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segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011
quarta-feira, 26 de janeiro de 2011
COMO JOGAR 9 CONTRA 11: CARLOS CARVALHAL
24/01/2011
Psicologia
Psicologia
Como jogar 9 contra 11.
Já tinha passado por esta experiência e lembrei-me novamente ao ver o Rio Ave com o Vitória de Guimarães no fim-de-semana passado, num jogo a contar para a Liga Portuguesa de futebol profissional.
Jogar 11x11 permite-nos ter todos os referenciais no terreno de jogo: companheiros e adversários e suas respectivas linhas e orientações.
Na ausência de um jogador as coisas complicam-se! Na minha opinião, o comprometimento defensivo nunca deve ser colocado em causa; o ofensivo com alguma astúcia e inteligência pode ser eficaz. No fundo, juntando linhas e redobrando esforços nos dez, ou seja, com “essa força”, aliada a astúcia de ordem táctica, pode com naturalidade fazer-nos discutir um jogo contra qualquer adversário, mantendo sempre os equilíbrios da equipa.
Jogar com nove… é muito mais complicado! O campo de futebol é muito grande para ser ocupado por nove jogadores. A manutenção das linhas e equilíbrios não nos permitem defender em superioridade numérica e ter elementos suficientes para poder atacar com número de unidades que possam criar muitas dificuldades ao adversário.
O que devem então fazer os nove jogadores?
Servimo-nos do exemplo do Rio Ave, que ficou com 9 unidades ao minuto 60 e com o resultado em 1 a 1, tendo ainda ficado em situação desfavorável aos 68 minutos de jogo.
Com o resultado negativo de 1 a 2, o Rio Ave nunca se desequilibrou, tendo sempre uma frieza e agressividade impressionantes, respondendo desta forma com grande eficácia às dificuldades do jogo.
Defensivamente manteve sempre as suas linhas juntas, posicionando-se no seu meio campo defensivo com todos os jogadores muito juntos. Formou sempre uma linha de 4 defesas que lhe asseguraram e contribuíram para a manutenção equilibrada da dinâmica defensiva. A grande diferença para o que acontecia antes foi apenas a dinâmica ofensiva dos seus defesas laterais que depois ficaram obviamente mais posicionais.
No meio campo manteve os 3 elementos habituais (o Rio Ave joga normalmente em 1.4.3.3). O comportamento dos médios envolveu sempre grande sacrifício e grande mobilidade defensiva: com a ausência de extremos para defender nos espaços dos defesas laterais contrários, foram os médios laterais que rapidamente tiveram que se posicionar nestes espaços, rodando os dois outros médios para o lado da bola.
Na frente, um jogador (João Tomás). Em situação defensiva, recuou para a linha do médio defensivo contrário, fazendo o papel de 4 médio.
Desta forma, a manutenção do equilíbrio foi uma evidência! Ainda assim, o Rio Ave estava a perder! O que fazer para chegar ao golo nestas circunstâncias?
Ao ganhar a posse da bola, numa equipa que tem menos duas unidades em campo, parece que não existem companheiros para jogar, porque essencialmente se perdem referências. O maior perigo nestas situações pode ser o facto de as equipas perderem o seu equilíbrio táctico, em função de quererem atacar com a normalidade habitual no que diz respeito à sua dinâmica, e não sabendo por isso que os equilíbrios se podem tornar quase impossíveis, tornando-se altamente vulneráveis no momento de transição defensiva.
Sempre que o Rio Ave ganhava a posse da bola, tentava conservar a sua posse até que o seu avançado e mais um médio chegasse perto da linha defensiva adversária. Nessa altura, verificou-se sempre uma tentativa de jogo directo para estes, sobretudo para ganhar faltas. Foi assim que o Rio Ave conseguiu chegar à baliza do Vitória. E foi assim que após uma falta sobre João Tomás fez o golo do empate.
Manter a posse, sem abandonar as posições de forma a estar em equilíbrio no momento de transição defensiva, e procurar através de passes directos para os jogadores que se posicionem na frente, de forma a ganhar faltas laterais, frontais ou cantos, parece-nos ser uma boa solução para combater a inferioridade numérica de 2 jogadores. Defender bem e tentar aproveitar com eficácia os lances de bola parada. Numa equipa com jogadores como Cristiano Ronaldo ou Messi, uma outra hipótese é simplesmente passar-lhes a bola…criam soluções em situações de inferioridade extrema!
E a equipa que está em superioridade numérica 11 contra 9?
No fundo fazer o que o Vitória fez. 4 Jogadores nos corredores (um defesa lateral e extremo de cada lado) de forma a “abrir” o campo e tentar desequilíbrios principalmente pela acção dos defesas laterais (leia-se atrás a dificuldade colocada com a ausência de extremos). Dois avançados colocados na frente, jogando 1x1 com os defesas centrais contrários. Um pivot defensivo e um ofensivo, mantendo-se os dois defesas centrais.
Esta foi a opção relativa à colocação espacial dos jogadores, como poderia ter sido outra. O que nos parece importante referir é que, numa situação destas, tendo em conta a dificuldade sentida pelos médios contrários (por terem de sair a zonas laterais), quanto mais a bola entrar nessas zonas e mais rápido circule para o corredor contrário, mais dificuldades e desgaste estes jogadores podem acusar e por consequência, os espaços abrem-se com naturalidade! Por outro lado, com a dificuldade de controlar espaços, aparecem os desequilíbrios.
Já tinha passado por esta experiência e lembrei-me novamente ao ver o Rio Ave com o Vitória de Guimarães no fim-de-semana passado, num jogo a contar para a Liga Portuguesa de futebol profissional.Jogar 11x11 permite-nos ter todos os referenciais no terreno de jogo: companheiros e adversários e suas respectivas linhas e orientações.
Na ausência de um jogador as coisas complicam-se! Na minha opinião, o comprometimento defensivo nunca deve ser colocado em causa; o ofensivo com alguma astúcia e inteligência pode ser eficaz. No fundo, juntando linhas e redobrando esforços nos dez, ou seja, com “essa força”, aliada a astúcia de ordem táctica, pode com naturalidade fazer-nos discutir um jogo contra qualquer adversário, mantendo sempre os equilíbrios da equipa.
Jogar com nove… é muito mais complicado! O campo de futebol é muito grande para ser ocupado por nove jogadores. A manutenção das linhas e equilíbrios não nos permitem defender em superioridade numérica e ter elementos suficientes para poder atacar com número de unidades que possam criar muitas dificuldades ao adversário.
O que devem então fazer os nove jogadores?
Servimo-nos do exemplo do Rio Ave, que ficou com 9 unidades ao minuto 60 e com o resultado em 1 a 1, tendo ainda ficado em situação desfavorável aos 68 minutos de jogo.
Com o resultado negativo de 1 a 2, o Rio Ave nunca se desequilibrou, tendo sempre uma frieza e agressividade impressionantes, respondendo desta forma com grande eficácia às dificuldades do jogo.
Defensivamente manteve sempre as suas linhas juntas, posicionando-se no seu meio campo defensivo com todos os jogadores muito juntos. Formou sempre uma linha de 4 defesas que lhe asseguraram e contribuíram para a manutenção equilibrada da dinâmica defensiva. A grande diferença para o que acontecia antes foi apenas a dinâmica ofensiva dos seus defesas laterais que depois ficaram obviamente mais posicionais.
No meio campo manteve os 3 elementos habituais (o Rio Ave joga normalmente em 1.4.3.3). O comportamento dos médios envolveu sempre grande sacrifício e grande mobilidade defensiva: com a ausência de extremos para defender nos espaços dos defesas laterais contrários, foram os médios laterais que rapidamente tiveram que se posicionar nestes espaços, rodando os dois outros médios para o lado da bola.
Na frente, um jogador (João Tomás). Em situação defensiva, recuou para a linha do médio defensivo contrário, fazendo o papel de 4 médio.
Desta forma, a manutenção do equilíbrio foi uma evidência! Ainda assim, o Rio Ave estava a perder! O que fazer para chegar ao golo nestas circunstâncias?
Ao ganhar a posse da bola, numa equipa que tem menos duas unidades em campo, parece que não existem companheiros para jogar, porque essencialmente se perdem referências. O maior perigo nestas situações pode ser o facto de as equipas perderem o seu equilíbrio táctico, em função de quererem atacar com a normalidade habitual no que diz respeito à sua dinâmica, e não sabendo por isso que os equilíbrios se podem tornar quase impossíveis, tornando-se altamente vulneráveis no momento de transição defensiva.
Sempre que o Rio Ave ganhava a posse da bola, tentava conservar a sua posse até que o seu avançado e mais um médio chegasse perto da linha defensiva adversária. Nessa altura, verificou-se sempre uma tentativa de jogo directo para estes, sobretudo para ganhar faltas. Foi assim que o Rio Ave conseguiu chegar à baliza do Vitória. E foi assim que após uma falta sobre João Tomás fez o golo do empate.
Manter a posse, sem abandonar as posições de forma a estar em equilíbrio no momento de transição defensiva, e procurar através de passes directos para os jogadores que se posicionem na frente, de forma a ganhar faltas laterais, frontais ou cantos, parece-nos ser uma boa solução para combater a inferioridade numérica de 2 jogadores. Defender bem e tentar aproveitar com eficácia os lances de bola parada. Numa equipa com jogadores como Cristiano Ronaldo ou Messi, uma outra hipótese é simplesmente passar-lhes a bola…criam soluções em situações de inferioridade extrema!
E a equipa que está em superioridade numérica 11 contra 9?
No fundo fazer o que o Vitória fez. 4 Jogadores nos corredores (um defesa lateral e extremo de cada lado) de forma a “abrir” o campo e tentar desequilíbrios principalmente pela acção dos defesas laterais (leia-se atrás a dificuldade colocada com a ausência de extremos). Dois avançados colocados na frente, jogando 1x1 com os defesas centrais contrários. Um pivot defensivo e um ofensivo, mantendo-se os dois defesas centrais.
Esta foi a opção relativa à colocação espacial dos jogadores, como poderia ter sido outra. O que nos parece importante referir é que, numa situação destas, tendo em conta a dificuldade sentida pelos médios contrários (por terem de sair a zonas laterais), quanto mais a bola entrar nessas zonas e mais rápido circule para o corredor contrário, mais dificuldades e desgaste estes jogadores podem acusar e por consequência, os espaços abrem-se com naturalidade! Por outro lado, com a dificuldade de controlar espaços, aparecem os desequilíbrios.
segunda-feira, 17 de janeiro de 2011
METODOLOGIA DE TREINO: FUTEBOL 7
15/1/2011 Preparação para o exame teórico
FUTEBOL 7 Sistema 1-2-3-1
Funcionamento
Este sistema teve a sua origem no 1-3-2-1, ao adiantar um dos defesas para a linha de meio campo. Tem também grandes afinidades com o futebol 11, especialmente em equipas de características mais ofensivas, ou perante equipas contrárias muito inferiores.
Este sistema é uma boa aproximação para o 1-4-2-3-1 do futebol 11.
Existe então, 1 guarda-redes, 2 defesas, 3 médios e 1 avançado.
Os defesas são dois centrais, com muitas capacidades para as coberturas, muito rápidos, com qualidades técnicas para iniciar o jogo de ataque, fortes no jogo aéreo e eficazes nos desarmes.
Os dois médios alas devem ser rápidos, com capacidades técnica e com facilidades de chegar à área contrária.
O médio centro deverá ter todas as qualidades de um bom organizador de jogo e bom posicionamento táctico.o avançado deverá ser muito veloz, com capacidade de desmarcação, com qualidades para segurar a bola e possibilidade de fazer também trabalho defensivo.
Vantagens
Grande semelhança ofensiva ao funcionamento do futebol 11, permitindo manter a posse de bola e fazer a progressão até à baliza contrária.
Maior agressividade defensiva pois permite pressionar com 4 jogadores o início do ataque da equipa contrária.
Maiores possibilidades de conseguir golo ao recuperar um grande número de bolas no campo contrário.
Desvantagens
Demasiado espaço livre entre os defesas e o guarda-redes.
Exige um nível elevado de concentração pois necessita de uma grande intensidade de jogo.
Um erro na pressão pode proporcionar facilmente um contra-ataque da equipa contrária com muitas possibilidades de golo, devido ao adiantamento das linhas de jogo ao tentar recuperar a bola.
FUTEBOL 7 Sistema 1-2-3-1
Funcionamento
Este sistema teve a sua origem no 1-3-2-1, ao adiantar um dos defesas para a linha de meio campo. Tem também grandes afinidades com o futebol 11, especialmente em equipas de características mais ofensivas, ou perante equipas contrárias muito inferiores.
Este sistema é uma boa aproximação para o 1-4-2-3-1 do futebol 11.
Existe então, 1 guarda-redes, 2 defesas, 3 médios e 1 avançado.
Os defesas são dois centrais, com muitas capacidades para as coberturas, muito rápidos, com qualidades técnicas para iniciar o jogo de ataque, fortes no jogo aéreo e eficazes nos desarmes.
Os dois médios alas devem ser rápidos, com capacidades técnica e com facilidades de chegar à área contrária.
O médio centro deverá ter todas as qualidades de um bom organizador de jogo e bom posicionamento táctico.o avançado deverá ser muito veloz, com capacidade de desmarcação, com qualidades para segurar a bola e possibilidade de fazer também trabalho defensivo.
Vantagens
Grande semelhança ofensiva ao funcionamento do futebol 11, permitindo manter a posse de bola e fazer a progressão até à baliza contrária.
Maior agressividade defensiva pois permite pressionar com 4 jogadores o início do ataque da equipa contrária.
Maiores possibilidades de conseguir golo ao recuperar um grande número de bolas no campo contrário.
Desvantagens
Demasiado espaço livre entre os defesas e o guarda-redes.
Exige um nível elevado de concentração pois necessita de uma grande intensidade de jogo.
Um erro na pressão pode proporcionar facilmente um contra-ataque da equipa contrária com muitas possibilidades de golo, devido ao adiantamento das linhas de jogo ao tentar recuperar a bola.
TRANSIÇÕES OFENSIVAS: CARLOS CARVALHAL
14/01/2011
Preparação para o exame de capacidades motoras
Preparação para o exame de capacidades motoras
Transições ofensivas! Ao iniciar esta reflexão sobre transições ofensivas, não me abandonava a ideia da indivisibilidade do jogo e em função disso na inoportunidade de falar sobre o “momento” de transição ofensiva. Não será mais oportuno falar de instante?
Hoje em dia é recorrente falar-se em transição ofensiva, mas tenho a convicção que este termo é, na esmagadora maioria das vezes, usado de uma forma inadequada. É comum as pessoas associarem este momento a saídas em ataque rápido ou contra-ataque. Penso que esta ideia surgiu pela vertigem contemporânea: pela velocidade e pela pressa!
Existem algumas divergências no que se refere à definição do que é o momento de transição ofensiva! Para uns é a forma como após se recuperar a bola, se age de uma forma colectiva até ao momento em que o adversário entre em equilíbrio. Para outros é apenas o instante em que a recuperas depois o critério que a equipa tem para dar sequência ao jogo entrando no momento de organização ofensiva.
Acho que por vezes este tipo de questões se tornam estéreis! O jogo é contínuo, onde começa e termina algo em algo que é iminentemente fluido vão existir sempre divergências de opinião. Assim sendo, vamo-nos concentrar e focar no preciso momento em que ganhamos a bola, nesse… instante!
A Transição ofensiva pode ser caracterizada pelo preciso instante em que se recupera a bola! O que fazer a partir deste instante? Sim instante!
É que a qualidade da transição ofensiva está intimamente relacionada com a qualidade do primeiro passe após recuperação da posse da bola. A partir daqui, normalmente define-se a forma como depois entras no outro momento de jogo, que é obviamente a organização ofensiva.
A definição do que se vai fazer após ganhar a bola depende de muitas coisas: em primeira instância das ideias do treinador (da forma como treina para jogar) e dos respectivos princípios de jogo inerentes à ideia de jogo; do local onde se conquista a posse da bola; muitas vezes condicionado pela gestão do jogo (resultado, tempo de jogo, cansaço, etc).
Imaginem um treinador que privilegia a posse da bola como método preferencial de jogo! A predominância dos instantes de transição ofensiva serão em “segurança”, ou seja, pretende retirar a bola rapidamente da zona de pressão (ou de elevada densidade de jogadores adversários), isto nas equipas de nível é conseguido através de um primeiro passe de grande qualidade. Esta saída da bola de zona de pressão não tem que se realizar no sentido da baliza adversária, ele pode ser lateral ou inclusivamente um passe para trás, de forma a potenciar a posse de bola, jogando-se em segurança. Os princípios e sub-princípios de jogo para o instante de transição ofensiva serão o de retirar a bola da zona de pressão, privilegiando a segurança do passe. Como exemplo podemos atentar como o Barcelona age no instante que ganha a posse da bola: primeiro passe sempre em segurança para fora da zona de pressão, segundo passe sempre a procurar segurança e o privilégio de manter a posse da bola, muitas vezes procurando a “desaceleração” do jogo.
Outro treinador, prefere um jogo mais “vertical”, procurando chegar o mais rapidamente à baliza adversária. Neste enquadramento, o primeiro passe neste vai ser predominantemente para a frente ou lateral para depois chegar rápido a linhas avançadas. Aqui os princípios e sub-princípios de jogo estarão intimamente ligados à velocidade do passe, bem como do deslocamento colectivo da equipa (no sentido da baliza adversária).
Veja-se como o Real Madrid age nos instantes de transição ofensiva: primeiro passe em segurança (por vezes lateral ou vertical no sentido da baliza contrária), sendo que na sequência deste passe sempre, com uma grande propensão de verticalidade colectiva, utiliza uma forte intensidade colectiva para chegar rapidamente à baliza adversária.
A definição do que fazer após a conquista a bola também pode depender do local onde se consegue fazer! Claro que neste caso estamos a falar na definição dos princípios do jogo preconizados pelo treinador e a propensão de acção tendo em conta o local do campo onde se conquista a bola.
Uma coisa poderá ser o recuperar-se a bola junto à própria grande área, outra poderá ser perto da baliza adversária. O Real Madrid tem uma definição muito clara de princípios de acção: ganhar a bola na zona intermediária do campo, ou no meio campo ofensivo, o que permite fazer transições ofensivas objectivas - procurando o desequilíbrio da equipa adversária. Já quando conquista a bola no seu meio campo defensivo (mais perto da sua área), as transições são muito mais “seguras”, procurando a equipa não perder a posse da bola nestas zonas do terreno.
Existem outros aspectos que poderão influenciar no tipo de acção a adoptar na forma como se “transita” para o ataque! Tendo em conta a estratégia que o treinador adopta para o jogo, pode fazer-se intencionalmente um tipo de transição diferenciada (ou não) em função do resultado e tempo de jogo, assim como pelo estado físico da equipa, no decorrer da partida! Imaginem uma equipa que privilegia o ataque rápido, e concomitantemente transições rápidas e verticais no sentido da baliza adversária! Está a vencer o jogo por 2 a 0 e a equipa a 10 minutos do final apresenta sinais evidentes de cansaço! Esta equipa pode estar preparada para modificar a propensão das suas transições privilegiando a segurança de passe e posse da bola.
Uma característica comum às equipas de grande nível é a segurança que evidenciam no primeiro passe é a eficácia com que saem das zonas de pressão. Pelo facto de ter feito um percurso com treinador desde a 3ª divisão até a um nível de grande exigência como no Sporting (percorrendo todas as divisões do Futebol Profissional), permite-me afirmar que quanto maior o nível, mais eficácia temos no primeiro passe e na forma como rapidamente saímos das zonas de pressão após ganharmos a posse da bola.
Depois, de acordo com os princípios de jogo da equipa, entramos no momento de organização ofensiva que pode ser de diversas formas.
Apesar de falarmos em “instante” e na importância da qualidade do “primeiro passe”, que estão ligadas a processos individuais (mais propriamente ao jogador que está em acção com a bola), tanto este, como todos os outros, estão subordinados a uma ideia comum (ideia de jogo da equipa) que tem princípios de jogo e sub-princípios para cada momentos e cada “instante”.
Ao falarmos de passe, tem obviamente que existir quem recepcione a bola e saiba o que fazer a seguir… Como em todos os momentos em futebol, o ideal é que TODOS os jogadores da mesma equipa pensem da mesma maneira em cada momento!
Hoje em dia é recorrente falar-se em transição ofensiva, mas tenho a convicção que este termo é, na esmagadora maioria das vezes, usado de uma forma inadequada. É comum as pessoas associarem este momento a saídas em ataque rápido ou contra-ataque. Penso que esta ideia surgiu pela vertigem contemporânea: pela velocidade e pela pressa!
Existem algumas divergências no que se refere à definição do que é o momento de transição ofensiva! Para uns é a forma como após se recuperar a bola, se age de uma forma colectiva até ao momento em que o adversário entre em equilíbrio. Para outros é apenas o instante em que a recuperas depois o critério que a equipa tem para dar sequência ao jogo entrando no momento de organização ofensiva.
Acho que por vezes este tipo de questões se tornam estéreis! O jogo é contínuo, onde começa e termina algo em algo que é iminentemente fluido vão existir sempre divergências de opinião. Assim sendo, vamo-nos concentrar e focar no preciso momento em que ganhamos a bola, nesse… instante!
A Transição ofensiva pode ser caracterizada pelo preciso instante em que se recupera a bola! O que fazer a partir deste instante? Sim instante!
É que a qualidade da transição ofensiva está intimamente relacionada com a qualidade do primeiro passe após recuperação da posse da bola. A partir daqui, normalmente define-se a forma como depois entras no outro momento de jogo, que é obviamente a organização ofensiva.
A definição do que se vai fazer após ganhar a bola depende de muitas coisas: em primeira instância das ideias do treinador (da forma como treina para jogar) e dos respectivos princípios de jogo inerentes à ideia de jogo; do local onde se conquista a posse da bola; muitas vezes condicionado pela gestão do jogo (resultado, tempo de jogo, cansaço, etc).
Imaginem um treinador que privilegia a posse da bola como método preferencial de jogo! A predominância dos instantes de transição ofensiva serão em “segurança”, ou seja, pretende retirar a bola rapidamente da zona de pressão (ou de elevada densidade de jogadores adversários), isto nas equipas de nível é conseguido através de um primeiro passe de grande qualidade. Esta saída da bola de zona de pressão não tem que se realizar no sentido da baliza adversária, ele pode ser lateral ou inclusivamente um passe para trás, de forma a potenciar a posse de bola, jogando-se em segurança. Os princípios e sub-princípios de jogo para o instante de transição ofensiva serão o de retirar a bola da zona de pressão, privilegiando a segurança do passe. Como exemplo podemos atentar como o Barcelona age no instante que ganha a posse da bola: primeiro passe sempre em segurança para fora da zona de pressão, segundo passe sempre a procurar segurança e o privilégio de manter a posse da bola, muitas vezes procurando a “desaceleração” do jogo.
Outro treinador, prefere um jogo mais “vertical”, procurando chegar o mais rapidamente à baliza adversária. Neste enquadramento, o primeiro passe neste vai ser predominantemente para a frente ou lateral para depois chegar rápido a linhas avançadas. Aqui os princípios e sub-princípios de jogo estarão intimamente ligados à velocidade do passe, bem como do deslocamento colectivo da equipa (no sentido da baliza adversária).
Veja-se como o Real Madrid age nos instantes de transição ofensiva: primeiro passe em segurança (por vezes lateral ou vertical no sentido da baliza contrária), sendo que na sequência deste passe sempre, com uma grande propensão de verticalidade colectiva, utiliza uma forte intensidade colectiva para chegar rapidamente à baliza adversária.
A definição do que fazer após a conquista a bola também pode depender do local onde se consegue fazer! Claro que neste caso estamos a falar na definição dos princípios do jogo preconizados pelo treinador e a propensão de acção tendo em conta o local do campo onde se conquista a bola.
Uma coisa poderá ser o recuperar-se a bola junto à própria grande área, outra poderá ser perto da baliza adversária. O Real Madrid tem uma definição muito clara de princípios de acção: ganhar a bola na zona intermediária do campo, ou no meio campo ofensivo, o que permite fazer transições ofensivas objectivas - procurando o desequilíbrio da equipa adversária. Já quando conquista a bola no seu meio campo defensivo (mais perto da sua área), as transições são muito mais “seguras”, procurando a equipa não perder a posse da bola nestas zonas do terreno.
Existem outros aspectos que poderão influenciar no tipo de acção a adoptar na forma como se “transita” para o ataque! Tendo em conta a estratégia que o treinador adopta para o jogo, pode fazer-se intencionalmente um tipo de transição diferenciada (ou não) em função do resultado e tempo de jogo, assim como pelo estado físico da equipa, no decorrer da partida! Imaginem uma equipa que privilegia o ataque rápido, e concomitantemente transições rápidas e verticais no sentido da baliza adversária! Está a vencer o jogo por 2 a 0 e a equipa a 10 minutos do final apresenta sinais evidentes de cansaço! Esta equipa pode estar preparada para modificar a propensão das suas transições privilegiando a segurança de passe e posse da bola.
Uma característica comum às equipas de grande nível é a segurança que evidenciam no primeiro passe é a eficácia com que saem das zonas de pressão. Pelo facto de ter feito um percurso com treinador desde a 3ª divisão até a um nível de grande exigência como no Sporting (percorrendo todas as divisões do Futebol Profissional), permite-me afirmar que quanto maior o nível, mais eficácia temos no primeiro passe e na forma como rapidamente saímos das zonas de pressão após ganharmos a posse da bola.
Depois, de acordo com os princípios de jogo da equipa, entramos no momento de organização ofensiva que pode ser de diversas formas.
Apesar de falarmos em “instante” e na importância da qualidade do “primeiro passe”, que estão ligadas a processos individuais (mais propriamente ao jogador que está em acção com a bola), tanto este, como todos os outros, estão subordinados a uma ideia comum (ideia de jogo da equipa) que tem princípios de jogo e sub-princípios para cada momentos e cada “instante”.
Ao falarmos de passe, tem obviamente que existir quem recepcione a bola e saiba o que fazer a seguir… Como em todos os momentos em futebol, o ideal é que TODOS os jogadores da mesma equipa pensem da mesma maneira em cada momento!
domingo, 12 de dezembro de 2010
quarta-feira, 8 de dezembro de 2010
TRINCO OU PIVOT DEFENSIVO: CARLOS CARVALHAL
"Trinco"ou Pivot defensivo!
Um olhar por dentro do campo...
Como é que as características de um jogador na mesma posição no campo revelam a ideia de jogo do treinador?
Fiz quase toda a minha carreira futebolística como defesa central! Esporadicamente joguei como defesa direito e fiz metade de uma época como “trinco”.
Pelo facto de experimentar esta posição tenho uma ideia muito clara sobre as dificuldades que sente um defesa central a desempenhar essa função! Sente-se cómodo no processo defensivo. Tal como na sua posição de base, está na maioria do tempo de frente para o jogo, podendo assim ter uma visão global, que lhe permite estabelecer com facilidade relação defensiva com os seus colegas do meio campo e ataque. O seu habitat é também no corredor central, percebendo por isso a importância que a ocupação deste espaço tem, para que não surjam adversários neste local, especialmente com bola controlada e de frente para os defesas centrais (não pode abandonar este espaço sem ter quem faça essa compensação espacial)
No processo ofensivo, posiciona-se à frente dos defesas centrais e numa linha mais baixa relativamente aos outros médios. Por não ter hábitos relativos ao desempenho desta função táctica (posição), tem dificuldades em fazer recepções da bola orientadas para a baliza adversária e como tem também constrangimentos na recepção com adversários nas suas costas, a tendência é jogar muito perto da linha defensiva para que receba a bola sem qualquer tipo de pressão e de frente para o jogo. Procura jogar simples, a um ou dois toques, entregando a construção do jogo aos outros médios, ou escolhe a linha de passe mais fácil, para os defesas laterais ou centrais. No fundo está mais preocupado com o momento da perda da bola e com os equilíbrios do que com a construção do jogo.
Esta última ideia marca toda a diferença! O pivot defensivo pode-se caracterizar por ser um construtor de jogo! Para além disso, deve ser um jogador que se quer bem posicionado defensivamente, solidário e que faça os devidos equilíbrios e compensações espaciais.
Tenho a noção exacta que este tipo de escolha tem muito a ver com os jogadores que temos à nossa disposição e com os equilíbrios que pretendemos para a nossa equipa, mas também com a ideia de concepção de jogo do treinador. No entanto, interessa reflectir sobre a evolução do futebol, e esta é uma posição central numa determinada forma de ver e “sentir”o jogo! Há uns anos a presença de um “trinco” era vista como imprescindível, penso que esta escolha esteve sempre relacionada com a visão “física” do jogo! Alguém forte fisicamente que acima de tudo destruísse o jogo adversário e que assegurasse as compensações defensivas. No fundo mais um defesa, só que a jogar no meio campo.
Numa perspectiva mais evoluída de jogo vemos este jogador em equipas que são muito ofensivas, nas quais os seus defesas laterais são importantíssimos na dinâmica ofensiva, assumindo assim ( o "trinco") um papel de “equilibrador” do jogo. Numa perspectiva mais redutora, em equipas de menor nível, vemos este jogador como mais um para procurar destruir o jogo adversário, ou seja um “destruidor” de jogo.
Vão perceber porque comecei este artigo por expor as minhas dificuldades ao passar de defesa central para trinco! É que temos assistido a um fenómeno, na minha opinião evolutivo, de “transformação ” das características dos jogadores desta posição! É que na falta de jogadores com características de base para esta função, começam os médios de transição a desempenhar esta posição de pivot defensivo. Evidentemente que nem todos os médios de transição o podem fazer, até porque exige um conjunto de características específicas: sentido posicional, visão de jogo, solidariedade, facilidade de fazer recepções orientadas, capacidade de mudança de centro de jogo com passe curto e longo, entre outras.
Lembra-se das dificuldades sentidas pelo “trinco”? O pivot defensivo resolve-as com facilidade! Não se encosta à linha defensiva na construção porque está habituado a fazer recepções orientadas e a conviver com a pressão de adversários por perto! Desmarca-se para poder receber a bola ou larga o espaço para que outro colega a possa receber nesse local! Se tem espaço faz condução em segurança em direcção à baliza contrária para atrair adversários e assim abrir linhas de passe! Pelo hábito, joga mais para a frente, procurando linhas de passe nos extremos e avançados, para que os seus parceiros do meio campo possam receber a bola de frente vinda daquele, etc.
No fundo estamos a falar de dinâmica posicional, que é tanto maior, quanto melhores a capacidade e as características do jogador que ocupa esta posição. Pedro Mendes é um jogador que se enquadra naquilo que referimos atrás. Foi muito tempo médio de transição, neste momento é para mim, talvez o melhor pivot defensivo português. No último jogo da selecção Portuguesa muitos levantaram a questão: Pepe (trinco) ou Raul Meireles (pivot defensivo)? Nunca tive grandes duvidas na escolha de Paulo Bento para estes jogos, é que Paulo Bento foi… um verdadeiro pivot defensivo!
Por isso afirmo, diz-me com quem jogas a 6, digo-te como pensas o futebol…
Um olhar por dentro do campo...
Como é que as características de um jogador na mesma posição no campo revelam a ideia de jogo do treinador?
Fiz quase toda a minha carreira futebolística como defesa central! Esporadicamente joguei como defesa direito e fiz metade de uma época como “trinco”.
Pelo facto de experimentar esta posição tenho uma ideia muito clara sobre as dificuldades que sente um defesa central a desempenhar essa função! Sente-se cómodo no processo defensivo. Tal como na sua posição de base, está na maioria do tempo de frente para o jogo, podendo assim ter uma visão global, que lhe permite estabelecer com facilidade relação defensiva com os seus colegas do meio campo e ataque. O seu habitat é também no corredor central, percebendo por isso a importância que a ocupação deste espaço tem, para que não surjam adversários neste local, especialmente com bola controlada e de frente para os defesas centrais (não pode abandonar este espaço sem ter quem faça essa compensação espacial)
No processo ofensivo, posiciona-se à frente dos defesas centrais e numa linha mais baixa relativamente aos outros médios. Por não ter hábitos relativos ao desempenho desta função táctica (posição), tem dificuldades em fazer recepções da bola orientadas para a baliza adversária e como tem também constrangimentos na recepção com adversários nas suas costas, a tendência é jogar muito perto da linha defensiva para que receba a bola sem qualquer tipo de pressão e de frente para o jogo. Procura jogar simples, a um ou dois toques, entregando a construção do jogo aos outros médios, ou escolhe a linha de passe mais fácil, para os defesas laterais ou centrais. No fundo está mais preocupado com o momento da perda da bola e com os equilíbrios do que com a construção do jogo.
Esta última ideia marca toda a diferença! O pivot defensivo pode-se caracterizar por ser um construtor de jogo! Para além disso, deve ser um jogador que se quer bem posicionado defensivamente, solidário e que faça os devidos equilíbrios e compensações espaciais.
Tenho a noção exacta que este tipo de escolha tem muito a ver com os jogadores que temos à nossa disposição e com os equilíbrios que pretendemos para a nossa equipa, mas também com a ideia de concepção de jogo do treinador. No entanto, interessa reflectir sobre a evolução do futebol, e esta é uma posição central numa determinada forma de ver e “sentir”o jogo! Há uns anos a presença de um “trinco” era vista como imprescindível, penso que esta escolha esteve sempre relacionada com a visão “física” do jogo! Alguém forte fisicamente que acima de tudo destruísse o jogo adversário e que assegurasse as compensações defensivas. No fundo mais um defesa, só que a jogar no meio campo.
Numa perspectiva mais evoluída de jogo vemos este jogador em equipas que são muito ofensivas, nas quais os seus defesas laterais são importantíssimos na dinâmica ofensiva, assumindo assim ( o "trinco") um papel de “equilibrador” do jogo. Numa perspectiva mais redutora, em equipas de menor nível, vemos este jogador como mais um para procurar destruir o jogo adversário, ou seja um “destruidor” de jogo.
Vão perceber porque comecei este artigo por expor as minhas dificuldades ao passar de defesa central para trinco! É que temos assistido a um fenómeno, na minha opinião evolutivo, de “transformação ” das características dos jogadores desta posição! É que na falta de jogadores com características de base para esta função, começam os médios de transição a desempenhar esta posição de pivot defensivo. Evidentemente que nem todos os médios de transição o podem fazer, até porque exige um conjunto de características específicas: sentido posicional, visão de jogo, solidariedade, facilidade de fazer recepções orientadas, capacidade de mudança de centro de jogo com passe curto e longo, entre outras.
Lembra-se das dificuldades sentidas pelo “trinco”? O pivot defensivo resolve-as com facilidade! Não se encosta à linha defensiva na construção porque está habituado a fazer recepções orientadas e a conviver com a pressão de adversários por perto! Desmarca-se para poder receber a bola ou larga o espaço para que outro colega a possa receber nesse local! Se tem espaço faz condução em segurança em direcção à baliza contrária para atrair adversários e assim abrir linhas de passe! Pelo hábito, joga mais para a frente, procurando linhas de passe nos extremos e avançados, para que os seus parceiros do meio campo possam receber a bola de frente vinda daquele, etc.
No fundo estamos a falar de dinâmica posicional, que é tanto maior, quanto melhores a capacidade e as características do jogador que ocupa esta posição. Pedro Mendes é um jogador que se enquadra naquilo que referimos atrás. Foi muito tempo médio de transição, neste momento é para mim, talvez o melhor pivot defensivo português. No último jogo da selecção Portuguesa muitos levantaram a questão: Pepe (trinco) ou Raul Meireles (pivot defensivo)? Nunca tive grandes duvidas na escolha de Paulo Bento para estes jogos, é que Paulo Bento foi… um verdadeiro pivot defensivo!
Por isso afirmo, diz-me com quem jogas a 6, digo-te como pensas o futebol…
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| William Carvalho |
BOLAS PARADAS: MARCAÇÃO:CARLOS CARVALHAL
Bolas paradas /Esquemas Tácticos: Marcação zona, mista ou Homem a Homem (H x H)
Será que existe uma forma mais eficaz do que outra para defender cantos e livres? Quem tem como filosofia de jogo princípios defensivos zonais defende também assim nestas situações? E o contrário também acontece? A “zona” não poderá ter marcações individuais? E a marcação individual não poderá ter alguns princípios de “zona”? Estas são algumas questões que vou procurar esclarecer neste artigo.
Para começar a falar de “zona” e HxH teremos que esclarecer estes conceitos.
Entende-se por marcação HxH uma marcação de responsabilização individual, isto é, independentemente de onde estiver o meu adversário, eu vou ser o responsável por anular a sua acção ofensiva. Nesta marcação é importante referir que temos que manter o nosso corpo entre o adversário e a baliza que estamos a defender, não perdendo de vista não só a trajectória da bola, mas principalmente a movimentação do adversário! Reforço aqui a posição dos apoios (nunca deverão estar paralelos) de forma a respondermos rapidamente à acção do adversário.
Defender “zona” é tudo muito mais complexo! A palavra certa é mesmo a complexa, que provém da palavra latina complexus e significa tecido em conjunto! Ao contrário do conhecimento simplificante, que procura isolar o objecto do contexto, o complexo procura situar o objecto no tecido onde está inserido. Podemos aqui falar de ligações e interdependência.
Na “Zona” a ideia é defender em “rede”, ou seja, todos ligados de forma a proteger a nossa baliza. Aqui as referências são: a posição da bola; a minha posição na “rede” de forma a visualizar a posição bola e proteger a baliza; a relação com os meus colegas, definindo aqui qual a minha zona de responsabilidade; e os adversários. Outra ideia importante, é que defender zona, não é usar de passividade bem pelo contrário, é importante fazer uso de uma forte agressividade colectiva, principalmente no ataque à bola.
A escolha do método está relacionada com muitas questões! Os princípios inerentes à forma de jogar (uma ideia de jogo evoluída perspectivando um jogo zonal); os jogadores que temos à nossa disposição, a sua morfologia, o campeonato onde estamos inseridos, a sua atitude defensiva e principalmente a forma na qual os jogadores se sentem mais cómodos em função do seu passado – imaginem uma equipa que está praticamente junta há dois anos e defende HxH com uma eficácia excelente! Não poderá ser um erro mudar para zona? Conheço treinadores com uma filosofia de jogo zonal e defendem aqui individualmente e outros que se balizam muito pelo jogo individual e que defendem “zona”. Embora aqui duvide da eficácia: é que defender à “zona” é defender com uma ideia muito complexa e de acordo com princípios que demoram o seu tempo a maturar.
Vamos analisar na prática algumas situações! Vamos verificar que quem defende HxH faz “zona” no primeiro poste. E que por vezes quem defende “zona” (aqui por uma questão estratégica) também pode usar de marcação individual.
Defender "Zona"
Será que existe uma forma mais eficaz do que outra para defender cantos e livres? Quem tem como filosofia de jogo princípios defensivos zonais defende também assim nestas situações? E o contrário também acontece? A “zona” não poderá ter marcações individuais? E a marcação individual não poderá ter alguns princípios de “zona”? Estas são algumas questões que vou procurar esclarecer neste artigo.
Para começar a falar de “zona” e HxH teremos que esclarecer estes conceitos.
Entende-se por marcação HxH uma marcação de responsabilização individual, isto é, independentemente de onde estiver o meu adversário, eu vou ser o responsável por anular a sua acção ofensiva. Nesta marcação é importante referir que temos que manter o nosso corpo entre o adversário e a baliza que estamos a defender, não perdendo de vista não só a trajectória da bola, mas principalmente a movimentação do adversário! Reforço aqui a posição dos apoios (nunca deverão estar paralelos) de forma a respondermos rapidamente à acção do adversário.
Defender “zona” é tudo muito mais complexo! A palavra certa é mesmo a complexa, que provém da palavra latina complexus e significa tecido em conjunto! Ao contrário do conhecimento simplificante, que procura isolar o objecto do contexto, o complexo procura situar o objecto no tecido onde está inserido. Podemos aqui falar de ligações e interdependência.
Na “Zona” a ideia é defender em “rede”, ou seja, todos ligados de forma a proteger a nossa baliza. Aqui as referências são: a posição da bola; a minha posição na “rede” de forma a visualizar a posição bola e proteger a baliza; a relação com os meus colegas, definindo aqui qual a minha zona de responsabilidade; e os adversários. Outra ideia importante, é que defender zona, não é usar de passividade bem pelo contrário, é importante fazer uso de uma forte agressividade colectiva, principalmente no ataque à bola.
A escolha do método está relacionada com muitas questões! Os princípios inerentes à forma de jogar (uma ideia de jogo evoluída perspectivando um jogo zonal); os jogadores que temos à nossa disposição, a sua morfologia, o campeonato onde estamos inseridos, a sua atitude defensiva e principalmente a forma na qual os jogadores se sentem mais cómodos em função do seu passado – imaginem uma equipa que está praticamente junta há dois anos e defende HxH com uma eficácia excelente! Não poderá ser um erro mudar para zona? Conheço treinadores com uma filosofia de jogo zonal e defendem aqui individualmente e outros que se balizam muito pelo jogo individual e que defendem “zona”. Embora aqui duvide da eficácia: é que defender à “zona” é defender com uma ideia muito complexa e de acordo com princípios que demoram o seu tempo a maturar.
Vamos analisar na prática algumas situações! Vamos verificar que quem defende HxH faz “zona” no primeiro poste. E que por vezes quem defende “zona” (aqui por uma questão estratégica) também pode usar de marcação individual.
Defender "Zona"
Figura 1
Figura 2
Figura 3
Vemos aqui três diferentes posicionamentos de uma equipa que defende “zona”. Não existem verdades absolutas, nem posicionamentos universais. Devemos escolher o posicionamento que considerarmos mais eficaz.
Na figura 3, verificamos o reforço da protecção do primeiro poste em detrimento de um homem junto ao segundo poste (figura 1).
Na figura 2 para além da protecção ao 1º poste, temos uma zona com duas linhas diferenciadas.
Como verificamos, o canto está a ser marcado com o pé esquerdo (ou direito de trivela), sendo que a bola desenha uma trajectória exterior, logo o posicionamento dos jogadores a defender deve ajustar-se para fora da zona do guarda-redes. O jogador do poste do lado que bate a bola (para fora) pode defender mais dentro do campo, visto que a trajectória da bola é exterior!
Zona do guarda-redes é o espaço que vai da linha de golo até á linha dos seus colegas.
As zonas de acção são definidas pelo espaço que vai da sua exacta posição e a possibilidade que tem de cortar a bola, até à posição do seu colega que está sua frente ou espaço (primeiros jogadores da zona). Em função do movimento dos colegas na acção de atacar a bola, os jogadores devem ajustar o posicionamento de forma a que não aumente os espaços entre si. Ou seja, ao movimento do primeiro homem da zona em aproximação á bola deve corresponder um movimento concertado de todos os colegas que estão atrás deste.
Figura 4
Jogador “A” movimentou-se (para a frente) após o canto ser batido, os jogadores atrás taparam o “buraco” deixado por este e todos os colegas ajustaram o seu posicionamento de forma concertada.
Figura 5
Aqui vemos um canto batido com o pé direito, ou seja, a bola descreve uma trajectória interior! Como verificamos o posicionamento zonal, está mais perto da pequena área, ajustando-se à possível trajectória da bola. O jogador A está “dentro” da zona, não deve merecer particular atenção porque está na zona do guarda-redes.
Figura 6
Aqui temos um exemplo de uma marcação Zonal com preocupações individualizadas (jogadores “1” e “2” fazem marcação HxH) sobre dois jogadores adversários. Marcação esta que poderá ser utilizada quando a equipa adversária tem jogadores que realmente são fortíssimos no jogo aéreo.
Figura 7
Marcação individual.
Na figura 7 vemos um exemplo de marcação individual! A responsabilização é individualizada: “cada um marca o seu”! Importante é visualizar a bola e o adversário, protegendo sempre a baliza, com os apoios nunca paralelos relativamente ao adversário de forma a reagirmos rapidamente à desmarcação. O jogador X está a ter um comportamento zonal de defesa do 1º poste e o “P” está a proteger o primeiro poste.
Não tenho a intenção de influenciar as vossas escolhas, apenas pretendi demonstrar algumas variantes de colocação de jogadores neste tipo de lances.
A partir destes, existe um sem número de variantes que terão muito a ver com as nossas ideias, mas também com os jogadores que temos à disposição. Importante é trabalharmos naquilo em que acreditamos e obviamente termos eficácia.
Numa outra oportunidade abordaremos algumas possibilidades de contrariar estes dois métodos defensivos.
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Na figura 3, verificamos o reforço da protecção do primeiro poste em detrimento de um homem junto ao segundo poste (figura 1).
Na figura 2 para além da protecção ao 1º poste, temos uma zona com duas linhas diferenciadas.
Como verificamos, o canto está a ser marcado com o pé esquerdo (ou direito de trivela), sendo que a bola desenha uma trajectória exterior, logo o posicionamento dos jogadores a defender deve ajustar-se para fora da zona do guarda-redes. O jogador do poste do lado que bate a bola (para fora) pode defender mais dentro do campo, visto que a trajectória da bola é exterior!
Zona do guarda-redes é o espaço que vai da linha de golo até á linha dos seus colegas.
As zonas de acção são definidas pelo espaço que vai da sua exacta posição e a possibilidade que tem de cortar a bola, até à posição do seu colega que está sua frente ou espaço (primeiros jogadores da zona). Em função do movimento dos colegas na acção de atacar a bola, os jogadores devem ajustar o posicionamento de forma a que não aumente os espaços entre si. Ou seja, ao movimento do primeiro homem da zona em aproximação á bola deve corresponder um movimento concertado de todos os colegas que estão atrás deste.
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Figura 7
Marcação individual.
Na figura 7 vemos um exemplo de marcação individual! A responsabilização é individualizada: “cada um marca o seu”! Importante é visualizar a bola e o adversário, protegendo sempre a baliza, com os apoios nunca paralelos relativamente ao adversário de forma a reagirmos rapidamente à desmarcação. O jogador X está a ter um comportamento zonal de defesa do 1º poste e o “P” está a proteger o primeiro poste.
Não tenho a intenção de influenciar as vossas escolhas, apenas pretendi demonstrar algumas variantes de colocação de jogadores neste tipo de lances. A partir destes, existe um sem número de variantes que terão muito a ver com as nossas ideias, mas também com os jogadores que temos à disposição. Importante é trabalharmos naquilo em que acreditamos e obviamente termos eficácia.
Numa outra oportunidade abordaremos algumas possibilidades de contrariar estes dois métodos defensivos.
Figura 2
Figura 3
Vemos aqui três diferentes posicionamentos de uma equipa que defende “zona”. Não existem verdades absolutas, nem posicionamentos universais. Devemos escolher o posicionamento que considerarmos mais eficaz.
Na figura 3, verificamos o reforço da protecção do primeiro poste em detrimento de um homem junto ao segundo poste (figura 1).
Na figura 2 para além da protecção ao 1º poste, temos uma zona com duas linhas diferenciadas.
Como verificamos, o canto está a ser marcado com o pé esquerdo (ou direito de trivela), sendo que a bola desenha uma trajectória exterior, logo o posicionamento dos jogadores a defender deve ajustar-se para fora da zona do guarda-redes. O jogador do poste do lado que bate a bola (para fora) pode defender mais dentro do campo, visto que a trajectória da bola é exterior!
Zona do guarda-redes é o espaço que vai da linha de golo até á linha dos seus colegas.
As zonas de acção são definidas pelo espaço que vai da sua exacta posição e a possibilidade que tem de cortar a bola, até à posição do seu colega que está sua frente ou espaço (primeiros jogadores da zona). Em função do movimento dos colegas na acção de atacar a bola, os jogadores devem ajustar o posicionamento de forma a que não aumente os espaços entre si. Ou seja, ao movimento do primeiro homem da zona em aproximação á bola deve corresponder um movimento concertado de todos os colegas que estão atrás deste.
Figura 4
Jogador “A” movimentou-se (para a frente) após o canto ser batido, os jogadores atrás taparam o “buraco” deixado por este e todos os colegas ajustaram o seu posicionamento de forma concertada.
Figura 5
Aqui vemos um canto batido com o pé direito, ou seja, a bola descreve uma trajectória interior! Como verificamos o posicionamento zonal, está mais perto da pequena área, ajustando-se à possível trajectória da bola. O jogador A está “dentro” da zona, não deve merecer particular atenção porque está na zona do guarda-redes.
Figura 6
Aqui temos um exemplo de uma marcação Zonal com preocupações individualizadas (jogadores “1” e “2” fazem marcação HxH) sobre dois jogadores adversários. Marcação esta que poderá ser utilizada quando a equipa adversária tem jogadores que realmente são fortíssimos no jogo aéreo.
Figura 7
Marcação individual.
Na figura 7 vemos um exemplo de marcação individual! A responsabilização é individualizada: “cada um marca o seu”! Importante é visualizar a bola e o adversário, protegendo sempre a baliza, com os apoios nunca paralelos relativamente ao adversário de forma a reagirmos rapidamente à desmarcação. O jogador X está a ter um comportamento zonal de defesa do 1º poste e o “P” está a proteger o primeiro poste.
Não tenho a intenção de influenciar as vossas escolhas, apenas pretendi demonstrar algumas variantes de colocação de jogadores neste tipo de lances.
A partir destes, existe um sem número de variantes que terão muito a ver com as nossas ideias, mas também com os jogadores que temos à disposição. Importante é trabalharmos naquilo em que acreditamos e obviamente termos eficácia.
Numa outra oportunidade abordaremos algumas possibilidades de contrariar estes dois métodos defensivos.
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Figura 3
Vemos aqui três diferentes posicionamentos de uma equipa que defende “zona”. Não existem verdades absolutas, nem posicionamentos universais. Devemos escolher o posicionamento que considerarmos mais eficaz.Na figura 3, verificamos o reforço da protecção do primeiro poste em detrimento de um homem junto ao segundo poste (figura 1).
Na figura 2 para além da protecção ao 1º poste, temos uma zona com duas linhas diferenciadas.
Como verificamos, o canto está a ser marcado com o pé esquerdo (ou direito de trivela), sendo que a bola desenha uma trajectória exterior, logo o posicionamento dos jogadores a defender deve ajustar-se para fora da zona do guarda-redes. O jogador do poste do lado que bate a bola (para fora) pode defender mais dentro do campo, visto que a trajectória da bola é exterior!
Zona do guarda-redes é o espaço que vai da linha de golo até á linha dos seus colegas.
As zonas de acção são definidas pelo espaço que vai da sua exacta posição e a possibilidade que tem de cortar a bola, até à posição do seu colega que está sua frente ou espaço (primeiros jogadores da zona). Em função do movimento dos colegas na acção de atacar a bola, os jogadores devem ajustar o posicionamento de forma a que não aumente os espaços entre si. Ou seja, ao movimento do primeiro homem da zona em aproximação á bola deve corresponder um movimento concertado de todos os colegas que estão atrás deste.
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Figura 5
Aqui vemos um canto batido com o pé direito, ou seja, a bola descreve uma trajectória interior! Como verificamos o posicionamento zonal, está mais perto da pequena área, ajustando-se à possível trajectória da bola. O jogador A está “dentro” da zona, não deve merecer particular atenção porque está na zona do guarda-redes.5
Figura 5
Aqui vemos um canto batido com o pé direito, ou seja, a bola descreve uma trajectória interior! Como verificamos o posicionamento zonal, está mais perto da pequena área, ajustando-se à possível trajectória da bola. O jogador A está “dentro” da zona, não deve merecer particular atenção porque está na zona do guarda-redes.6
Figura 6
Aqui temos um exemplo de uma marcação Zonal com preocupações individualizadas (jogadores “1” e “2” fazem marcação HxH) sobre dois jogadores adversários. Marcação esta que poderá ser utilizada quando a equipa adversária tem jogadores que realmente são fortíssimos no jogo aéreo.7
Figura 7
Marcação individual.
Na figura 7 vemos um exemplo de marcação individual! A responsabilização é individualizada: “cada um marca o seu”! Importante é visualizar a bola e o adversário, protegendo sempre a baliza, com os apoios nunca paralelos relativamente ao adversário de forma a reagirmos rapidamente à desmarcação. O jogador X está a ter um comportamento zonal de defesa do 1º poste e o “P” está a proteger o primeiro poste.
Não tenho a intenção de influenciar as vossas escolhas, apenas pretendi demonstrar algumas variantes de colocação de jogadores neste tipo de lances. A partir destes, existe um sem número de variantes que terão muito a ver com as nossas ideias, mas também com os jogadores que temos à disposição. Importante é trabalharmos naquilo em que acreditamos e obviamente termos eficácia.
Numa outra oportunidade abordaremos algumas possibilidades de contrariar estes dois métodos defensivos.
sábado, 4 de dezembro de 2010
terça-feira, 16 de novembro de 2010
segunda-feira, 15 de novembro de 2010
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