscular.

 MÉTODOS DE TREINO DA FORÇA
Podemos distinguir os seguintes Métodos de Treino da Força:
Taxa de Produção de Força (Maximais);
Hipertrofia Muscular (Submaximais ou Repetições);
Misto;
Força Resistência;
Reactivo.
No Futebol mais utilizados: sub-maximais ou de repetição, reactivo e Força Resistência.

MÉTODOS DE TREINO DA FORÇA
Métodos da Taxa de Produção de Força (Métodos Maximais):
Caracterizam-se fundamentalmente, pelas cargas muito elevadas e pela acção muscular explosiva. Principal objectivo é aumentar a taxa de produção de força (força explosiva) através da activação nervosa, ou seja, provocando adaptações nervosas à custa do recrutamento de mais unidades motoras.

Dinâmica da Carga:

MÉTODOS DE TREINO DA FORÇA
Métodos da Hipertrofia Muscular (Sub-maximais ou Repetição):
O objectivo principal é o desenvolvimento da força máxima (Fmáx) à custa do aumento da massa muscular e, por conseguinte, provocando uma hipertrofia muscular.
Dinâmica da Carga:

MÉTODOS DE TREINO DA FORÇA
Métodos Mistos:
Pretendem integrar num só método os princípios básicos dos métodos maximais e sub-maximais, permitindo treinar na mesma unidade de treino a hipertrofia muscular e provocar activação nervosa.
Dinâmica da Carga:

MÉTODOS DE TREINO DA FORÇA
Método da Força de Resistência:
Provoca ganhos reduzidos de hipertrofia muscular mas, aumenta a resistência à fadiga em performance de força de longa duração.
Dinâmica da Carga:

MÉTODOS DE TREINO DA FORÇA

Método Reactivo:
Visa potenciar o ciclo muscular de alongamento encurtamento. No desenvolvimento deste tipo de trabalho é fundamental verificarem-se os seguintes pressupostos:
Intensidade máximas, saltar sempre mais alto ou mais longe;
Contacto com o solo muito rápido e reactivo com um tempo de transição muito curto entre a fase excêntrica e concêntrica;
Trabalho desenvolvido sem fadiga, respeitando os intervalos de recuperação
É possível construir formas de trabalho diferenciadas que visam os membros inferiores, o tronco e os membros superiores, nomeadamente:
- Saltos sem Progressão: saltos verticais repetidos, exercícios sem progressão horizontal;
- Saltos com Progressão: exercícios com progressão horizontal (multissaltos);
Saltos em Profundidade: exercícios reactivos mais exigentes, devendo ser utilizados com precaução e numa lógica de progressão realizando-se em último lugar;
Exercícios para Tronco e Braços: exercícios reactivos para o tronco e membros superiores , temos o exemplo da utilização de bolas medicinais (recepção e rápida devolução) ou a realização de flexões de braços a partir de um pequeno ressalto.

MÉTODOS E MEIOS DE DESENVOLVIMENTO DA FORÇA NO FUTEBOL

Atenção às características individuais dos jogadores, por exemplo:
Morfologia;
Funções desempenhadas na equipa;
Idade;
Passado desportivo;
Grau de maturação biológica;
Nível de desenvolvimento da força
O treino da força, genericamente, pode ser realizado através de:
“Sprints” com mudança de direcção, sentido e variação;
Saltos e multissaltos (simples, pé coxinho, pés juntos);
Barreiras, escadas e outros obstáculos com alturas variáveis;
Peso do próprio corpo;
Exercícios com parceiro;
Exercícios com bolas medicinais;
Exercícios com elásticos e cordas;
Exercícios com cargas lastradas (coletes, cintos, etc.);
Treino com pesos;
Máquinas de musculação.

MÉTODOS E MEIOS DE DESENVOLVIMENTO DA FORÇA NO FUTEBOL
TREINO EM CIRCUITO:

VANTAGENS MAIS IMPORTANTES:
Podem-se treinar muitos jogadores ao mesmo tempo e a cada um de acordo com o seu próprio rendimento;
São possíveis variantes físico-técnicas;
Pode conseguir-se um esforço variado;
A intensidade do exercício e o esforço total pode estruturar-se dependendo da capacidade do grupo;
Pode aumentar-se progressivamente o esforço mediante a variação dos componentes do mesmo, a intensidade, a duração, e a frequência de forma geral e individualizada;
Pode fazer-se um aumento progressivo do esforço mediante as variações das estações, seja de forma contínua na série dos exercícios ou de forma alternada;
Podem efectuar-se alterações no treino diário e desta forma motivar os jogadores;
É flexível quanto ao número de exercícios a efectuar. Se o rendimento não é muito bom, pode diminuir-se o número;
Com esta organização, o jogador, vê estimulada a sua autonomia, a sua própria valoração e pode aumentar o exercício segundo a sua vontade;
O treinador e o jogador recebem informação sobre o nível dos factores determinantes do rendimento no Futebol;
O circuito pode efectuar-se individualmente ou aos pares (alternadamente ou ao mesmo tempo).

A FORÇA NO PLANEAMENTO DO TREINO
A força ao nível dos músculos aumenta mais rapidamente que ao nível dos tendões, ligamentos e tecido conjuntivo. Por isso, é necessário ter em conta que podem ocorrer alguns desequilíbrios entre a força do músculo e as estruturas circundantes, podendo originar roturas nos tendões ou ligamentos quando se aplicam cargas máximas. Por isso devemos ter presentes alguns princípios para o desenvolvimento de um programa de treino da força:
Começar com cargas relativamente baixas e com cuidados na execução da técnica;
Inicialmente, utilizar poucas repetições de cada exercício;
Garantir tempo suficiente de recuperação entre cada unidade de treino.

A FORÇA NO PLANEAMENTO DO TREINO
Cada equipa de futebol é uma realidade e cada jogador tem particularidades específicas. No entanto, e na perspectiva de Bangsob (1997) citado por Costa & Pina (1999), deve-se construir um programa de treino em progressão sintetizado assim:






terça-feira, 7 de dezembro de 2010

CAPACIDADES MOTORAS: RESISTÊNCIA

06/12/2010
Treino físico em futebol
Tema 1 - Metabolismo aeróbio
SISTEMAS ENERGÉTICOS
Aspectos gerais do metabolismo do músculo
O músculo para se contrair dispõe, essencialmente, de 3 fontes energéticas:
anaeróbia aláctica;
anaeróbia láctica
Aeróbia.
Que diferem entre si na sua potência e capacidade e, consequentemente, nas condições de utilização . A potência de cada fonte energética, define a quantidade de energia máxima disponível por unidade de tempo (energia de ponta), a capacidade define o tempo durante o qual pode por à disposição do músculo os elementos de que o mesmo necessita.
Independentemente da prova, o tempo de duração do desempenho atlético relaciona-se com os sistemas produtores de energia implicados. As fontes energéticas necessárias em cada actividade dependem do tempo. Os grupos dos sistemas energéticos devem ser considerados como representando contribuições anaeróbias, anaeróbias/aeróbias, e aeróbias .
RESPIRAÇÃO AERÓBIA

Na presença de oxigénio, o ácido pirúvico proveniente da glicolise, oxida-se totalmente na mitocondria, este processo divide-se em duas fases:
Na primeira, o ácido pirúvico entra na mitocondria onde é fraccionado e oxidado completamente até liberar CO2. Como oxidantes actuam coenzimas, que por sua vez são reduzidas. O hidrogénio unido as coenzimas é transferido;
na segunda fase ao oxigénio molecular, com formação de água.
A degradação do ácido pirúvico faz-se na matriz mitocondrial, onde se encontram as enzimas do ciclo de Krebs (Hans Krebs postulou esta via metabólica em 1937 e posteriormente recebeu o premio Nobel pelo seu trabalho) ou dos ácidos tricarboxílicos, conhecido também como ciclo do ácido cítrico.
Fonte energética aeróbia

Esta fonte energética só funciona na presença de oxigénio, permitindo um grande número de reacções químicas complexas (Ciclo de Krebs), que libertam a energia necessária ao funcionamento do músculo.
A Glicose e o Glicogénio são os seus substratos energéticos.
Não tem início de acção imediato e só se consegue o seu rendimento máximo para além do 4º minuto.
Esta fonte energética é fundamental para a acção muscular nos esforços prolongados e se se quiser conhecer a capacidade máxima do esforço de um dado indivíduo, poderá ser suficiente determinar a quantidade de oxigénio que ele necessita para o realizar (consumo de oxigénio - VO2).
Fonte energética aeróbia
Durante um exercício ligeiro, o oxigénio armazenado no músculo mais o oxigénio fornecido à medida em que a respiração e a circulação se adaptam ao trabalho cobrirão completamente a necessidade de oxigénio.
A maioria das actividades diárias normais pertence a esta categoria de trabalho.
A resistência aeróbia pressupõe um equilíbrio entre o oxigénio que está a ser necessário para o trabalho muscular e o que está a ser transportado na circulação até ao tecido muscular.
A energia necessária é assim obtida pela combustão oxidativa dos hidratos de carbono e das gorduras.
O sistema oxidativo ou aeróbio permite a produção de energia ao longo dos exercícios de intensidade moderada, graças à utilização do oxigénio transportado ao nível das fibras musculares.
O sistema aeróbio intervém depois do esforço para eliminar o ácido láctico produzido, a duração e a importância da sua intervenção serão tanto mais elevadas quanto maior for a demanda dos sistemas anaeróbios.
Sistemas Energéticos
Consumo Máximo de Oxigénio - VO2Máx.

O consumo de oxigénio constitui um dos factores decisivos para os eventos aeróbios, especialmente os de longa duração.
As exigências prolongadas são as que aumentam o consumo de oxigénio (Hegedus, 1984)
Por VO2Máx. entende-se a quantidade máxima de oxigénio que pode ser captado, fixado, transportado e utilizado pelo organismo durante um esforço máximo de características gerais. Tal parâmetro traduz a potência aeróbia (Pereira, 1989).
Módulo 2. Treino físico em futebol
Treino aeróbio
Objectivos e efeitos
RESISTÊNCIA
Em termos gerais. pode definir-se como a capacidade que permite resistir psíquica e fisicamente à instalação da fadiga, assim como, recuperar rapidamente dos efeitos produzidos por uma carga de treino. Por isso, é tida como a capacidade mais importante no suporte da condição física, sendo fundamental para o êxito das acções desportivas de longa duração como é o caso do futebol.
Objectivos do Treino da Resistência:
Manter uma certa intensidade da carga durante o maior tempo possível;

Suportar cargas de treino ou competições, cada vez mais elevadas;

Efectuar uma recuperação rápida;

Estabilizar a técnica desportiva e a capacidade de concentração

FORMAS DE MANIFESTAÇÃO DA RESISTÊNCIA
SOLICITAÇÃO METABÓLICA

Resistência Aeróbia:
Visa permitir:
Aumento da capacidade do sistema de transporte de oxigénio;
Melhoria da capacidade dos músculos utilizarem oxigénio durante períodos prolongados de esforço;
Melhoria da actividade cardiovascular e do sistema respiratório através do:
Aumento do volume sistólio;
Aumento da rede de capilares;
Aumento dos glóbulos vermelhos;
Aumento da eficácia cardíaca; diminuição da frequência cardíaca em repouso;
Melhoria do metabolismo;
Melhoria das funções hormonais, etc..
Treino aeróbio

FORMAS DE MANIFESTAÇÃO DA RESISTÊNCIA

Resistência Aeróbia:

Melhor Resistência Aeróbia = Mais Rápida Recuperação

Duração mínima 20’ próxima do limiar anaeróbio/aeróbio

Esforço aeróbio (geral/) 180pm-+10 –idade do atleta
Treino aeróbio
FORMAS DE MANIFESTAÇÃO DA RESISTÊNCIA

Resistência Aeróbia:

Benefícios, em síntese, deste tipo de trabalho para o Futebol:
Servir de base para a melhoria das outras capacidades;
Permitir uma grande percentagem de energia necessária para a actividade física;
Realizar esforços de maior intensidade durante o jogo, devido à ressintese mais rápida dos fosfatos;
Diminuir os riscos de lesões, já que muitas estão associadas à fadiga;
Aumentar a capacidade de recuperação após esforços de elevada intensidade;
Ajudar a manter os níveis de execução técnico-táctica e de concentração exigidos durante o jogo.
Módulo 2. Treino físico em futebol
Tema 2 - Metabolismo anaeróbio
SISTEMAS ENERGÉTICOS
Fonte energética anaeróbia aláctica
Tem como substratos energéticos o ATP (adenosina trifosfato) e a fosfocreatina (PC). É a fonte energética que está imediatamente disponível, com grande potência e pequena capacidade, esgotando-se as suas reservas em cerca de 10 segundos.
Quando o trabalho muscular é de grande intensidade, o metabolismo energético processa-se com dívida de oxigénio. Se o esforço é de curta duração (até 15 segundos) a energia é obtida através da degradação da fosfocreatina presente ao nível das fibras musculares. Neste caso estamos perante a resistência anaeróbia aláctica, uma vez que não se produzem grandes concentrações de ácido láctico.
Durante um tempo muito curto o mecanismo anaeróbio aláctico é capaz de proporcionar aos órgãos, que estão a trabalhar, uma grande quantidade de energia, quer dizer, possui grande potência. Este mecanismo tem um papel decisivo na provisão de energia da actividade de curta duração em forma de exercícios de força e de velocidade-força cuja duração é de até 30 segundos, e também no começo da corrida de 800 metros.
Tema 2 - Metabolismo anaeróbio
SISTEMAS ENERGÉTICOS
Fonte energética anaeróbia láctica
A glicólise anaeróbia cobre a cadeia de reacções que permitem a síntese do ATP por degradação da glicose sem utilização de oxigénio e com a produção final de ácido láctico
A Glicose e Glicogénio são os substratos energéticos desta fonte de energia. Usa os açucares (Glicose e Glicogénio), na produção de energia, com produção de ácido láctico. Durante o esforço entra rapidamente em acção (alguns segundos), atingindo a sua potência máxima entre o 1º e 2º minutos, sendo a capacidade limitada ou já muito reduzida ao 4º minuto .
Se um esforço de grande intensidade se prolonga, a energia passa a ser obtida através do glicogénio, cuja degradação provoca o aparecimento de grandes concentrações de ácido láctico no sangue. Neste caso estamos perante a resistência anaeróbia láctica. A partir de determinada concentração no sangue, o ácido láctico, impede a contracção muscular . Na maior parte dos casos, a energia para o trabalho muscular exigido pelas acções motoras específicas de modalidades de resistência anaeróbia láctica é obtida através de um misto aeróbio/anaeróbio .
Tema 2 - Metabolismo anaeróbio

SISTEMAS ENERGÉTICOS
Fonte energética anaeróbia láctica
A máxima potência anaeróbia láctica alcança-se ao fim de 15-45 segundos depois do início do trabalho intenso que evidência as máximas exigências de glicólise anaeróbia e pode manter-se nos jovens até 2 minutos. Nos desportistas de alto nível cujas competições duram de 2 a 5 minutos, o mecanismo anaeróbio láctico de fornecimento de energia pode predominar durante 3 a 4 minutos. Deste modo, durante o treino para adquirir maior capacidade do sistema anaeróbio láctico, os exercícios mais efectivos são os que duram entre 2 e 4 minutos.
O treino anaeróbio melhora a eficiência do movimento. Um movimento mais eficiente requer menor dispêndio de energia .
SISTEMAS ENERGÉTICOS
Produção de ácido Láctico
Quando a intensidade do exercício excede aproximadamente 50 a 60% do VO2 Máx.(consumo máximo de oxigénio), deixa de haver um equilíbrio estável de metabolismo aeróbio e acumula-se ácido láctico. À medida que aumenta a intensidade do esforço, o nível de ácido láctico sobe bruscamente e a pessoa que se está a exercitar entra logo em exaustão. Os mecanismos de fadiga durante o exercício anaeróbio intenso são pouco compreendidos, porém o nível de ácido láctico no sangue fornece uma indicação bastante objectiva do esforço relativo do exercício e pode reflectir também a inadequação do processo de remoção.
Quando a produção de ATP se realiza aeróbiamente, o consumo de oxigénio pelo organismo é um indicador relativamente fiel desse processo. A concentração de lactato no sangue é um parâmetro mais difícil de interpretar pela impossibilidade actual de conhecer com precisão as respectivas taxas de produção e de eliminação. A cinética do ATP e da fosfocreatina é difícil de medir, por serem processos extremamente rápidos e que decorrem no interior da célula. Por isso, actualmente, temos um melhor conhecimento dos aspectos metabólicos dos esforços aeróbios que dos esforços anaeróbios.
A utilização do processo anaeróbio láctico torna-se ao fim de algum tempo factor limitativo por indução de fadiga, uma vez que a lactatémia tem tendência a aumentar. A acumulação de lactato é resultado de um desequilíbrio entre o ácido láctico produzido a nível muscular esquelético e a quantidade que o organismo é capaz de remover (reconversão).
SISTEMAS ENERGÉTICOS

Fisiologia da Remoção do ácido láctico

Existem quatro destinos possíveis para o ácido láctico (Fox et all, 1991):
Uma quantidade insignificante de ácido láctico é excretado na urina e no suor durante a recuperação após um esforço.
O segundo destino do ácido láctico é a glicose e/ou o glicogénio. É unânime, entre vários autores, a opinião que existe uma reconversão de lactato em glicose e glicogénio.
Na presença do ATP necessário, o ácido láctico pode ser reconvertido em glicose e glicogénio no fígado e em glicogénio nos músculos. Esta ressíntese do glicogénio é muito lenta comparada com a remoção do ácido láctico
Na presença de oxigénio, o ácido láctico é transformado, inicialmente em ácido pirúvico e, a seguir, em CO2 e H2O no ciclo de Krebs e no sistema de transporte de electrões, respectivamente.
Segundo Krebs 1 mol de oxigénio pode remover no máximo cerca de 2 moles de lactato, dos quais 1,7 é ressintetizado e 0,3 oxidado em CO2 e H2O. Portanto, 22,4 litros de oxigénio podem remover cerca de 180 g de ácido láctico. O lactato é oxidado em CO2 e H2O, e essa oxidação pode ocorrer no músculo cardíaco e também nos músculos esqueléticos.

Remoção do ácido láctico

A quantidade exacta de oxigénio necessária para remover determinada quantidade de ácido láctico varia consideravelmente. Parte da demanda de oxigénio e do ATP associado com a remoção do ácido láctico é fornecida pelo oxigénio consumido durante a fase de recuperação lenta .
Durante um trabalho em estado de equilíbrio (steady state) de intensidade moderada, com concentrações sanguíneas de lactato de até cerca de 4 mmol/l, determinou-se a captação de lactatos no fígado. Essa captação foi feita de 100 a 150 mg/min; isto é, seriam necessários de 6 a 10 minutos para remover 1g de ácido láctico. Até 4 litros da dívida de oxigénio podem ser alácticos, isto é, não se destinam a neutralizar o ácido láctico, ou o débito de oxigénio lactácido.
A remoção facilitada de ácido láctico pode ser resultado de uma maior profusão de sangue através dos órgãos que utilizam lactato, como o fígado e o coração. Além disso, um maior fluxo de sangue através dos músculos na recuperação activa melhoraria certamente a remoção de ácido láctico, pois o tecido muscular pode utilizar esse substrato e oxidá-lo graças ao metabolismo do ciclo de Krebs.

Velocidade de Remoção do ácido láctico

Podemos dizer que, em geral, são necessários 25 minutos de repouso após um exercício máximo para se processar a remoção de metade do ácido láctico acumulado. Isto significa que cerca de 95% do ácido láctico será removido em 1 hora e 15 minutos de recuperação, após um esforço máximo.
Durante um esforço submáximo, em que a acumulação de ácido láctico não é tão grande, será necessário menos tempo para a sua remoção durante a recuperação.
O ácido láctico pode ser removido do sangue e dos músculos mais rapidamente após um esforço de intenso a máximo recorrendo à realização de exercícios aeróbios, em vez de fazer repouso passivo durante todo o período de recuperação. O ritmo de remoção é mais rápido realizando trote contínuo durante a recuperação. O exercício para a recuperação não deverá ser excessivamente intenso.
Treino anaeróbio

FORMAS DE MANIFESTAÇÃO DA RESISTÊNCIA

Resistência Anaeróbia:

Resistência Anaeróbia Aláctica: é solicitada em esforços de elevada intensidade e curta duração, sendo a energia obtida através da fosfocreatina e do ATP previamente armazenados, sem produção de lactato.

Resistência Anaeróbia Láctica: relaciona-se com esforços de grande intensidade e curta duração, prolongados no tempo, sendo a energia obtida através da glicose e do glicogénio, cuja degradação provoca grandes concentrações de lactato no sangue.
Treino anaeróbio
Objectivos e efeitos
FORMAS DE MANIFESTAÇÃO DA RESISTÊNCIA

Resistência Anaeróbia:

Devido ás características do Futebol (esforço misto – com solicitação permanente de todas as fontes de energia), o trabalho de resistência aeróbia/anaeróbia deve visar, especialmente, o seguinte:
Aumentar a capacidade anaeróbia (componente glicolítica);
Melhorar a componente aeróbia (actividade cardiovascular e sistema respiratório);
Adaptar-se melhor e mais rapidamente, às mudanças de intensidade das cargas;
Elevar os níveis de resistência fisiológica e psicológica provocadas pelo trabalho de grande tensão.
FORMAS DE MANIFESTAÇÃO DA RESISTÊNCIA

ESPECIFICIDADE DA COMPETIÇÃO
Resistência Geral ou de Base:
Capacidade que permite realizar qualquer actividade física que implica muitos grupos musculares e sistemas, durante um período de tempo prolongado.
Componente fundamenta: Capacidade Aeróbia

Resistência Específica:
Capacidade que permite ao jogador manter um elevado nível de rendimento durante a competição e está directamente relacionada com a especificidade do esforço em competição.
Predominantemente anaeróbia.
Treino aeróbio
FORMAS DE MANIFESTAÇÃO DA RESISTÊNCIA

Resistência de Base:

Tendo como referência a competição (alto rendimento) e o desenvolvimento do sistema aeróbio temos três tipos de Resistência de Base:
Resistência de Base I: constitui a base geral para posterior desenvolvimento de outras capacidades determinantes na competição. Permite a aplicação de cargas cada vez mais elevadas de treino e competição. Permite melhorar as condições de recuperação. É totalmente independente da actividade específica competitiva;
Resistência de Base II: directamente relacionada com as modalidades desportivas onde a resistência é fundamental e depende da especificidade da competição.
Resistência de Base III (acíclica): é a mais solicitada nos desportos colectivos, nomeadamente no futebol e visa criar uma base de trabalho que permita aos jogadores o máximo desempenho no jogo. Serve de suporte ao desenvolvimento dos aspectos técnico-tácticos e facilita o processo de recuperação.

RESISTÊNCIA
Resistência de Base III (Acíclica)
Pretende criar uma base para um amplo treino da técnica e da táctica e melhorar a capacidade de recuperação durante as fases de baixa intensidade competitiva.
Caracteriza-se por uma alteração irregular das intensidades de carga, onde se alternam fases curtas (poucos seg) com cargas máximas, cargas médias e submáximas mais prolongadas (seg até minutos) e pausas com recuperações incompletas. Isto supõe um volume de cargas intervaladas elevado e uma mudança continua entre situações metabólicas anaeróbio–alácticas, anaeróbio-lácticas e aeróbio, com predomínio desta última. Os valores de lactato no sangue em média não ultrapassam os 6-8 mmol.
Os exercícios, usados, estão ligados a cargas de tipo intervalado e mudanças de formas motrizes (exp: sprint; marcha; trote; saltos; lançamentos). Podemos considerar que os exercícios usados têm um carácter específico (exercícios de estrutura parecida com a competição).
Baseia-se numa capacidade aeróbia acima da média e na capacidade anaeróbia aláctica (depósitos de fosfato), com uma recuperação rápida.
RESISTÊNCIA ESPECÍFICA:
Nos esforços de curta duração exige-se uma elevada activação do sistema nervoso central. Neste tipo de trabalho são activadas as fibras musculares de contracção rápida e o músculo utiliza. Principalmente, como base energética, a reserva local de energia (ATP), (CP) e o glicogénio muscular. A produção da glicose no fígado demora 1 min a entrar na circulação, por isso só produz efeitos quando o treino/trabalho tem duração superior.

RESISTÊNCIA ESPECÍFICA:
Em relação à duração da carga (adaptado de Neumann 1984):

RESISTÊNCIA ESPECÍFICA:
O rendimento da Resistência de Média Duração, implica igualmente uma activação elevada do sistema nervoso central. A capacidade do atleta responder eficazmente a este tipo de trabalho depende da percentagem de fibras de contracção rápida envolvidas no processo. A energia utilizada é garantida, principalmente, pelo sistema aeróbio, (cerca de 80%), pelo CP e glicogénio. Pode ser igualmente utilizada a glicose existente no sangue libertada pelo fígado.

IMPORTÂNCIA DA RESISTÊNCIA ESPECÍFICA:
Uma resistência específica para o Futebol deve ter:
Treino específico da musculatura utilizada para jogar (especialmente as pernas. Desta forma asseguram-se os movimentos típicos do jogo (mudanças de direcção, entradas, remates, fintas, etc..) de forma óptima;
Boa tolerância a corridas repetidas e intermitentes, entradas explosivas e saltos, fintas em ritmo elevado, fortes remates à baliza e remates de cabeça;
A capacidade de suportar durante todo o jogo, sem problemas, mudanças de ritmo e manter um bom ritmo;
A capacidade de poder evitar entradas, saltar, fintar e rematar c um ritmo máximo durante todo o jogo.
RESISTÊNCIA
Métodos e meios de desenvolvimento
No Futebol, para alcançar altos rendimentos é necessário desenvolver três tipos de resistência: Resistência de Base I; Resistência de Base III (Acíclica) e Resistência Específica.
O treino, de Futebol, deve ser realizado, sempre que possível, no seu local específico (o campo e com bola), desenvolvendo-se, técnica e tacticamente, sob condições similares às encontradas em situação de jogo real. Assim os níveis de motivação podem ser superiores aos observados no treino sem bola. É importante utilizar formas competitivas, visando aumentar a intensidade de treino.
Em termos práticos, existem diversos exercícios que são normalmente utilizados com ou sem bola para desenvolvimento da resistência, nomeadamente os que derivam de situações baseadas na corrida contínua, os jogos condicionados e os jogos recreativos.
RESISTÊNCIA DE BASE
Métodos e meios de desenvolvimento
O treino da Resistência de Base tem conotações diferentes segundo o desporto. É evidente que o tipo de Resistência de Base que necessita um lançador é muito diferente da que necessita um futebolista.
O futebolista requer um nível de resistência suficiente para suportar os volumes, bastante elevados. De carácter intervalado e de diferentes vias energéticas que se produzem durante o jogo
Os métodos mais convenientes para treinar a Resistência de Base III são o método continuo variável e os métodos intervalados intensivos curto e muito curto.
Os exercícios devem estar em estreita relação com os gestos desportivos.
O método contínuo variável adapta-se muito bem às exigências do futebol. No entanto, o método contínuo extensivo deve usar-se com precaução, basicamente como manutenção e recuperação do nível geral de condição física, uma vez que se fosse empregue com o objectivo de desenvolver a Resistência de Base III poderia ter efeitos negativos para a estrutura das fibras rápidas anaeróbias (fibras IIb) pelo acentuar das fibras oxidativas (I e IIa).
RESISTÊNCIA DE BASE III
Métodos e meios de desenvolvimento
O método intervalado intensivo curto é muito apropriado em forma de circuitos, incluindo exercícios específicos e elementos do jogo. Assim o jogador familiariza-se com a mudança de formas de movimento em combinação com as alterações da carga.

Dada a dificuldade dos futebolistas para dispor de tempo para o desenvolvimento da RB III, costuma-se acentuar o seu treino na fase inicial da temporada. A sua manutenção pode ser feita com uma sessão semanal combinada com outras componentes específicas (velocidade; técnica/táctica).
MÉTODOS DE TREINO DA RESISTÊNCIA

Contínuo:
* Uniforme:
- Extensivo
Intensivo.
* Variado
Por Intervalos:
* Treino Intervalado:
- Extensivo
Intensivo.
* repetições:
- Curto
- Médio
- Longo
Método de Competição ou Controlo
MÉTODOS DE TREINO DA RESISTÊNCIA

Contínuo:
Exercícios de longa duração sem interrupção. É usado, essencialmente, durante o período preparatório para desenvolver a resistência de base. Atendendo à especificidade do Futebol, o volume pode ser de curta (15’ a 30?), média (30’ a 60’) e de longa duração (+60’), sem intervalos durante a execução. O volume, a duração e a intensidade da carga devem estar de acordo com a idade e a capacidade dos jogadores em cada momento.

Deve ser desenvolvido no limiar aeróbio/anaeróbio.

Pode ser contínuo uniforme e/ou contínuo variado.

* Uniforme:
- Extensivo mais de 60’
Intensivo até 60’
* Variado
MÉTODOS DE TREINO DA RESISTÊNCIA

Contínuo:
Exercícios de longa duração sem interrupção.
Corrida contínua (correr em bosques, montanhas, percursos cronometrados)
Corrida continua com mudanças de ritmo (Fartlek);
Corridas em Triângulos, rectângulos;
Corridas com um tempo determinado.


EXTENSIVO (+60’):
É um treino puramente aeróbio que deverá ser usado especialmente nos períodos de preparação para construir a resistência de base ou como treino de manutenção para uma estabilização a longo prazo da capacidade de resistência.
No limiar aeróbio e para melhoria dos parâmetros cardio-circulatórios (FC -+140)
MÉTODOS DE TREINO DA RESISTÊNCIA

Contínuo:
INTENSIVO (-60’):
Utiliza-se, com muitas reservas e raramente, para conseguir activar o metabolismo do glicogénio e levar a um esgotamento das reservas de açúcar e como consequência à supercompensação.
Deve ter-se em conta que:
As corridas de resistência no limiar anaeróbio devem efectuar-se durante um tempo limitado (futebolistas muito bem treinados no máximo 15 a 30 minutos), já que este tipo de esforço conduz a um rápido esgotamento das reservas de glicogénio;
As corridas de resistência intensivas são muito cansativas e não são aliciantes para “os tipos sprinter” provocando, sobretudo, rechaço;
Também se pode conseguir um rápido esgotamento das reservas de glicogénio, mas com maior motivação e mais especificidade para o metabolismo, mediante diferentes tipos de jogo (5:5 até 8:8). Deverá dar-se preferência a esta forma, com algumas excepções em casos concretos;
As corridas contínuas intensivas, no Futebol só se deveriam utilizar em corridas de teste, por exemplo Teste de Cooper, como possibilidade de controle da capacidade de resistência aeróbia;
A junção de corridas intensivas e um maior treino de jogo conduz rapidamente a “queimar” o jogador, já que o tempo de recuperação para voltar a restituir as reservas de glicogénio, esgotadas no treino, só é suficiente em casos excepcionais.

RESISTÊNCIA DE BASE III
MÉTODOS DE TREINO DA RESISTÊNCIA

Meios de treinar a Resistência de Base:
Meios de treino e exercícios sem bola:
apesar das reservas contra um treino de resistência exclusivamente sem bola, em nenhum caso se devem eliminar as corridas de resistência sem boal, já que estas, devido à sua estrutura, têm um papel muito importante pelos efeitos pedagógicos e psicológicos que têm sobre os futebolistas.
1- Formas de corrida livres
Corridas feitas fora do terreno de jogo, individualmente ou em grupo:
- Corridas no bosque;
- Corridas de corta-mato;
- Corridas na praia (descalços na areia);
- Corridas na montanha;
- Corridas com mudanças de velocidade (Fartlek);
- Corridas de orientação.
MÉTODOS DE TREINO DA RESISTÊNCIA

Meios de treinar a Resistência de Base:
Meios de treino e exercícios sem bola:
2- Formas de corrida sem sair do campo ou pavilhão
É muito importante tentar evitar a monotonia, usando diferentes tipos de corrida:
- Corridas para a frente, para trás, laterais;
- Corridas “calcanhares às nádegas”;
- Corridas com pequenos saltos;
- Corridas com circundação dos braços;
- Corrida lateral;
- Combinação de diferentes formas de corrida.
Variar os percursos, diagonais, Zig-zag, círculos, etc., no campo
MÉTODOS DE TREINO DA RESISTÊNCIA

Meios de treinar a Resistência de Base:
Meios de treino e exercícios sem bola:
3- Formas de corrida com variação do ritmo de corrida
- Jogo de Corrida:
duração entre 15 a 45’, com duração necessária para treinar a resistência, variado e tem semelhança com as mudanças de ritmo e de esforço que se realizam nos jogos, portanto também desenvolve a resistência específica.

- Corridas cronometradas como competição de grupo:
o treinador divide os jogadores em dois grupos que farão corrida em direcções opostas partindo do mesmo ponto. O objectivo é o grupo terminar a corrida num tempo determinado pelo treinador.
MÉTODOS DE TREINO DA RESISTÊNCIA

Meios de treinar a Resistência de Base:
Meios de treino e exercícios sem bola:
3- Formas de corrida com variação do ritmo de corrida
- Corrida dirigida:
o treinador dividirá os jogadores em 2 ou 3 grupos. Cada elemento do grupo será responsável por um determinado tempo (ex: 5’) ou determinada distância (ex: 1000 mts) num percurso escolhido pelos próprios e com o ritmo correspondente.

- Corrida de slalom entre o grupo enquanto este corre:
em fila indiana (2-3 mts entre cada um), por um percurso escolhido por eles, o último da fila corre rápido em slalom pela fila até ao início desta.
MÉTODOS DE TREINO DA RESISTÊNCIA

Meios de treinar a Resistência de Base:
Meios de treino e exercícios com bola:
muitas das formas apresentadas sem bola podem ser efectuadas com bola, vantagem de ser mais motivante e mais específico. Não esquecer que as corridas com bola cansam mais. Para alguns jogadores a bola provoca uma intensificação da corrida o que, em determinadas circunstâncias, pode ser contraproducente para o desenvolvimento da resistência aeróbia.
- Trajecto de condução de bola;
- Condução em forma de slalom com o pé dominante;
- Condução da bola pela linha central e pelo centro do campo;
- condução com o pé mais débil por um trajecto lateral;
-etc..
MÉTODOS DE TREINO DA RESISTÊNCIA
TREINO INTERVALADO:
MÉTODOS DE TREINO DA RESISTÊNCIA
TREINO INTERVALADO:

Em função da intensidade da carga podemos distinguir dois tipos de treino: Intervalado Extensivo e Intervalado Intensivo.

Quanto à duração da carga podemos considerar:
- Intervalado de Curta Duração (15” a 60”);
- intervalado de Média Duração (1’ a 3’);
- intervalado de Longa Duração (3’ a 15’)

Variantes em função da intensidade e da duração da carga:
* Intervalado Intensivo Muito Curto (IImC) (8” a 15”);
* Intervalado Intensivo Curto (IIC) (15” a 60”);
* Intervalado Extensivo Médio (IEM) (1’ a 3’);
* Intervalado Extensivo Longo (IEL) (3’ a 15’)
TREINO INTERVALADO:

TREINO INTERVALADO:
Método das Repetições

MÉTODOS DE TREINO DA RESISTÊNCIA
Métodos de Treino por Intervalos
Aspectos mais significativos:

Permitem realizar um maior volume de trabalho com maior intensidade (pode ser 2,5 superior ao método contínuo);
Permitem uma estimulação mais próxima do ritmo de competição;
Podem ser utilizados para recrutar, especificamente, as fibras de contracção rápida;
Desenvolvem selectivamente mais adaptações locais;
Débito cardíaco é ligeiramente superior em esforços intermitentes em relação a esforços contínuos;
Quando o período de esforço e a recuperação são curtos, a mobilização de glicogénio pode ser inibida utilizando-se os ácidos gordos.
MÉTODOS DE TREINO DA RESISTÊNCIA
Métodos de Competição e Controlo
Caracteriza-se pela existência de uma carga única, exigindo o rendimento máximo. Serve, fundamentalmente, para desenvolver a resistência específica.
Aplica-se como preparação directa para a temporada ou no período competitivo (desenho convencional) ou no mesociclo de realização (desenho contemporâneo – ATR). Também se usa como sistema de avaliação ou controlo, pois os seus resultados permitem interpretar o efeito do treino realizado.

A RESISTÊNCIA NO PLANEAMENTO DO TREINO

Na unidade de treino pode desenvolver-se em qualquer momento. No entanto, se pretendermos desenvolver o trabalho técnico, velocidade, força rápida ou capacidades coordenativas, a resistência deve ser trabalhada depois.

No microciclo semanal está presente em todas as unidades de treino. O trabalho específico de resistência anaeróbia com alguma intensidade deve ser efectuado até 72 horas antes do jogo/competição.

No Período Preparatório, deve trabalhar-se, predominantemente, a resistência aeróbia (Base), ou seja, prevalece o trabalho em volume sobre a intensidade. À medida que se aproxima a competição, a resistência aeróbia vai diminuindo e vai aumentando a intensidade das cargas de resistência anaeróbia (específica).

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

CAPACIDADES MOTORAS: VELOCIDADE

01/12/2010: Aula de Capacidades Motoras:
Capac. Motoras (3h)
9,30h/12,30h
Tema 2
Definições de velocidade e de resistência de velocidade

Relação com outras capacidades condicionais:

RESISTÊNCIA de VELOCIDADE:
Considerada a resistência à fadiga com cargas de velocidade submáxima a máxima, sendo a fonte energética predominantemente anaeróbia.
Capacidade de poder manter a fase de velocidade máxima durante um longo período de tempo.

RESISTÊNCIA de FORÇA:
Assenta na relação que se estabelece entre a capacidade física resistência e a capacidade de força. Acontece quando é necessário repetir esforços em regime de resistência que exigem determinados níveis de força.
Definições de velocidade
Treino de velocidade
VELOCIDADE

Conceito

Do ponto de vista da Física, a Velocidade (v) implica a rapidez com que um corpo faz um deslocamento. Portanto, depende de duas variáveis: espaço (e) percorrido e o tempo (t) necessário para o fazer.
V= e/t

Aceleração (a) = ∑v / ∑ t

A Velocidade do futebolista é uma capacidade múltipla. Não é composta apenas pela velocidade de reacção e de tratamento rápido das informações, das partidas e das corridas rápidas, a velocidade gestual ao controlar a bola, os sprints e travagens, mas também é pelo rápido reconhecimento e avaliação da situação. (Benedek e Palfai, 1980).

A velocidade do futebolista é composta por características parciais tais como: capacidade de realização, de antecipação, de decisão, de reacção, de movimento sem bola e gestual com bola.
VELOCIDADE

Conceito

A velocidade do futebolista é muito complexa e é composta por varas capacidades psico-físicas:
- Capacidade para realizar situações do jogo e as suas alterações no menor tempo possível = velocidade de realização;
- Capacidade para antecipar o desenvolvimento do jogo e especialmente o comportamento do adversário no menor tempo possível = velocidade de antecipação;
- Capacidade de decisão no menor tempo possível para uma possível acção = velocidade de decisão;
- Capacidade de reacção rápida a situações imprevistas durante o jogo = velocidade de reacção;
- Capacidade para realizar rapidamente movimentos cíclicos e acíclicos sem bola = velocidade de movimentos acíclicos e cíclicos;
- Capacidade de rápida execução de jogadas com bola, específicas do jogo, sob pressão de tempo e dos adversários = velocidade de aceleração;
- Capacidade de actuar o mais rapidamente possível e da forma mais eficaz possível durante o jogo, e sob de situações e condições técnico-tácticas complexas = velocidade gestual. Bauer (1990)
VELOCIDADE

Conceito

Só se todas as capacidades parciais estiverem bem desenvolvidas será possível desenvolver a velocidade.
A velocidade psico-cognitiva é a actuação rápida em determinada situação do jogo (capacidade de realização e antecipação) e na capacidade de decisão rápida sobre uma possibilidade de jogo (velocidade de decisão).
A reacção rápida instintiva em situações imprevistas durante o jogo são o que caracteriza especialmente o Guarda Redes. Chegar à bola implicar ter que efectuar movimentos sem pensar e sem os prever.
A capacidade de aceleração dependente da força (velocidade de movimento) do futebolista permite converter o que se imagina ou supõe em acções reais, para poder desembaraçar-se do adversário, aparecer em posições de jogo surpreendentes e perigosas para o Guarda-Redes.

VELOCIDADE

Velocidade de Percepção
O futebolista durante todo o jogo encontrar-se-á com uma grande quantidade de informação, principalmente visual e auditiva, que deverá filtrar e elaborar o mais rapidamente possível para continuar o jogo.

Velocidade de Antecipação
Capacidade do futebolista entender, baseando-se num prognóstico de percepção, e desenvolvimento e resultado de uma acção, mas também de poder programar o momento e frequência em que aparecerão determinados resultados.
A eficácia de muitas acções de jogo baseia-se no reconhecimento rápido da bola ou dos movimentos da bola, assim como dos jogadores adversário e dos seus colegas de equipa, já que a antecipação permite uma planificação da própria reacção.
VELOCIDADE

Velocidade de Reacção
A velocidade de reacção representa um dos factores decisivos da capacidade de rendimento do futebolista. O jogador de futebol necessita a capacidade de reacção para (Gabriel, 1991):
Como Guarda-Redes ou defesa em muitas situações de perigo de golo;
Em acções rápidas do adversário;
Ao fintar ou quando se tem que reagir a uma finta;
Ao tackling (entrada);
Ao fazer acelerações rápidas num espaço livre;
Ao tentar enganar o adversário (simulações);
Noutras situações inesperadas, como podem ser bolas perdidas, que voltem para o terreno de jogo após bater nos postes da baliza.
VELOCIDADE

Velocidade de Reacção
A velocidade de reacção, como resultado do reconhecimento de uma situação, da análise e do processo de decisão, refere-se às capacidades parciais da velocidade, concretamente à velocidade de percepção, a de antecipação e a de decisão. Juntamente com a velocidade de deslocamento é a capacidade parcial mais importante da velocidade.
VELOCIDADE

Velocidade de Aceleração
A velocidade de aceleração tem uma excepcional importância para o jogo de defesa e de ataque, para um comportamento eficaz em campo e representa uma boa prevenção de lesões (o que pode evitar o adversário, o que chega primeiro à bola, poderá afastar-se mais rapidamente dos possíveis ataques adversários).

A velocidade de aceleração, no futebol, é uma das características mais importantes juntamente com a capacidade de resistência geral e especial.
VELOCIDADE
RESISTÊNCIA de VELOCIDADE:
Capacidade de poder manter a fase de velocidade máxima durante um longo período de tempo.
O treino da Resistência de velocidade orientado para o Atletismo não é especialmente apropriado; pode ver-se o quão afastado está do futebol. Gerisch/Strauss, 1977, apresentavam os seguintes motivos:
O futebolista, normalmente, não pode fazer um sprint mais longo que 100 mts em linha recta ou sem encontrar obstáculos, de modo que a resistência de velocidade no sentido de resistência de sprint não pode ter a mesma importância que nos corredores de curtas distâncias;
A corrida do futebolista, na maioria dos casos, está marcada por muitas mudanças desde arranque em sprint, travagem e mudanças de direcção, fintas, entradas, transição ataque defesa, etc.;
O futebolista deverá terminar o sprint com determinada acção (exemp: passe, ultrapassagem do adversário, remate). Ao movimento cíclico de uma corrida seguir-se-á um movimento acíclico, o que implica que a velocidade de movimento para a frente deve poder transformar-se, o mais rapidamente possível, em velocidade de movimento de uma parte do corpo.
VELOCIDADE
RESISTÊNCIA de VELOCIDADE:
Um treino de resistência de velocidade efectuado mais que uma vez por semana piorará a resistência básica e portanto também as características tão necessárias para o futebolista, da velocidade e da força-velocidade, provocando um estado de sobretreino.
De acordo com Liesen, 1983, O perigo do sobretreino ou de “queimar um jogador” é muito grande, especialmente nos jogadores jovens e com talento que querem passar a jogadores profissionais, enquanto que outros jogadores mais velhos e mais experimentados já aprenderam a efectuar este tipo de treino de forma consequente, os mais jovens tentam chegar ao limite das suas forças. O “pagamento” disto não é um aumento da sua capacidade de rendimento mas sim uma baixa de forma crónica

Muitas vezes as bases físicas são insuficientes, não porque se treine demasiado pouco, mas sim porque se treinou de forma demasiado intensa no âmbito láctico (Liesen, 1983

VELOCIDADE

Métodos de Treino da Velocidade

MÉTODO DAS REPETIÇÕES:
método, por excelência de treino da velocidade. Garante uma recuperação óptima da capacidade de trabalho depois do exercício
Depois de exercícios curtos e explosivos 3-5 segundos, deverá efectuar-se uma recuperação activa 1-1,5 min.

MÉTODO INTERVALADO INTENSIVO:

MÉTODO DE DESENVOLVIMENTO DA VELOCIDADE INTEGRADO NO JOGO:
é muito importante a melhoria de todos os parâmetros da velocidade.
VELOCIDADE

Indicações metodológicas

O treino de velocidade deverá começar-se cedo (crianças em idade escolar);
Em todas as unidades de treino devem estar elementos de velocidade e de força-velocidade;
Para evitar lesões fazer um bom aquecimento;
O treino de velocidade deve ser feito no início da unidade de treino e em estado de repouso;
O treino de velocidade só é efectivo se for feito a um ritmo máximo;
Quando aparece o cansaço deve parar-se o treino de velocidade;
Ao fazer treino de força-velocidade e de velocidade deve ter-se em conta a relação exercício descanso;
Em equipas que treinem duas vezes por dia não deverá realizar-se um treino intenso de velocidade se de manhã o treino foi muito intenso;
Para evitar a estagnação o treino deverá ter uma forma variada;
Fazer esforço o mais próximos possíveis do exigido pelo jogo;
O treino de velocidade deve ter em conta outros factores como a força a flexibilidade;
Integrar a capacidade de sprint;
Deverá tentar-se superar os valores de velocidade e aceleração;
A dificuldade deverá ser incrementada de forma progressiva..

VELOCIDADE

Meios de treino da velocidade

A parte principal dos exercícios orientados para a velocidade são exercícios fáceis de coordenação, os exercícios de velocidade de reacção e gestual com e sem bola e as formas mais complexas, técnico-tácticas, mais específicas do jogo.

Exercícios de coordenação para melhorar a técnica de corrida

Multissaltos;
Corridas em rampa;
“Seguir a Sombra” com diferentes variações de corrida;
Multissaltos passando a sprints;
Corrida de multissaltos (num sessão de treino 2-3 vezes -+ 30 mts);
Trabalho da a articulação do pé;
Skipings;
Correr elevando os calcanhares à nádegas;
Correr com a oposição de um companheiro;
Finta-saltos-sprintes;
“Ins Outs” (sprints de 30 mts – 40 mt a passo – 30 mts sprint)

VELOCIDADE

Meios de treino da velocidade
Formas jogadas e exercícios sem bola para melhorar a velocidade de reacção e/ou aceleração.

Em geral pode dizer-se que os exercícios puros de aceleração são exercícios que treinam basicamente as componentes da velocidade. Estão em todas as sessões de treino. Mas devido ao pouco esforço que requerem devem dosear-se convenientemente. O treino de aceleração não dever ser feito sempre da mesma maneira em todas as sessões de treino, deve ser variado.

Variantes da execução de movimentos:
Parados, andando, fazendo marcha, uma corrida a subir, em zonas limitadas e com mudanças de velocidade, correr para a frente e para trás ou lateralmente;
Deitados no solo (decúbito dorsal; decúbito ventral, de lado); sentados; de cócoras, correr para a frente e para trás, juntar um salto ou uma pirueta no final.
As acelerações podem fazer-se em linha recta, em zig-zag, com mudanças de direcção, com ou sem exercícios adicionais.

Variantes dos sinais de início:

Sinais diferentes:
Chamar (nome; numero; cor);
Bater as palmas (uma ou várias vezes);
Apitar (uma ou várias vezes);
Objecto em movimento (bola, outro jogador).

VELOCIDADE

Meios de treino da velocidade

Formas jogadas e exercícios sem bola para melhorar a velocidade de reacção e/ou aceleração.

As formas jogadas e os exercícios para melhorara a velocidade de reacção e/ou aceleração são uma parte muito importante do treino de Futebol.
O treinador deverá decidir quais o os exercícios e jogos mais indicados de acordo com a idade e o nível de treino.

Para melhorar a velocidade de aceleração com corridas em linha recta são apropriados os seguintes exercícios:
Corridas de ultrapassar (em duas filas, ao sinal, os dois últimos, em sprint passam para a frente das filas) Variante: slalon; volta sobre si próprio e slalon;

Sprints dois a dois (ao sinal partem dois de cada vez, 30 mts, intervalo 2’, 5-8 repetições);

Corridas com acelerações (dois a dois a trote, um arranca de repente e o outro tenta segui-lo. Após 2’ de pausa trocam de papeis, 3 repetições cada).

VELOCIDADE

Meios de treino da velocidade

Formas jogadas e exercícios sem bola para melhorar a velocidade de reacção e/ou aceleração.

Para o futebolista é muito importante efectuar corridas com mudanças de direcção, já que são características do jogo.

Alguns exemplos:
Corrida entre linhas (várias possibilidades);
VELOCIDADE

Meios de treino da velocidade

Formas jogadas e exercícios sem bola para melhorar a velocidade de reacção e/ou aceleração.

Percursos com cones (treino de velocidade e força-velocidade


VELOCIDADE

Meios de treino da velocidade

Formas jogadas e exercícios sem bola para melhorar a velocidade de reacção e/ou aceleração.

Corridas de agilidade (duas corridas com pausas de dois minutos)

VELOCIDADE

Meios de treino da velocidade

Formas jogadas e exercícios sem bola para melhorar a velocidade de reacção e/ou aceleração.

Corridas em slalon

VELOCIDADE

Meios de treino da velocidade

Formas jogadas e exercícios sem bola para melhorar a velocidade de reacção e/ou aceleração.

“Branco e Negro” (partidas de várias posições);

Perseguição entre linhas: dois jogadores tentam chegar de uma linha à outra ao pé coxinho sem que os outros os apanhem. Cada jogador será perseguidor duas vezes. Nas pausas executar passe durante 1 minuto (ou marcha).
“Corrida atrás da sombra”,
Aceleração com fintas

VELOCIDADE

Meios de treino da velocidade

Formas jogadas e exercícios com bola para melhorar a velocidade de reacção, aceleração e gestual.

Para treinar a velocidade de movimento cíclico e acíclico e a velocidade de reacção, para haver uma optimização técnica deveriam efectuar-se frequentemente exercícios com bola, que além do mais comportam mais motivação.
Os jogos com bola e finta são muito adequados para melhorar a capacidade de acção com bola, uma capacidade muito importante para o ritmo de jogo.

Formas de exercício e jogos com bola: fintas com ritmo, fintas dois a dois com/sem acelerações:
Finta em sprint;
Condução de bola em sprint (20-40 mts);
Condução de bola rapidamente em slalon;
Corridas de perseguição;
“Quem chega primeiro”
VELOCIDADE

Meios de treino da velocidade

Formas jogadas e exercícios com bola para melhorar a velocidade de reacção, aceleração e gestual.

Formas de exercício e jogos com bola: combinações aceleração-passe ou aceleração contacto com a bola:

Passes e sprints (duas filas dois a dois);
Passe-sprint receber a bola condução de bola;
“Futebol-Ténis” correndo até uma marca;
VELOCIDADE

Meios de treino da velocidade

Formas jogadas e exercícios com bola para melhorar a velocidade de reacção, aceleração e gestual.

Formas de exercício e jogos com bola: sprints e remate com o pé ou cabeça:

Aceleração e remate (variantes: começar de diferentes posições), dois a dois o que chegar primeiro remata;
Aceleração ao ouvir um sinal e remate, dois a dois de costas para a baliza;
Sprints com mudança de direcção e remate;
Condução remate, competição por equipas (duas equipas duas bolas o 1º que chegar a um local determinado pode rematar);
Sprints com remates de cabeça.
VELOCIDADE

Meios de treino da velocidade

Formas de exercício e jogos em forma de jogo

O s pequenos jogos reflectem em grande medida “a realidade do jogo”, no entanto, têm vantagem de facilitar a situação normal de jogo, mas também permitem melhorar a capacidade de velocidade.

A selecção destes jogos deverá efectuar-se tendo objectivos muito claros, para poder aumentar as múltiplas capacidades requeridas num jogo de Futebol.

6:6 ao longo de duas linhas; (golo quando se ultrapasse a linha com a bola);
5:5 com jogadores externos. 4 jogam e dois de cada equipa ficam nas laterais sem entrar no próprio campo;
6:6 com duas balizas em metade do campo.
Etc.