terça-feira, 14 de dezembro de 2010

CAPACIDADES MOTORAS:FLEXIBILIDADE

13/12/2010
FLEXIBILIDADE
A flexibilidade é uma capacidade física indispensável a todas as performances de alto nível, independentemente da modalidade desportiva. No Futebol, esta capacidade assume grande importância, nomeadamente, nos seguintes aspectos:
No nível de prestação de outras capacidades, como, por exemplo, a velocidade e as capacidades coordenativas;
Na realização de acções técnicas que implicam movimentos ou situações de grande amplitude (desarme, intercepções, remates, etc.);
No processo de aprendizagem técnico, evitando uma limitação excessiva dos movimentos do jogador;
Na redução do risco de lesões, contribuindo, desta forma, para uma diminuição do encurtamento muscular.
FLEXIBILIDADE
CONCEITO DE FLEXIBILIDADE
Na generalidade, podemos definir flexibilidade como a capacidade do indivíduo executar movimentos de grande amplitude articular, por si só ou sob influência de forças exteriores, através da mobilidade articular e da elasticidade muscular. Esta capacidade pem1ite obter um nível de alongamento muscular óptimo com vista à realização dos movimentos específicos do futebol (fundamentalmente acções técnicas) de grande amplitude.
Todavia, este conceito é demasiado genérico dado que, por exemplo, diferentes articulações do mesmo indivíduo apresentam níveis de flexibilidade distintos. A flexibilidade é, assim, uma aptidão específica que valia de um segmento para o outro e de indivíduo para indivíduo, sendo possível existir uma grande amplitude de movimentos no ombro direito e fracos níveis de flexibilidade na anca ou no ombro do lado contrário
FLEXIBILIDADE
FORMAS DE MANIFESTAÇÃO
Quanto à Origem do Movimento ou Acção
Activa: o jogador participa activamente, através de contracção voluntária na realização do estiramento muscular.
Passiva: representa a amplitude máxima a nível de uma articulação com recurso a uma força externa (companheiro, gravidade, peso do corpo etc.), não havendo, portanto, participação activa do jogador.
A flexibilidade passiva é maior do que a flexibilidade activa, já que representa a amplitude máxima a nível de uma articulação.
FLEXIBILIDADE
MÉTODOS DE TREINO
Método Dinâmico
O Método dinâmico tem por objectivo o desenvolvimento da flexibilidade dinâmica, pretendendo-se atingir o limite da amplitude ar1icular e de alongamento muscular, através de pequenos movimentos ritmados, dinâmicos, (balanços, insistências) com uma duração aproximada de 30". Para definir este método, são também utilizados frequentemente, os termos balístico, cinético, isotónico e alongamentos rápidos (fast stretching) .
É um método muito utilizado no Futebol devido às características da modalidade. Como foi dito anteriormente fundamenta-se nos alongamentos dinâmicos através de movimentos de insistências e balanços.
Movimentos de Insistência
1°- Colocar o corpo numa posição correcta e alongar os músculos que se pretendem trabalhar. 2° -Realizar pequenas insistências com o objectivo de atingir progressivamente o máximo
alongamento dos músculos.
3° -Efectuar de 10 a 30 insistências e 3 a 5 séries.
.Movimentos de Balanço
1° -Seleccionar os grupos musculares e a articulação a mobilizar.
I 2° -Realizar balanços (repetidos) tentando atingir, progressivamente, o máximo alongamento Idos grupos musculares seleccionados.
3° -Efectuar 10 a 30 balanços, realizando-se 2 a 4 séries. 1.6.2.
FLEXIBILIDADE
MÉTODOS DE TREINO
Método Estático (Activo)
Tem por objectivo o desenvolvimento da flexibilidade estática (exercícios estáticos), ou seja,
baseia-se na manutenção de uma determinada posição de alongamento, durante um certo tempo \ 1" de forma controlada e lenta (slow stretching).
Neste método os alongamentos são executados de forma mais lenta e controlada e os efeitos são conseguidos à custa do estiramento passivo dos músculos durante cerca de 20'. e em condições de algum desconfor1o.
A aplicação deste método é caracterizado pelas seguintes fases:
-1a Fase -Tensão/Contracção: Contrair o músculo ou grupos musculares que pretendemos alongar com a maior intensidade possível, sem que haja movimento e a contracção deve manter-se durante 10 a 30".
-2ª Fase -Relaxação: Manter o segmento ou a zona corporal implicada no alongamento em estado de repouso, na mesma posição utilizada na contracção. Manter esta relaxação durante 2 a 3".
-3a Fase -Alongamento: Alongar o músculo lentamente até ao máximo sem que exista dor, mantendo esta posição durante 10 a 30". Devem ser efectuadas 3 repetições por grupo muscular (1 série).

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

TRINCO OU PIVOT DEFENSIVO: CARLOS CARVALHAL

"Trinco"ou Pivot defensivo!
Um olhar por dentro do campo...
Como é que as características de um jogador na mesma posição no campo revelam a ideia de jogo do treinador?
Fiz quase toda a minha carreira futebolística como defesa central! Esporadicamente joguei como defesa direito e fiz metade de uma época como “trinco”.
Pelo facto de experimentar esta posição tenho uma ideia muito clara sobre as dificuldades que sente um defesa central a desempenhar essa função! Sente-se cómodo no processo defensivo. Tal como na sua posição de base, está na maioria do tempo de frente para o jogo, podendo assim ter uma visão global, que lhe permite estabelecer com facilidade relação defensiva com os seus colegas do meio campo e ataque. O seu habitat é também no corredor central, percebendo por isso a importância que a ocupação deste espaço tem, para que não surjam adversários neste local, especialmente com bola controlada e de frente para os defesas centrais (não pode abandonar este espaço sem ter quem faça essa compensação espacial)
No processo ofensivo, posiciona-se à frente dos defesas centrais e numa linha mais baixa relativamente aos outros médios. Por não ter hábitos relativos ao desempenho desta função táctica (posição), tem dificuldades em fazer recepções da bola orientadas para a baliza adversária e como tem também constrangimentos na recepção com adversários nas suas costas, a tendência é jogar muito perto da linha defensiva para que receba a bola sem qualquer tipo de pressão e de frente para o jogo. Procura jogar simples, a um ou dois toques, entregando a construção do jogo aos outros médios, ou escolhe a linha de passe mais fácil, para os defesas laterais ou centrais. No fundo está mais preocupado com o momento da perda da bola e com os equilíbrios do que com a construção do jogo.
Esta última ideia marca toda a diferença! O pivot defensivo pode-se caracterizar por ser um construtor de jogo! Para além disso, deve ser um jogador que se quer bem posicionado defensivamente, solidário e que faça os devidos equilíbrios e compensações espaciais.
Tenho a noção exacta que este tipo de escolha tem muito a ver com os jogadores que temos à nossa disposição e com os equilíbrios que pretendemos para a nossa equipa, mas também com a ideia de concepção de jogo do treinador. No entanto, interessa reflectir sobre a evolução do futebol, e esta é uma posição central numa determinada forma de ver e “sentir”o jogo! Há uns anos a presença de um “trinco” era vista como imprescindível, penso que esta escolha esteve sempre relacionada com a visão “física” do jogo! Alguém forte fisicamente que acima de tudo destruísse o jogo adversário e que assegurasse as compensações defensivas. No fundo mais um defesa, só que a jogar no meio campo.
Numa perspectiva mais evoluída de jogo vemos este jogador em equipas que são muito ofensivas, nas quais os seus defesas laterais são importantíssimos na dinâmica ofensiva, assumindo assim ( o "trinco") um papel de “equilibrador” do jogo. Numa perspectiva mais redutora, em equipas de menor nível, vemos este jogador como mais um para procurar destruir o jogo adversário, ou seja um “destruidor” de jogo.
Vão perceber porque comecei este artigo por expor as minhas dificuldades ao passar de defesa central para trinco! É que temos assistido a um fenómeno, na minha opinião evolutivo, de “transformação ” das características dos jogadores desta posição! É que na falta de jogadores com características de base para esta função, começam os médios de transição a desempenhar esta posição de pivot defensivo. Evidentemente que nem todos os médios de transição o podem fazer, até porque exige um conjunto de características específicas: sentido posicional, visão de jogo, solidariedade, facilidade de fazer recepções orientadas, capacidade de mudança de centro de jogo com passe curto e longo, entre outras.
Lembra-se das dificuldades sentidas pelo “trinco”? O pivot defensivo resolve-as com facilidade! Não se encosta à linha defensiva na construção porque está habituado a fazer recepções orientadas e a conviver com a pressão de adversários por perto! Desmarca-se para poder receber a bola ou larga o espaço para que outro colega a possa receber nesse local! Se tem espaço faz condução em segurança em direcção à baliza contrária para atrair adversários e assim abrir linhas de passe! Pelo hábito, joga mais para a frente, procurando linhas de passe nos extremos e avançados, para que os seus parceiros do meio campo possam receber a bola de frente vinda daquele, etc.
No fundo estamos a falar de dinâmica posicional, que é tanto maior, quanto melhores a capacidade e as características do jogador que ocupa esta posição. Pedro Mendes é um jogador que se enquadra naquilo que referimos atrás. Foi muito tempo médio de transição, neste momento é para mim, talvez o melhor pivot defensivo português. No último jogo da selecção Portuguesa muitos levantaram a questão: Pepe (trinco) ou Raul Meireles (pivot defensivo)? Nunca tive grandes duvidas na escolha de Paulo Bento para estes jogos, é que Paulo Bento foi… um verdadeiro pivot defensivo!
Por isso afirmo, diz-me com quem jogas a 6, digo-te como pensas o futebol…
William Carvalho

ESTRATÉGIA: CARLOS CARVALHAL

Estratégia
É frequente ouvirmos os treinadores proferir afirmações antes dos jogos do tipo: para este jogo vamos ter em conta alguns aspectos importantes do adversário… Vamos tentar anular os pontos fortes do adversário e aproveitar alguns menos bons… Este adversário apresenta problemas diferentes dos outros adversários… Falta a expressão final comum a estas afirmações: no entanto, em função destas nuances estratégicas não vamos perder a nossa identidade de jogo!
Neste tipo de afirmações os treinadores estão a referir-se ao lado estratégico do jogo. O que pretendem no fundo é desenvolver um plano de jogo específico com o objectivo de “esconder” as debilidades que a sua própria equipa possui (individuais ou colectivas – organizacionais), tendo em conta os aspectos característicos do adversário, aproveitando com eficácia as debilidades que o adversário terá. No entanto, a preocupação é que esse “ajustar” de comportamentos, não seja de tal ordem que vá fazer com que a equipa altere substancialmente a sua forma de jogar.
Ao procurarmos a definição de estratégia no Dicionário de Língua Portuguesa encontramos: “um conjunto de meios e planos para tratar um fim”. Na Wikipédia, “definição de como os recursos serão colocados para se atingir determinados objectivos”.
Fui a Guimarães observar o jogo Vitória com o F.C. Porto! Fixo-me essencialmente no Porto. A minha natureza como treinador (diferente do adepto) direcciona-me para o Todo, e daí parte para as particularidades.
O F.C. Porto em posse posicionou-se da seguinte forma: bola no guarda-redes Helton, campo “grande”, defesas centrais abertos e afastados (Rolando à direita e Maicon à esquerda) com Fernando a pivot um pouco mais à frente e perto destes; numa linha mais subida e bem encostados às linhas laterais os dois defesas laterais Fucile e Álvaro Pereira; Moutinho e Belluschi abertos e em permanente posição de receber a bola, Falcão como ponta de lança em profundidade, dando amplitude e profundidade à equipa e preparado para vir jogar em apoio e Varela e Hulk bem abertos e profundos de forma a virem buscar jogo interior (posicionamento visivel na foto de cima).
Todos os homens podem ver tácticas pelas quais eu conquisto, mas o que ninguém consegue ver é a estratégia a partir da qual grandes vitórias são obtidas. Sun Tzuo em, a Arte da guerra
Conheço a dinâmica da equipa do F.C. Porto e procuro nos detalhes as diferenças (mais fácil de se fazer quando as equipas têm uma identidade bem marcada e definida como tem esta equipa). Parto do Todo e analiso o particular! Começo a estranhar, Hulk demasiado “aberto”, não procura jogo interior! Bola na esquerda em Moutinho, Belushi a pedir em profundidade nas costas da defesa do Vitória… mais uns minutos, bola em Álvaro Pereira, Falcão pede em apoio, e Bellusclhi procura profundidade entre o lateral esquerdo Teles e central João Paulo… passado pouco tempo o movimento repete-se…
Não participamos nos treinos de preparação para os jogos, e a análise e conclusões podem ser abusivas. No entanto, parece-nos claramente uma variação estratégica de forma a tentar surpreender o adversário. Falcão a atrair um dos centrais para o meio campo, Hulk bem junto à linha para que o defesa esquerdo, com preocupação individualizada sobre este, fique muito perto dele. Conclusão, grande espaço entre o defesa central e defesa esquerdo do Vitória. Criação intencional de um espaço para que outro (Belluschi vindo de linhas mais atrasadas) o pudesse aproveitar.

É visivel na foto: Hulk bem encostado á linha lateral direita com Teles perto dele; espaço entre este e o defesa central; linha representa o movimento muitas vezes efectuado por Belluschi.
Este é um exemplo como tantos outros das variantes estratégicas para um jogo. Ele não desvirtua a nossa forma de jogar, é a habilidade de analisar o TODO da posição, no fundo é saber planear a posição, inter-relacionando os jogadores e as suas posições no relvado.
O que acontece algumas vezes é que de tal forma a vertente estratégica é enfatizada e variada pelo treinador, que a equipa acaba por comprometer a sua “ideia de jogo”. Estamos a falar de uma ideia de jogo que tem princípios e uma dinâmica, na qual a inclusão exagerada da componente estratégica por parte do treinador “afoga” completamente a sua matriz de jogo. Aqui, estes comportamentos “estranhos” à dinâmica da equipa funcionam como atractores, isto é, os jogadores são de forma atraídos por esses comportamentos que deixam de ter a liberdade de pensamento para agir em função dos seu princípios de jogo, o que poderá confundir toda a dinâmica.

MOMENTO DE TRANSIÇÃO DEFENSIVA: CARLOS CARVALHAL

Momento de transição defensiva
Ao definirmos princípios para os quatro momentos de jogo da nossa equipa, deparamo-nos com um que é para mim o mais difícil de trabalhar, o momento de transição defensiva.
Na essência do jogador está o “jogar”, o ter a bola para marcar golos. Quando ganha a bola, a sua natureza pede que caminhe face ao objectivo do jogo, o golo. Isto é natural!
O problema é que a predisposição para defender a baliza depois de perder a bola não é a mesma da que existe quando a conquista (naturalmente quer fazer golo, quer jogar tendo a bola).
Esta questão é tão pertinente para mim que, sendo um defensor do treino em Especificidade desde o primeiro dia de trabalho, tenho muitas vezes que “reduzir” este momento (vamos chamar instante a este preciso momento da perda da bola) a situações nas quais a bola chega a estar ausente (embora não deixe de treinar em Especificidade, apesar disso)!
O momento de transição defensiva começa no preciso instante em que a equipa perde a bola e tem que reagir muito rápido! A questão que se levanta é, o que fazer? O que fazer evidentemente que depende dos princípios de jogo que o treinador estabeleceu para este momento do jogo: Recuperar rapidamente a bola? Defender mais perto da minha baliza? Etc…
Passar de um momento de ataque para um momento defensivo é uma mudança brutal no nosso organismo! O nosso lado cognitivo sofre uma alteração profunda neste momento, de ter a bola e pretender fazer golo, para não a ter e evitar um golo adversário! Voltamos a insistir, este é um momento muito particular, porque o momento de transição defensiva depende muito da velocidade (pensamento e acção) com que o jogador reage à perda da bola. Ou seja, é um momento individual que deve estar subordinado a uma ideia colectiva!
Quer testar o momento de transição defensiva da sua equipa? Faça o seguinte exercício: duas equipas em duas colunas como na FIg 1. Dois treinadores, um em cada equipa, passam a bola para finalizar. No momento antes deste rematar, já está a sair outro jogador do lado oposto. O primeiro depois de fazer o remate tem que reagir rapidamente para tentar evitar golo, e assim sucessivamente. Ganha a equipa que mais golos marcar.
Se nunca utilizou este exercício, ao fazê-lo vai rapidamente verificar que os jogadores depois de tentarem finalizar, esquecem-se literalmente que têm outro objectivo de seguida, que é evitar golo. Vão de certeza verificar que este momento muito particular é na esmagadora maioria dos casos muito “fraco” nos vossos jogadores!
Por ser de difícil abordagem e muito difícil de trabalhar dissemos que é o momento de jogo, ou melhor, o preciso instante em que o jogador tem que reagir rapidamente para passar, no menor tempo possível, do momento ofensivo para o defensivo! Não perdemos o sentido da Especificidade, porque a reacção a este momento é uma ideia central na nossa forma de jogar! Sendo assim, desenvolvemos estratégias com e sem bola para que os jogadores que têm mais dificuldade (apenas numa fase inicial) possam melhorar esta capacidade, eminentemente reactiva.
Toquei neste ponto em particular porque o considero central ao abordarmos o momento de transição defensiva! No entanto, convém referir que esta é apenas uma parte do Todo! O Todo é a organização colectiva da equipa! Treinar transição defensiva é treinar um momento de organização colectiva que deve obedecer a princípios de jogo previamente estabelecidos pelo treinador. A reacção colectiva à perda de bola é a ideia central deste momento do jogo. Ter jogadores a reagir rapidamente à perda da bola, mas sem organização colectiva, dificilmente teremos eficácia nas acções! Mas também é verdade que se este instante particular da mudança mental brusca não estiver consolidada individualmente, podemos recuperar a bola, mas nunca teremos uma equipa de Top.

BOLAS PARADAS: MARCAÇÃO:CARLOS CARVALHAL

Bolas paradas /Esquemas Tácticos: Marcação zona, mista ou Homem a Homem (H x H)
Será que existe uma forma mais eficaz do que outra para defender cantos e livres? Quem tem como filosofia de jogo princípios defensivos zonais defende também assim nestas situações? E o contrário também acontece? A “zona” não poderá ter marcações individuais? E a marcação individual não poderá ter alguns princípios de “zona”? Estas são algumas questões que vou procurar esclarecer neste artigo.
Para começar a falar de “zona” e HxH teremos que esclarecer estes conceitos.
Entende-se por marcação HxH uma marcação de responsabilização individual, isto é, independentemente de onde estiver o meu adversário, eu vou ser o responsável por anular a sua acção ofensiva. Nesta marcação é importante referir que temos que manter o nosso corpo entre o adversário e a baliza que estamos a defender, não perdendo de vista não só a trajectória da bola, mas principalmente a movimentação do adversário! Reforço aqui a posição dos apoios (nunca deverão estar paralelos) de forma a respondermos rapidamente à acção do adversário.
Defender “zona” é tudo muito mais complexo! A palavra certa é mesmo a complexa, que provém da palavra latina complexus e significa tecido em conjunto! Ao contrário do conhecimento simplificante, que procura isolar o objecto do contexto, o complexo procura situar o objecto no tecido onde está inserido. Podemos aqui falar de ligações e interdependência.
Na “Zona” a ideia é defender em “rede”, ou seja, todos ligados de forma a proteger a nossa baliza. Aqui as referências são: a posição da bola; a minha posição na “rede” de forma a visualizar a posição bola e proteger a baliza; a relação com os meus colegas, definindo aqui qual a minha zona de responsabilidade; e os adversários. Outra ideia importante, é que defender zona, não é usar de passividade bem pelo contrário, é importante fazer uso de uma forte agressividade colectiva, principalmente no ataque à bola.
A escolha do método está relacionada com muitas questões! Os princípios inerentes à forma de jogar (uma ideia de jogo evoluída perspectivando um jogo zonal); os jogadores que temos à nossa disposição, a sua morfologia, o campeonato onde estamos inseridos, a sua atitude defensiva e principalmente a forma na qual os jogadores se sentem mais cómodos em função do seu passado – imaginem uma equipa que está praticamente junta há dois anos e defende HxH com uma eficácia excelente! Não poderá ser um erro mudar para zona? Conheço treinadores com uma filosofia de jogo zonal e defendem aqui individualmente e outros que se balizam muito pelo jogo individual e que defendem “zona”. Embora aqui duvide da eficácia: é que defender à “zona” é defender com uma ideia muito complexa e de acordo com princípios que demoram o seu tempo a maturar.
Vamos analisar na prática algumas situações! Vamos verificar que quem defende HxH faz “zona” no primeiro poste. E que por vezes quem defende “zona” (aqui por uma questão estratégica) também pode usar de marcação individual.
Defender "Zona"

Figura 1
Figura 2
Figura 3

Vemos aqui três diferentes posicionamentos de uma equipa que defende “zona”. Não existem verdades absolutas, nem posicionamentos universais. Devemos escolher o posicionamento que considerarmos mais eficaz.
Na figura 3, verificamos o reforço da protecção do primeiro poste em detrimento de um homem junto ao segundo poste (figura 1).
Na figura 2 para além da protecção ao 1º poste, temos uma zona com duas linhas diferenciadas.
Como verificamos, o canto está a ser marcado com o pé esquerdo (ou direito de trivela), sendo que a bola desenha uma trajectória exterior, logo o posicionamento dos jogadores a defender deve ajustar-se para fora da zona do guarda-redes. O jogador do poste do lado que bate a bola (para fora) pode defender mais dentro do campo, visto que a trajectória da bola é exterior!
Zona do guarda-redes é o espaço que vai da linha de golo até á linha dos seus colegas.
As zonas de acção são definidas pelo espaço que vai da sua exacta posição e a possibilidade que tem de cortar a bola, até à posição do seu colega que está sua frente ou espaço (primeiros jogadores da zona). Em função do movimento dos colegas na acção de atacar a bola, os jogadores devem ajustar o posicionamento de forma a que não aumente os espaços entre si. Ou seja, ao movimento do primeiro homem da zona em aproximação á bola deve corresponder um movimento concertado de todos os colegas que estão atrás deste.
Figura 4
Jogador “A” movimentou-se (para a frente) após o canto ser batido, os jogadores atrás taparam o “buraco” deixado por este e todos os colegas ajustaram o seu posicionamento de forma concertada.
Figura 5
Aqui vemos um canto batido com o pé direito, ou seja, a bola descreve uma trajectória interior! Como verificamos o posicionamento zonal, está mais perto da pequena área, ajustando-se à possível trajectória da bola. O jogador A está “dentro” da zona, não deve merecer particular atenção porque está na zona do guarda-redes.
Figura 6
Aqui temos um exemplo de uma marcação Zonal com preocupações individualizadas (jogadores “1” e “2” fazem marcação HxH) sobre dois jogadores adversários. Marcação esta que poderá ser utilizada quando a equipa adversária tem jogadores que realmente são fortíssimos no jogo aéreo.
Figura 7
Marcação individual.
Na figura 7 vemos um exemplo de marcação individual! A responsabilização é individualizada: “cada um marca o seu”! Importante é visualizar a bola e o adversário, protegendo sempre a baliza, com os apoios nunca paralelos relativamente ao adversário de forma a reagirmos rapidamente à desmarcação. O jogador X está a ter um comportamento zonal de defesa do 1º poste e o “P” está a proteger o primeiro poste.
Não tenho a intenção de influenciar as vossas escolhas, apenas pretendi demonstrar algumas variantes de colocação de jogadores neste tipo de lances.
A partir destes, existe um sem número de variantes que terão muito a ver com as nossas ideias, mas também com os jogadores que temos à disposição. Importante é trabalharmos naquilo em que acreditamos e obviamente termos eficácia.
Numa outra oportunidade abordaremos algumas possibilidades de contrariar estes dois métodos defensivos.
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Figura 3
Vemos aqui três diferentes posicionamentos de uma equipa que defende “zona”. Não existem verdades absolutas, nem posicionamentos universais. Devemos escolher o posicionamento que considerarmos mais eficaz.
Na figura 3, verificamos o reforço da protecção do primeiro poste em detrimento de um homem junto ao segundo poste (figura 1).
Na figura 2 para além da protecção ao 1º poste, temos uma zona com duas linhas diferenciadas.
Como verificamos, o canto está a ser marcado com o pé esquerdo (ou direito de trivela), sendo que a bola desenha uma trajectória exterior, logo o posicionamento dos jogadores a defender deve ajustar-se para fora da zona do guarda-redes. O jogador do poste do lado que bate a bola (para fora) pode defender mais dentro do campo, visto que a trajectória da bola é exterior!
Zona do guarda-redes é o espaço que vai da linha de golo até á linha dos seus colegas.
As zonas de acção são definidas pelo espaço que vai da sua exacta posição e a possibilidade que tem de cortar a bola, até à posição do seu colega que está sua frente ou espaço (primeiros jogadores da zona). Em função do movimento dos colegas na acção de atacar a bola, os jogadores devem ajustar o posicionamento de forma a que não aumente os espaços entre si. Ou seja, ao movimento do primeiro homem da zona em aproximação á bola deve corresponder um movimento concertado de todos os colegas que estão atrás deste.
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Figura 5
Aqui vemos um canto batido com o pé direito, ou seja, a bola descreve uma trajectória interior! Como verificamos o posicionamento zonal, está mais perto da pequena área, ajustando-se à possível trajectória da bola. O jogador A está “dentro” da zona, não deve merecer particular atenção porque está na zona do guarda-redes.
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Figura 5
Aqui vemos um canto batido com o pé direito, ou seja, a bola descreve uma trajectória interior! Como verificamos o posicionamento zonal, está mais perto da pequena área, ajustando-se à possível trajectória da bola. O jogador A está “dentro” da zona, não deve merecer particular atenção porque está na zona do guarda-redes.
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Figura 6
Aqui temos um exemplo de uma marcação Zonal com preocupações individualizadas (jogadores “1” e “2” fazem marcação HxH) sobre dois jogadores adversários. Marcação esta que poderá ser utilizada quando a equipa adversária tem jogadores que realmente são fortíssimos no jogo aéreo.
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Figura 7
Marcação individual.
Na figura 7 vemos um exemplo de marcação individual! A responsabilização é individualizada: “cada um marca o seu”! Importante é visualizar a bola e o adversário, protegendo sempre a baliza, com os apoios nunca paralelos relativamente ao adversário de forma a reagirmos rapidamente à desmarcação. O jogador X está a ter um comportamento zonal de defesa do 1º poste e o “P” está a proteger o primeiro poste.
Não tenho a intenção de influenciar as vossas escolhas, apenas pretendi demonstrar algumas variantes de colocação de jogadores neste tipo de lances. A partir destes, existe um sem número de variantes que terão muito a ver com as nossas ideias, mas também com os jogadores que temos à disposição. Importante é trabalharmos naquilo em que acreditamos e obviamente termos eficácia.
Numa outra oportunidade abordaremos algumas possibilidades de contrariar estes dois métodos defensivos.

CAPACIDADES MOTORAS:FORÇA

8/12/2010

FORÇA
É a capacidade, que o músculo tem, de produzir uma tensão ao activar-se (contrair-se).
É a máxima tensão manifestada pelo musculo (ou conjunto de grupos musculares) a uma velocidade determinada.

FORÇA ÚTIL: no âmbito desportivo, é aquela que somos capazes de aplicar ou manifestar à velocidade a que se realiza o gesto desportivo.
Um desportista não tem um nível de força máximo único, mas sim muitos diferentes em função da velocidade a que se meça a força máxima exercida.
Os desportos colectivos, em geral, e em especial o futebol, são caracterizados por necessitarem de uma considerável quantidade de força. Como é obvio, ao futebolista interessa sobretudo desenvolver a resistência de força e a força rápida, especialmente esta última.

FORÇA
Definições: Força Muscular: Capacidade de superação da resistência externa e de contra-acção a esta resistência, por meio dos esforços musculares. ZAKHAROV (1991)
Representa a capacidade do indivíduo para vencer ou suportar uma resistência. MANSO (1996)
É a capacidade de superar resistências e contra-resistências por meio da acção muscular. GROSSER (1989)
É a força que um músculo ou grupo muscular pode exercer contra uma resistência em um esforço máximo. BAECHLE (1994)
É a força máxima ou nível de tensão que pode ser produzido por um grupo muscular. SAFRIT (1995)
Designação genérica para a força de um músculo. Entende-se, sendo tanto a força estática empregada por solicitação voluntária máxima de um músculo, como a desenvolvida durante uma tensão muscular voluntária, máxima, dinâmica. HOLLMANN & HETTINGER (1983)

FACTORES CONDICIONANTES DA CAPACIDADE DE PRODUÇÃO DE FORÇA
. FACTOR NERVOSO: se desligarmos os músculos das suas ligações nervosas, estes são incapazes de se contrair voluntariamente. Deste modo fica impossibilitada a realização de qualquer gesto ou movimento já que é o SNC que fornece o estímulo necessário para que os músculos possam assegurar a dinâmica do aparelho locomotor do ser humano.

FACTORES CONDICIONANTES DA CAPACIDADE DE PRODUÇÃO DE FORÇA
. FACTOR MUSCULAR:
podemos dividir os factores musculares em dois:
.FISIOLÓGICO:
- Área da secção transversal do músculo: na medida em que a força de um músculo é proporcional ao seu diâmetro transversal.
- Tipo de fibra muscular: existem fibras musculares de menor dimensão, também denominadas de fibras vermelhas, que contêm maior teor de hemoglobina, sendo, por isso, mais adaptadas à produção de contracções lentas e de fraca intensidade, durante longos períodos de tempo. Estas fibras, vulgarmente designadas por lentas, não se transformam em rápidas por acção do treino.
As fibras brancas (Tipo II), glicolíticas ou de contracção rápida) estão mais preparadas para contracções fortes e rápidas, sendo a glicólise anaeróbia o principal processo de produção de energia a que recorrem.
. MECÂNICO:
- A mecânica da contracção muscular influencia a capacidade do músculo produzir força e ode resumir-se no seguinte:
Tipos de contracção muscular (concêntrica, excêntrica e isométrica);
Relação força-alongamento;
Relação força-velocidade.
PROPRIEDADES COMPORTAMENTAIS DA UNIDADE MUSCULOTENDINOSA
EXTENSIBILIDADE: capacidade de ser alongado (estirado);
ELASTICIDADE: capacidade de voltar ao comprimento normal após o alongamento/estiramento;
IRRITABILIDADE: capacidade de responder a estímulos (electroquímico ou mecânico);
CAPACIDADE DE DESENVOLVER TENSÃO: contracção.
MECÂNICA MUSCULAR

FORMAS DE MANIFESTAÇÃO DA FORÇA

FORÇA RÁPIDA:
A força rápida é a capacidade do sistema neuromuscular vencer resistências com uma grande velocidade de contracção (máxima força x máxima velocidade). Aparece muitas vezes associada a outras designações como: potência ou força explosiva. Este tipo de força é fundamental nos movimentos e acções a desenvolver nos desportos colectivos e em especial no futebol.

FORÇA DE RESISTÊNCIA:
Força de Resistência ou força resistente é a capacidade mista de força e resistência que permite manter ou repetir determinado nível de força, de forma constante, durante um longo período de tempo. É a capacidade de resistir ao aparecimento da fadiga nos esforços/competições que solicitam uma participação de força como é o caso do futebol.
A força resistente faz-se sentir, principalmente, ao nível dos membros inferiores e nas acções do jogo que se repetem de forma continuada.

FORMAS DE MANIFESTAÇÃO DA FORÇA
. Força Reactiva: capacidade do músculo reagir a uma força exterior, modificando ou alterando a sua própria estrutura. Assenta na capacidade do sistema neuromuscular passar da contracção excêntrica para a contracção concêntrica.
É necessário potenciar a energia elástica presente nos movimentos dos jogadores, através da corrida e dos saltos, particularmente, nos músculos extensores dos membros inferiores.
. Força Máxima
Caracteriza-se pelo nível de força que o aluno/atleta é capaz de alcançar em consequência da tensão muscular máxima.
Dinâmica - Capacidade de desenvolver tensão máxima no desenvolvimento de um movimento articular
Estática - Maior força que o sistema neuromuscular pode realizar por contracção voluntária.
FM Estática > FM Dinâmica
. Força Máxima
Obs.: Uma FM só ocorre quando houver equilíbrio entre a carga e a força de contracção do músculo. A FM depende dos seguintes factores: - Secção fisiológica transversal do músculo; - Coordenação Intermuscular; - Coordenação Intramuscular.
Vantagens: - Aumento da força sem aumento essencial da secção transversal e do peso corporal. Sistema Energético: Os fosfatos ricos em energia (ATP-CP), desempenham um papel decisivo no desenvolvimento da força máxima. Uma carga máxima levada ao esgotamento, atinge uma super acidez intracelular (elevação do lactato) e reduz a “performance” a níveis submáximos (Weineck,1989:97).
Tipos de Contracção Muscular :
O músculo é composto de elementos elásticos e contrácteis. Dependendo da contracção muscular, pode-se contrair ou estirar os elementos envolvidos.
Os tipos de contracção muscular são divididos em:
Contracção Isométrica (Estática)
- há contracção dos elementos contrácteis, mas os elásticos são estirados. Ainda que exteriormente seja possível constatar um encurtamento do músculo
(Weineck,1989:102).

Contracção Isotónica (Dinâmica) 
- Os elementos contrácteis do músculo são contraídos, mas os elásticos não modificam seu comprimento. Produzindo um encurtamento dos músculos.
Contracção Muscular Autotónica
- combinação das solicitações isométricas com a isotónica.
É a forma mais frequente no domínio desportivo.

Tipos de Trabalho Muscular :

Concêntrico (Impulsor ou Positivo) 
- permite, através de um encurtamento muscular, mover o peso do próprio corpo ou pesos exteriores, ou superar resistências. Está presente na maioria dos desenvolvimentos motores desportivos.
 FM > Resistência.
Excêntrico (Frenador ou Negativo)
- é caracterizado por um aumento longitudinal do músculo, que produz um efeito activo contrário. Intervém no amortecimento de saltos e na preparação de movimentos.
Isométrico (Estático)
 - é caracterizado por uma contracção muscular, que exclui o encurtamento.
 Serve para a fixação de posições determinadas do corpo ou das extremidades.
Combinado (Autotónico ou Auxotónico)
- caracteriza-se por elementos do tipo impulsor, frenador ou estático.
É utilizado para desenvolver a força sem aumentar o corte transversal.
Isocinéctico (Acomodativo)
- Resistência directamente proporcional ao desenvolvimento da força por espaço de tempo. Resistência adaptada a força muscular utilizada.
Pliométrico (Reactivo)
- Passagem do trabalho muscular excêntrico para o concêntrico.
Estimula o reflexo miotático.
Inter-relações da Força : Força e Velocidade
 - Quanto mais hipertrofiado, melhor a capacidade de desenvolver velocidade. ( inserção de proteínas contrácteis )
Quanto > for o número de ligações por unidade de tempo > é a força muscular desenvolvida.
Força e Mobilidade
Não há modificação não
- Força Limitação de movimento
- hipertrofia excessiva e negligência. Força e Coordenação
 Não há influência negativa na Força Não Coordenação
 - desenvolvimento da Força (desporto).
Força e Resistência (longa duração) Melhora na capacidade de fornecer trabalho repetitivo contra fortes resistências.
Fonte:Prof. Ms. Jeferson

MÉTODOS DE TREINO DA FORÇA
Têm como base parâmetros que vão desde a organização das cargas aos tipos de acção muscular.

 MÉTODOS DE TREINO DA FORÇA
Podemos distinguir os seguintes Métodos de Treino da Força:
Taxa de Produção de Força (Maximais);
Hipertrofia Muscular (Submaximais ou Repetições);
Misto;
Força Resistência;
Reactivo.
No Futebol mais utilizados: sub-maximais ou de repetição, reactivo e Força Resistência.

MÉTODOS DE TREINO DA FORÇA
Métodos da Taxa de Produção de Força (Métodos Maximais):
Caracterizam-se fundamentalmente, pelas cargas muito elevadas e pela acção muscular explosiva. Principal objectivo é aumentar a taxa de produção de força (força explosiva) através da activação nervosa, ou seja, provocando adaptações nervosas à custa do recrutamento de mais unidades motoras.

Dinâmica da Carga:

MÉTODOS DE TREINO DA FORÇA
Métodos da Hipertrofia Muscular (Sub-maximais ou Repetição):
O objectivo principal é o desenvolvimento da força máxima (Fmáx) à custa do aumento da massa muscular e, por conseguinte, provocando uma hipertrofia muscular.
Dinâmica da Carga:

MÉTODOS DE TREINO DA FORÇA
Métodos Mistos:
Pretendem integrar num só método os princípios básicos dos métodos maximais e sub-maximais, permitindo treinar na mesma unidade de treino a hipertrofia muscular e provocar activação nervosa.
Dinâmica da Carga:

MÉTODOS DE TREINO DA FORÇA
Método da Força de Resistência:
Provoca ganhos reduzidos de hipertrofia muscular mas, aumenta a resistência à fadiga em performance de força de longa duração.
Dinâmica da Carga:

MÉTODOS DE TREINO DA FORÇA

Método Reactivo:
Visa potenciar o ciclo muscular de alongamento encurtamento. No desenvolvimento deste tipo de trabalho é fundamental verificarem-se os seguintes pressupostos:
Intensidade máximas, saltar sempre mais alto ou mais longe;
Contacto com o solo muito rápido e reactivo com um tempo de transição muito curto entre a fase excêntrica e concêntrica;
Trabalho desenvolvido sem fadiga, respeitando os intervalos de recuperação
É possível construir formas de trabalho diferenciadas que visam os membros inferiores, o tronco e os membros superiores, nomeadamente:
- Saltos sem Progressão: saltos verticais repetidos, exercícios sem progressão horizontal;
- Saltos com Progressão: exercícios com progressão horizontal (multissaltos);
Saltos em Profundidade: exercícios reactivos mais exigentes, devendo ser utilizados com precaução e numa lógica de progressão realizando-se em último lugar;
Exercícios para Tronco e Braços: exercícios reactivos para o tronco e membros superiores , temos o exemplo da utilização de bolas medicinais (recepção e rápida devolução) ou a realização de flexões de braços a partir de um pequeno ressalto.

MÉTODOS E MEIOS DE DESENVOLVIMENTO DA FORÇA NO FUTEBOL

Atenção às características individuais dos jogadores, por exemplo:
Morfologia;
Funções desempenhadas na equipa;
Idade;
Passado desportivo;
Grau de maturação biológica;
Nível de desenvolvimento da força
O treino da força, genericamente, pode ser realizado através de:
“Sprints” com mudança de direcção, sentido e variação;
Saltos e multissaltos (simples, pé coxinho, pés juntos);
Barreiras, escadas e outros obstáculos com alturas variáveis;
Peso do próprio corpo;
Exercícios com parceiro;
Exercícios com bolas medicinais;
Exercícios com elásticos e cordas;
Exercícios com cargas lastradas (coletes, cintos, etc.);
Treino com pesos;
Máquinas de musculação.

MÉTODOS E MEIOS DE DESENVOLVIMENTO DA FORÇA NO FUTEBOL
TREINO EM CIRCUITO:

VANTAGENS MAIS IMPORTANTES:
Podem-se treinar muitos jogadores ao mesmo tempo e a cada um de acordo com o seu próprio rendimento;
São possíveis variantes físico-técnicas;
Pode conseguir-se um esforço variado;
A intensidade do exercício e o esforço total pode estruturar-se dependendo da capacidade do grupo;
Pode aumentar-se progressivamente o esforço mediante a variação dos componentes do mesmo, a intensidade, a duração, e a frequência de forma geral e individualizada;
Pode fazer-se um aumento progressivo do esforço mediante as variações das estações, seja de forma contínua na série dos exercícios ou de forma alternada;
Podem efectuar-se alterações no treino diário e desta forma motivar os jogadores;
É flexível quanto ao número de exercícios a efectuar. Se o rendimento não é muito bom, pode diminuir-se o número;
Com esta organização, o jogador, vê estimulada a sua autonomia, a sua própria valoração e pode aumentar o exercício segundo a sua vontade;
O treinador e o jogador recebem informação sobre o nível dos factores determinantes do rendimento no Futebol;
O circuito pode efectuar-se individualmente ou aos pares (alternadamente ou ao mesmo tempo).

A FORÇA NO PLANEAMENTO DO TREINO
A força ao nível dos músculos aumenta mais rapidamente que ao nível dos tendões, ligamentos e tecido conjuntivo. Por isso, é necessário ter em conta que podem ocorrer alguns desequilíbrios entre a força do músculo e as estruturas circundantes, podendo originar roturas nos tendões ou ligamentos quando se aplicam cargas máximas. Por isso devemos ter presentes alguns princípios para o desenvolvimento de um programa de treino da força:
Começar com cargas relativamente baixas e com cuidados na execução da técnica;
Inicialmente, utilizar poucas repetições de cada exercício;
Garantir tempo suficiente de recuperação entre cada unidade de treino.

A FORÇA NO PLANEAMENTO DO TREINO
Cada equipa de futebol é uma realidade e cada jogador tem particularidades específicas. No entanto, e na perspectiva de Bangsob (1997) citado por Costa & Pina (1999), deve-se construir um programa de treino em progressão sintetizado assim:






terça-feira, 7 de dezembro de 2010

CAPACIDADES MOTORAS: RESISTÊNCIA

06/12/2010
Treino físico em futebol
Tema 1 - Metabolismo aeróbio
SISTEMAS ENERGÉTICOS
Aspectos gerais do metabolismo do músculo
O músculo para se contrair dispõe, essencialmente, de 3 fontes energéticas:
anaeróbia aláctica;
anaeróbia láctica
Aeróbia.
Que diferem entre si na sua potência e capacidade e, consequentemente, nas condições de utilização . A potência de cada fonte energética, define a quantidade de energia máxima disponível por unidade de tempo (energia de ponta), a capacidade define o tempo durante o qual pode por à disposição do músculo os elementos de que o mesmo necessita.
Independentemente da prova, o tempo de duração do desempenho atlético relaciona-se com os sistemas produtores de energia implicados. As fontes energéticas necessárias em cada actividade dependem do tempo. Os grupos dos sistemas energéticos devem ser considerados como representando contribuições anaeróbias, anaeróbias/aeróbias, e aeróbias .
RESPIRAÇÃO AERÓBIA

Na presença de oxigénio, o ácido pirúvico proveniente da glicolise, oxida-se totalmente na mitocondria, este processo divide-se em duas fases:
Na primeira, o ácido pirúvico entra na mitocondria onde é fraccionado e oxidado completamente até liberar CO2. Como oxidantes actuam coenzimas, que por sua vez são reduzidas. O hidrogénio unido as coenzimas é transferido;
na segunda fase ao oxigénio molecular, com formação de água.
A degradação do ácido pirúvico faz-se na matriz mitocondrial, onde se encontram as enzimas do ciclo de Krebs (Hans Krebs postulou esta via metabólica em 1937 e posteriormente recebeu o premio Nobel pelo seu trabalho) ou dos ácidos tricarboxílicos, conhecido também como ciclo do ácido cítrico.
Fonte energética aeróbia

Esta fonte energética só funciona na presença de oxigénio, permitindo um grande número de reacções químicas complexas (Ciclo de Krebs), que libertam a energia necessária ao funcionamento do músculo.
A Glicose e o Glicogénio são os seus substratos energéticos.
Não tem início de acção imediato e só se consegue o seu rendimento máximo para além do 4º minuto.
Esta fonte energética é fundamental para a acção muscular nos esforços prolongados e se se quiser conhecer a capacidade máxima do esforço de um dado indivíduo, poderá ser suficiente determinar a quantidade de oxigénio que ele necessita para o realizar (consumo de oxigénio - VO2).
Fonte energética aeróbia
Durante um exercício ligeiro, o oxigénio armazenado no músculo mais o oxigénio fornecido à medida em que a respiração e a circulação se adaptam ao trabalho cobrirão completamente a necessidade de oxigénio.
A maioria das actividades diárias normais pertence a esta categoria de trabalho.
A resistência aeróbia pressupõe um equilíbrio entre o oxigénio que está a ser necessário para o trabalho muscular e o que está a ser transportado na circulação até ao tecido muscular.
A energia necessária é assim obtida pela combustão oxidativa dos hidratos de carbono e das gorduras.
O sistema oxidativo ou aeróbio permite a produção de energia ao longo dos exercícios de intensidade moderada, graças à utilização do oxigénio transportado ao nível das fibras musculares.
O sistema aeróbio intervém depois do esforço para eliminar o ácido láctico produzido, a duração e a importância da sua intervenção serão tanto mais elevadas quanto maior for a demanda dos sistemas anaeróbios.
Sistemas Energéticos
Consumo Máximo de Oxigénio - VO2Máx.

O consumo de oxigénio constitui um dos factores decisivos para os eventos aeróbios, especialmente os de longa duração.
As exigências prolongadas são as que aumentam o consumo de oxigénio (Hegedus, 1984)
Por VO2Máx. entende-se a quantidade máxima de oxigénio que pode ser captado, fixado, transportado e utilizado pelo organismo durante um esforço máximo de características gerais. Tal parâmetro traduz a potência aeróbia (Pereira, 1989).
Módulo 2. Treino físico em futebol
Treino aeróbio
Objectivos e efeitos
RESISTÊNCIA
Em termos gerais. pode definir-se como a capacidade que permite resistir psíquica e fisicamente à instalação da fadiga, assim como, recuperar rapidamente dos efeitos produzidos por uma carga de treino. Por isso, é tida como a capacidade mais importante no suporte da condição física, sendo fundamental para o êxito das acções desportivas de longa duração como é o caso do futebol.
Objectivos do Treino da Resistência:
Manter uma certa intensidade da carga durante o maior tempo possível;

Suportar cargas de treino ou competições, cada vez mais elevadas;

Efectuar uma recuperação rápida;

Estabilizar a técnica desportiva e a capacidade de concentração

FORMAS DE MANIFESTAÇÃO DA RESISTÊNCIA
SOLICITAÇÃO METABÓLICA

Resistência Aeróbia:
Visa permitir:
Aumento da capacidade do sistema de transporte de oxigénio;
Melhoria da capacidade dos músculos utilizarem oxigénio durante períodos prolongados de esforço;
Melhoria da actividade cardiovascular e do sistema respiratório através do:
Aumento do volume sistólio;
Aumento da rede de capilares;
Aumento dos glóbulos vermelhos;
Aumento da eficácia cardíaca; diminuição da frequência cardíaca em repouso;
Melhoria do metabolismo;
Melhoria das funções hormonais, etc..
Treino aeróbio

FORMAS DE MANIFESTAÇÃO DA RESISTÊNCIA

Resistência Aeróbia:

Melhor Resistência Aeróbia = Mais Rápida Recuperação

Duração mínima 20’ próxima do limiar anaeróbio/aeróbio

Esforço aeróbio (geral/) 180pm-+10 –idade do atleta
Treino aeróbio
FORMAS DE MANIFESTAÇÃO DA RESISTÊNCIA

Resistência Aeróbia:

Benefícios, em síntese, deste tipo de trabalho para o Futebol:
Servir de base para a melhoria das outras capacidades;
Permitir uma grande percentagem de energia necessária para a actividade física;
Realizar esforços de maior intensidade durante o jogo, devido à ressintese mais rápida dos fosfatos;
Diminuir os riscos de lesões, já que muitas estão associadas à fadiga;
Aumentar a capacidade de recuperação após esforços de elevada intensidade;
Ajudar a manter os níveis de execução técnico-táctica e de concentração exigidos durante o jogo.
Módulo 2. Treino físico em futebol
Tema 2 - Metabolismo anaeróbio
SISTEMAS ENERGÉTICOS
Fonte energética anaeróbia aláctica
Tem como substratos energéticos o ATP (adenosina trifosfato) e a fosfocreatina (PC). É a fonte energética que está imediatamente disponível, com grande potência e pequena capacidade, esgotando-se as suas reservas em cerca de 10 segundos.
Quando o trabalho muscular é de grande intensidade, o metabolismo energético processa-se com dívida de oxigénio. Se o esforço é de curta duração (até 15 segundos) a energia é obtida através da degradação da fosfocreatina presente ao nível das fibras musculares. Neste caso estamos perante a resistência anaeróbia aláctica, uma vez que não se produzem grandes concentrações de ácido láctico.
Durante um tempo muito curto o mecanismo anaeróbio aláctico é capaz de proporcionar aos órgãos, que estão a trabalhar, uma grande quantidade de energia, quer dizer, possui grande potência. Este mecanismo tem um papel decisivo na provisão de energia da actividade de curta duração em forma de exercícios de força e de velocidade-força cuja duração é de até 30 segundos, e também no começo da corrida de 800 metros.
Tema 2 - Metabolismo anaeróbio
SISTEMAS ENERGÉTICOS
Fonte energética anaeróbia láctica
A glicólise anaeróbia cobre a cadeia de reacções que permitem a síntese do ATP por degradação da glicose sem utilização de oxigénio e com a produção final de ácido láctico
A Glicose e Glicogénio são os substratos energéticos desta fonte de energia. Usa os açucares (Glicose e Glicogénio), na produção de energia, com produção de ácido láctico. Durante o esforço entra rapidamente em acção (alguns segundos), atingindo a sua potência máxima entre o 1º e 2º minutos, sendo a capacidade limitada ou já muito reduzida ao 4º minuto .
Se um esforço de grande intensidade se prolonga, a energia passa a ser obtida através do glicogénio, cuja degradação provoca o aparecimento de grandes concentrações de ácido láctico no sangue. Neste caso estamos perante a resistência anaeróbia láctica. A partir de determinada concentração no sangue, o ácido láctico, impede a contracção muscular . Na maior parte dos casos, a energia para o trabalho muscular exigido pelas acções motoras específicas de modalidades de resistência anaeróbia láctica é obtida através de um misto aeróbio/anaeróbio .
Tema 2 - Metabolismo anaeróbio

SISTEMAS ENERGÉTICOS
Fonte energética anaeróbia láctica
A máxima potência anaeróbia láctica alcança-se ao fim de 15-45 segundos depois do início do trabalho intenso que evidência as máximas exigências de glicólise anaeróbia e pode manter-se nos jovens até 2 minutos. Nos desportistas de alto nível cujas competições duram de 2 a 5 minutos, o mecanismo anaeróbio láctico de fornecimento de energia pode predominar durante 3 a 4 minutos. Deste modo, durante o treino para adquirir maior capacidade do sistema anaeróbio láctico, os exercícios mais efectivos são os que duram entre 2 e 4 minutos.
O treino anaeróbio melhora a eficiência do movimento. Um movimento mais eficiente requer menor dispêndio de energia .
SISTEMAS ENERGÉTICOS
Produção de ácido Láctico
Quando a intensidade do exercício excede aproximadamente 50 a 60% do VO2 Máx.(consumo máximo de oxigénio), deixa de haver um equilíbrio estável de metabolismo aeróbio e acumula-se ácido láctico. À medida que aumenta a intensidade do esforço, o nível de ácido láctico sobe bruscamente e a pessoa que se está a exercitar entra logo em exaustão. Os mecanismos de fadiga durante o exercício anaeróbio intenso são pouco compreendidos, porém o nível de ácido láctico no sangue fornece uma indicação bastante objectiva do esforço relativo do exercício e pode reflectir também a inadequação do processo de remoção.
Quando a produção de ATP se realiza aeróbiamente, o consumo de oxigénio pelo organismo é um indicador relativamente fiel desse processo. A concentração de lactato no sangue é um parâmetro mais difícil de interpretar pela impossibilidade actual de conhecer com precisão as respectivas taxas de produção e de eliminação. A cinética do ATP e da fosfocreatina é difícil de medir, por serem processos extremamente rápidos e que decorrem no interior da célula. Por isso, actualmente, temos um melhor conhecimento dos aspectos metabólicos dos esforços aeróbios que dos esforços anaeróbios.
A utilização do processo anaeróbio láctico torna-se ao fim de algum tempo factor limitativo por indução de fadiga, uma vez que a lactatémia tem tendência a aumentar. A acumulação de lactato é resultado de um desequilíbrio entre o ácido láctico produzido a nível muscular esquelético e a quantidade que o organismo é capaz de remover (reconversão).
SISTEMAS ENERGÉTICOS

Fisiologia da Remoção do ácido láctico

Existem quatro destinos possíveis para o ácido láctico (Fox et all, 1991):
Uma quantidade insignificante de ácido láctico é excretado na urina e no suor durante a recuperação após um esforço.
O segundo destino do ácido láctico é a glicose e/ou o glicogénio. É unânime, entre vários autores, a opinião que existe uma reconversão de lactato em glicose e glicogénio.
Na presença do ATP necessário, o ácido láctico pode ser reconvertido em glicose e glicogénio no fígado e em glicogénio nos músculos. Esta ressíntese do glicogénio é muito lenta comparada com a remoção do ácido láctico
Na presença de oxigénio, o ácido láctico é transformado, inicialmente em ácido pirúvico e, a seguir, em CO2 e H2O no ciclo de Krebs e no sistema de transporte de electrões, respectivamente.
Segundo Krebs 1 mol de oxigénio pode remover no máximo cerca de 2 moles de lactato, dos quais 1,7 é ressintetizado e 0,3 oxidado em CO2 e H2O. Portanto, 22,4 litros de oxigénio podem remover cerca de 180 g de ácido láctico. O lactato é oxidado em CO2 e H2O, e essa oxidação pode ocorrer no músculo cardíaco e também nos músculos esqueléticos.

Remoção do ácido láctico

A quantidade exacta de oxigénio necessária para remover determinada quantidade de ácido láctico varia consideravelmente. Parte da demanda de oxigénio e do ATP associado com a remoção do ácido láctico é fornecida pelo oxigénio consumido durante a fase de recuperação lenta .
Durante um trabalho em estado de equilíbrio (steady state) de intensidade moderada, com concentrações sanguíneas de lactato de até cerca de 4 mmol/l, determinou-se a captação de lactatos no fígado. Essa captação foi feita de 100 a 150 mg/min; isto é, seriam necessários de 6 a 10 minutos para remover 1g de ácido láctico. Até 4 litros da dívida de oxigénio podem ser alácticos, isto é, não se destinam a neutralizar o ácido láctico, ou o débito de oxigénio lactácido.
A remoção facilitada de ácido láctico pode ser resultado de uma maior profusão de sangue através dos órgãos que utilizam lactato, como o fígado e o coração. Além disso, um maior fluxo de sangue através dos músculos na recuperação activa melhoraria certamente a remoção de ácido láctico, pois o tecido muscular pode utilizar esse substrato e oxidá-lo graças ao metabolismo do ciclo de Krebs.

Velocidade de Remoção do ácido láctico

Podemos dizer que, em geral, são necessários 25 minutos de repouso após um exercício máximo para se processar a remoção de metade do ácido láctico acumulado. Isto significa que cerca de 95% do ácido láctico será removido em 1 hora e 15 minutos de recuperação, após um esforço máximo.
Durante um esforço submáximo, em que a acumulação de ácido láctico não é tão grande, será necessário menos tempo para a sua remoção durante a recuperação.
O ácido láctico pode ser removido do sangue e dos músculos mais rapidamente após um esforço de intenso a máximo recorrendo à realização de exercícios aeróbios, em vez de fazer repouso passivo durante todo o período de recuperação. O ritmo de remoção é mais rápido realizando trote contínuo durante a recuperação. O exercício para a recuperação não deverá ser excessivamente intenso.
Treino anaeróbio

FORMAS DE MANIFESTAÇÃO DA RESISTÊNCIA

Resistência Anaeróbia:

Resistência Anaeróbia Aláctica: é solicitada em esforços de elevada intensidade e curta duração, sendo a energia obtida através da fosfocreatina e do ATP previamente armazenados, sem produção de lactato.

Resistência Anaeróbia Láctica: relaciona-se com esforços de grande intensidade e curta duração, prolongados no tempo, sendo a energia obtida através da glicose e do glicogénio, cuja degradação provoca grandes concentrações de lactato no sangue.
Treino anaeróbio
Objectivos e efeitos
FORMAS DE MANIFESTAÇÃO DA RESISTÊNCIA

Resistência Anaeróbia:

Devido ás características do Futebol (esforço misto – com solicitação permanente de todas as fontes de energia), o trabalho de resistência aeróbia/anaeróbia deve visar, especialmente, o seguinte:
Aumentar a capacidade anaeróbia (componente glicolítica);
Melhorar a componente aeróbia (actividade cardiovascular e sistema respiratório);
Adaptar-se melhor e mais rapidamente, às mudanças de intensidade das cargas;
Elevar os níveis de resistência fisiológica e psicológica provocadas pelo trabalho de grande tensão.
FORMAS DE MANIFESTAÇÃO DA RESISTÊNCIA

ESPECIFICIDADE DA COMPETIÇÃO
Resistência Geral ou de Base:
Capacidade que permite realizar qualquer actividade física que implica muitos grupos musculares e sistemas, durante um período de tempo prolongado.
Componente fundamenta: Capacidade Aeróbia

Resistência Específica:
Capacidade que permite ao jogador manter um elevado nível de rendimento durante a competição e está directamente relacionada com a especificidade do esforço em competição.
Predominantemente anaeróbia.
Treino aeróbio
FORMAS DE MANIFESTAÇÃO DA RESISTÊNCIA

Resistência de Base:

Tendo como referência a competição (alto rendimento) e o desenvolvimento do sistema aeróbio temos três tipos de Resistência de Base:
Resistência de Base I: constitui a base geral para posterior desenvolvimento de outras capacidades determinantes na competição. Permite a aplicação de cargas cada vez mais elevadas de treino e competição. Permite melhorar as condições de recuperação. É totalmente independente da actividade específica competitiva;
Resistência de Base II: directamente relacionada com as modalidades desportivas onde a resistência é fundamental e depende da especificidade da competição.
Resistência de Base III (acíclica): é a mais solicitada nos desportos colectivos, nomeadamente no futebol e visa criar uma base de trabalho que permita aos jogadores o máximo desempenho no jogo. Serve de suporte ao desenvolvimento dos aspectos técnico-tácticos e facilita o processo de recuperação.

RESISTÊNCIA
Resistência de Base III (Acíclica)
Pretende criar uma base para um amplo treino da técnica e da táctica e melhorar a capacidade de recuperação durante as fases de baixa intensidade competitiva.
Caracteriza-se por uma alteração irregular das intensidades de carga, onde se alternam fases curtas (poucos seg) com cargas máximas, cargas médias e submáximas mais prolongadas (seg até minutos) e pausas com recuperações incompletas. Isto supõe um volume de cargas intervaladas elevado e uma mudança continua entre situações metabólicas anaeróbio–alácticas, anaeróbio-lácticas e aeróbio, com predomínio desta última. Os valores de lactato no sangue em média não ultrapassam os 6-8 mmol.
Os exercícios, usados, estão ligados a cargas de tipo intervalado e mudanças de formas motrizes (exp: sprint; marcha; trote; saltos; lançamentos). Podemos considerar que os exercícios usados têm um carácter específico (exercícios de estrutura parecida com a competição).
Baseia-se numa capacidade aeróbia acima da média e na capacidade anaeróbia aláctica (depósitos de fosfato), com uma recuperação rápida.
RESISTÊNCIA ESPECÍFICA:
Nos esforços de curta duração exige-se uma elevada activação do sistema nervoso central. Neste tipo de trabalho são activadas as fibras musculares de contracção rápida e o músculo utiliza. Principalmente, como base energética, a reserva local de energia (ATP), (CP) e o glicogénio muscular. A produção da glicose no fígado demora 1 min a entrar na circulação, por isso só produz efeitos quando o treino/trabalho tem duração superior.

RESISTÊNCIA ESPECÍFICA:
Em relação à duração da carga (adaptado de Neumann 1984):

RESISTÊNCIA ESPECÍFICA:
O rendimento da Resistência de Média Duração, implica igualmente uma activação elevada do sistema nervoso central. A capacidade do atleta responder eficazmente a este tipo de trabalho depende da percentagem de fibras de contracção rápida envolvidas no processo. A energia utilizada é garantida, principalmente, pelo sistema aeróbio, (cerca de 80%), pelo CP e glicogénio. Pode ser igualmente utilizada a glicose existente no sangue libertada pelo fígado.

IMPORTÂNCIA DA RESISTÊNCIA ESPECÍFICA:
Uma resistência específica para o Futebol deve ter:
Treino específico da musculatura utilizada para jogar (especialmente as pernas. Desta forma asseguram-se os movimentos típicos do jogo (mudanças de direcção, entradas, remates, fintas, etc..) de forma óptima;
Boa tolerância a corridas repetidas e intermitentes, entradas explosivas e saltos, fintas em ritmo elevado, fortes remates à baliza e remates de cabeça;
A capacidade de suportar durante todo o jogo, sem problemas, mudanças de ritmo e manter um bom ritmo;
A capacidade de poder evitar entradas, saltar, fintar e rematar c um ritmo máximo durante todo o jogo.
RESISTÊNCIA
Métodos e meios de desenvolvimento
No Futebol, para alcançar altos rendimentos é necessário desenvolver três tipos de resistência: Resistência de Base I; Resistência de Base III (Acíclica) e Resistência Específica.
O treino, de Futebol, deve ser realizado, sempre que possível, no seu local específico (o campo e com bola), desenvolvendo-se, técnica e tacticamente, sob condições similares às encontradas em situação de jogo real. Assim os níveis de motivação podem ser superiores aos observados no treino sem bola. É importante utilizar formas competitivas, visando aumentar a intensidade de treino.
Em termos práticos, existem diversos exercícios que são normalmente utilizados com ou sem bola para desenvolvimento da resistência, nomeadamente os que derivam de situações baseadas na corrida contínua, os jogos condicionados e os jogos recreativos.
RESISTÊNCIA DE BASE
Métodos e meios de desenvolvimento
O treino da Resistência de Base tem conotações diferentes segundo o desporto. É evidente que o tipo de Resistência de Base que necessita um lançador é muito diferente da que necessita um futebolista.
O futebolista requer um nível de resistência suficiente para suportar os volumes, bastante elevados. De carácter intervalado e de diferentes vias energéticas que se produzem durante o jogo
Os métodos mais convenientes para treinar a Resistência de Base III são o método continuo variável e os métodos intervalados intensivos curto e muito curto.
Os exercícios devem estar em estreita relação com os gestos desportivos.
O método contínuo variável adapta-se muito bem às exigências do futebol. No entanto, o método contínuo extensivo deve usar-se com precaução, basicamente como manutenção e recuperação do nível geral de condição física, uma vez que se fosse empregue com o objectivo de desenvolver a Resistência de Base III poderia ter efeitos negativos para a estrutura das fibras rápidas anaeróbias (fibras IIb) pelo acentuar das fibras oxidativas (I e IIa).
RESISTÊNCIA DE BASE III
Métodos e meios de desenvolvimento
O método intervalado intensivo curto é muito apropriado em forma de circuitos, incluindo exercícios específicos e elementos do jogo. Assim o jogador familiariza-se com a mudança de formas de movimento em combinação com as alterações da carga.

Dada a dificuldade dos futebolistas para dispor de tempo para o desenvolvimento da RB III, costuma-se acentuar o seu treino na fase inicial da temporada. A sua manutenção pode ser feita com uma sessão semanal combinada com outras componentes específicas (velocidade; técnica/táctica).
MÉTODOS DE TREINO DA RESISTÊNCIA

Contínuo:
* Uniforme:
- Extensivo
Intensivo.
* Variado
Por Intervalos:
* Treino Intervalado:
- Extensivo
Intensivo.
* repetições:
- Curto
- Médio
- Longo
Método de Competição ou Controlo
MÉTODOS DE TREINO DA RESISTÊNCIA

Contínuo:
Exercícios de longa duração sem interrupção. É usado, essencialmente, durante o período preparatório para desenvolver a resistência de base. Atendendo à especificidade do Futebol, o volume pode ser de curta (15’ a 30?), média (30’ a 60’) e de longa duração (+60’), sem intervalos durante a execução. O volume, a duração e a intensidade da carga devem estar de acordo com a idade e a capacidade dos jogadores em cada momento.

Deve ser desenvolvido no limiar aeróbio/anaeróbio.

Pode ser contínuo uniforme e/ou contínuo variado.

* Uniforme:
- Extensivo mais de 60’
Intensivo até 60’
* Variado
MÉTODOS DE TREINO DA RESISTÊNCIA

Contínuo:
Exercícios de longa duração sem interrupção.
Corrida contínua (correr em bosques, montanhas, percursos cronometrados)
Corrida continua com mudanças de ritmo (Fartlek);
Corridas em Triângulos, rectângulos;
Corridas com um tempo determinado.


EXTENSIVO (+60’):
É um treino puramente aeróbio que deverá ser usado especialmente nos períodos de preparação para construir a resistência de base ou como treino de manutenção para uma estabilização a longo prazo da capacidade de resistência.
No limiar aeróbio e para melhoria dos parâmetros cardio-circulatórios (FC -+140)
MÉTODOS DE TREINO DA RESISTÊNCIA

Contínuo:
INTENSIVO (-60’):
Utiliza-se, com muitas reservas e raramente, para conseguir activar o metabolismo do glicogénio e levar a um esgotamento das reservas de açúcar e como consequência à supercompensação.
Deve ter-se em conta que:
As corridas de resistência no limiar anaeróbio devem efectuar-se durante um tempo limitado (futebolistas muito bem treinados no máximo 15 a 30 minutos), já que este tipo de esforço conduz a um rápido esgotamento das reservas de glicogénio;
As corridas de resistência intensivas são muito cansativas e não são aliciantes para “os tipos sprinter” provocando, sobretudo, rechaço;
Também se pode conseguir um rápido esgotamento das reservas de glicogénio, mas com maior motivação e mais especificidade para o metabolismo, mediante diferentes tipos de jogo (5:5 até 8:8). Deverá dar-se preferência a esta forma, com algumas excepções em casos concretos;
As corridas contínuas intensivas, no Futebol só se deveriam utilizar em corridas de teste, por exemplo Teste de Cooper, como possibilidade de controle da capacidade de resistência aeróbia;
A junção de corridas intensivas e um maior treino de jogo conduz rapidamente a “queimar” o jogador, já que o tempo de recuperação para voltar a restituir as reservas de glicogénio, esgotadas no treino, só é suficiente em casos excepcionais.

RESISTÊNCIA DE BASE III
MÉTODOS DE TREINO DA RESISTÊNCIA

Meios de treinar a Resistência de Base:
Meios de treino e exercícios sem bola:
apesar das reservas contra um treino de resistência exclusivamente sem bola, em nenhum caso se devem eliminar as corridas de resistência sem boal, já que estas, devido à sua estrutura, têm um papel muito importante pelos efeitos pedagógicos e psicológicos que têm sobre os futebolistas.
1- Formas de corrida livres
Corridas feitas fora do terreno de jogo, individualmente ou em grupo:
- Corridas no bosque;
- Corridas de corta-mato;
- Corridas na praia (descalços na areia);
- Corridas na montanha;
- Corridas com mudanças de velocidade (Fartlek);
- Corridas de orientação.
MÉTODOS DE TREINO DA RESISTÊNCIA

Meios de treinar a Resistência de Base:
Meios de treino e exercícios sem bola:
2- Formas de corrida sem sair do campo ou pavilhão
É muito importante tentar evitar a monotonia, usando diferentes tipos de corrida:
- Corridas para a frente, para trás, laterais;
- Corridas “calcanhares às nádegas”;
- Corridas com pequenos saltos;
- Corridas com circundação dos braços;
- Corrida lateral;
- Combinação de diferentes formas de corrida.
Variar os percursos, diagonais, Zig-zag, círculos, etc., no campo
MÉTODOS DE TREINO DA RESISTÊNCIA

Meios de treinar a Resistência de Base:
Meios de treino e exercícios sem bola:
3- Formas de corrida com variação do ritmo de corrida
- Jogo de Corrida:
duração entre 15 a 45’, com duração necessária para treinar a resistência, variado e tem semelhança com as mudanças de ritmo e de esforço que se realizam nos jogos, portanto também desenvolve a resistência específica.

- Corridas cronometradas como competição de grupo:
o treinador divide os jogadores em dois grupos que farão corrida em direcções opostas partindo do mesmo ponto. O objectivo é o grupo terminar a corrida num tempo determinado pelo treinador.
MÉTODOS DE TREINO DA RESISTÊNCIA

Meios de treinar a Resistência de Base:
Meios de treino e exercícios sem bola:
3- Formas de corrida com variação do ritmo de corrida
- Corrida dirigida:
o treinador dividirá os jogadores em 2 ou 3 grupos. Cada elemento do grupo será responsável por um determinado tempo (ex: 5’) ou determinada distância (ex: 1000 mts) num percurso escolhido pelos próprios e com o ritmo correspondente.

- Corrida de slalom entre o grupo enquanto este corre:
em fila indiana (2-3 mts entre cada um), por um percurso escolhido por eles, o último da fila corre rápido em slalom pela fila até ao início desta.
MÉTODOS DE TREINO DA RESISTÊNCIA

Meios de treinar a Resistência de Base:
Meios de treino e exercícios com bola:
muitas das formas apresentadas sem bola podem ser efectuadas com bola, vantagem de ser mais motivante e mais específico. Não esquecer que as corridas com bola cansam mais. Para alguns jogadores a bola provoca uma intensificação da corrida o que, em determinadas circunstâncias, pode ser contraproducente para o desenvolvimento da resistência aeróbia.
- Trajecto de condução de bola;
- Condução em forma de slalom com o pé dominante;
- Condução da bola pela linha central e pelo centro do campo;
- condução com o pé mais débil por um trajecto lateral;
-etc..
MÉTODOS DE TREINO DA RESISTÊNCIA
TREINO INTERVALADO:
MÉTODOS DE TREINO DA RESISTÊNCIA
TREINO INTERVALADO:

Em função da intensidade da carga podemos distinguir dois tipos de treino: Intervalado Extensivo e Intervalado Intensivo.

Quanto à duração da carga podemos considerar:
- Intervalado de Curta Duração (15” a 60”);
- intervalado de Média Duração (1’ a 3’);
- intervalado de Longa Duração (3’ a 15’)

Variantes em função da intensidade e da duração da carga:
* Intervalado Intensivo Muito Curto (IImC) (8” a 15”);
* Intervalado Intensivo Curto (IIC) (15” a 60”);
* Intervalado Extensivo Médio (IEM) (1’ a 3’);
* Intervalado Extensivo Longo (IEL) (3’ a 15’)
TREINO INTERVALADO:

TREINO INTERVALADO:
Método das Repetições

MÉTODOS DE TREINO DA RESISTÊNCIA
Métodos de Treino por Intervalos
Aspectos mais significativos:

Permitem realizar um maior volume de trabalho com maior intensidade (pode ser 2,5 superior ao método contínuo);
Permitem uma estimulação mais próxima do ritmo de competição;
Podem ser utilizados para recrutar, especificamente, as fibras de contracção rápida;
Desenvolvem selectivamente mais adaptações locais;
Débito cardíaco é ligeiramente superior em esforços intermitentes em relação a esforços contínuos;
Quando o período de esforço e a recuperação são curtos, a mobilização de glicogénio pode ser inibida utilizando-se os ácidos gordos.
MÉTODOS DE TREINO DA RESISTÊNCIA
Métodos de Competição e Controlo
Caracteriza-se pela existência de uma carga única, exigindo o rendimento máximo. Serve, fundamentalmente, para desenvolver a resistência específica.
Aplica-se como preparação directa para a temporada ou no período competitivo (desenho convencional) ou no mesociclo de realização (desenho contemporâneo – ATR). Também se usa como sistema de avaliação ou controlo, pois os seus resultados permitem interpretar o efeito do treino realizado.

A RESISTÊNCIA NO PLANEAMENTO DO TREINO

Na unidade de treino pode desenvolver-se em qualquer momento. No entanto, se pretendermos desenvolver o trabalho técnico, velocidade, força rápida ou capacidades coordenativas, a resistência deve ser trabalhada depois.

No microciclo semanal está presente em todas as unidades de treino. O trabalho específico de resistência anaeróbia com alguma intensidade deve ser efectuado até 72 horas antes do jogo/competição.

No Período Preparatório, deve trabalhar-se, predominantemente, a resistência aeróbia (Base), ou seja, prevalece o trabalho em volume sobre a intensidade. À medida que se aproxima a competição, a resistência aeróbia vai diminuindo e vai aumentando a intensidade das cargas de resistência anaeróbia (específica).

sábado, 4 de dezembro de 2010

TÉCNICO-TÁCTICA

4/12/2010
IMPEDIDOS PELA GEADA MATINAL
Téc.Tactica (3)
9,30/12,30h
(sala 213)

METODOLOGIA DO TREINO

3/12/2010
IMPEDIDOS PELA GEADA NOCTURNA
Metodol. Treino (3)
20,30h/24h
(Prát. - Est. Municipal)
Drible

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

REGRAS DE FUTEBOL 7

Regra I (Campo de Jogos) :

O TERRENO DE JOGO terá de ser rectangular e ter o comprimento máximo de 60 metros e mínimo de 45 e largura máxima de 45 e mínima de 25 metros.
A LINHA DE MEIO-CAMPO, que é facultativa será marcada com uma marca visível, à volta da qual se traça um círculo com 3 metros de raio. No entanto o centro do terreno de jogo, terá de estar marcado.
ÁREA DE GRANDE PENALIDADE (ÁREA DE BALIZA) será definida por um rectângulo com 6 x 15 metros. Estas marcações poderão ser feitas por fitas amovíveis de uma cor visível.
MARCA DE GRANDE PENALIDADE será marcada a 6 metros da linha de baliza e deverá estar bem assinalada.

: Regra II (A Bola) :
Nos jogos de futebol de 7 é obrigatória a utilização de bolas de futebol n.º 4, cujo perímetro pode variar entre os 62 e 66 cm e o peso entre 340 e 390 gramas.

: Regra III (O Número de Jogadores) :
Cada equipa, em cada jogo, pode apresentar 12 elementos no máximo.
O jogo será disputado por duas equipas constituídas por 7 elementos em campo, sendo um deles o Guarda-Redes.
Após o início do jogo e em caso de lesão de algum elemento, desde que a equipa não possua suplentes, o jogo poderá prosseguir com um mínimo de 6 (seis) elementos em campo.
As SUBSTITUIÇÕES são ilimitadas podendo o mesmo jogador sair e entrar novamente em jogo, sendo que os substitutos só poderão entrar pela "linha de meio campo". Podem ocorrer em qualquer momento excepto a do Guarda-Redes que deve ser efectuada durante uma paragem de jogo e com o conhecimento do Árbitro.
O CAPITÃO DE EQUIPA é obrigatório, não podendo o jogo iniciar-se ou prosseguir sem que em cada equipa a capitania esteja entregue a um jogador que se encontre no campo ou no banco dos suplentes.

: Regra IV (Equipamento) :
É obrigatório o uso de camisola de cor semelhante para todos os jogadores de cada equipa, com excepção do Guarda-Redes que deve utilizar um equipamento que o distinga dos seus companheiros de equipa e adversários.
Na eventualidade de não haver equipamento de cor semelhante, poder-se-à recorrer à utilização de coletes, que também poderão ser usados quando se verificar semelhança de equipamentos, estes deverão ser preferencialmente numerados.
Anéis, pulseiras, fios ou quaisquer outros objectos semelhantes, capazes de oferecer perigo, não deverão ser permitidos.

: Regra V (O Árbitro) :
Para cada jogo será designado um árbitro, que será o responsável pela direcção do jogo.

: Regra VI (Duração do Jogo) :
O jogo comportará duas partes com a seguinte duração: 25 minutos cada parte com intervalo de 10 minutos.

: Regra VII (O Início do Jogo) :
Antes do início do jogo, o árbitro terá de proceder a um sorteio, para a escolha de campo ou de pontapé de saída, que terá lugar no centro do terreno. Após o apito do árbitro (a bola deverá ser tocada na direcção do terreno adversário).
O reinício do jogo após o intervalo ou obtenção de um golo, é efectuado no centro do terreno conforme procedimento anterior, sendo a bola pertença da equipa contrária que beneficiou do pontapé de saída, ou em caso de golo da equipa que sofreu o golo.
Quando o jogo tenha sido suspenso temporariamente sem que houvesse infracção às regras, o árbitro recomeça-o por um "lançamento de bola ao solo", entre dois jogadores (um de cada equipa) que será feito no local onde se encontrava a bola no momento da interrupção.

: Regra VIII (Bola em Jogo e Bola Fora) :
A bola está fora, quando transpuser completamente (pelo ar ou pelo solo) as linhas laterais ou de baliza. A bola está em jogo, em qualquer outra situação, durante o decorrer do jogo.

: Regra IX (Reposição de Bola em Jogo) :
LANÇAMENTO DE LINHA LATERAL, será efectuado após a bola ultrapassar completamente as linhas laterais, sendo executado por um elemento contrário ao da equipa em que a bola tocou antes de sair do terreno. Será permitido uma repetição, pelo mesmo jogador, no caso de um lançamento ser mal executado.
PONTAPÉ DE BALIZA, será efectuado após a bola sair pela linha de fundo e o último jogador a tocar-lhe, pertencer à equipa que atacou...
A reposição da bola em jogo será efectuada através de um pontapé a partir do interior da área de baliza. A bola está em jogo quando ultrapassar a linha de área da baliza.
PONTAPÉ DE CANTO será efectuado após a bola sair pela linha de fundo e o último jogador a tocar-lhe pertencer à equipa que defende.
Os jogadores adversários da equipa que executa o pontapé de canto não podem aproximar-se da bola a menos de 3 metros.

: Regra X (Marcação de Golos) :
Considera-se golo, sempre que a bola, tocada por qualquer jogador e em obediência às regras de jogo, ultrapassar totalmente (pelo solo ou pelo ar), a linha de baliza.
Não serão considerado golos conseguidos directamente de pontapé de saída, pontapé de baliza, lançamento da bola pela linha lateral e marcação de livre indirecto.

: Regra XI (Faltas e Incorrecções) :
Deverão ser marcadas faltas – pontapés livres – contra a equipa do jogador que em qualquer circunstância tocar a bola com as mãos, ou agarrar, empurrar, pontapear ou desrespeitar qualquer dos elementos ligados ao jogo.
A falta será marcada onde o lance se tenha verificado, excepto se tal acontecer dentro da área. Neste caso será marcada uma grande penalidade.
Os jogadores adversários da equipa que executa o pontapé livre não podem aproximar-se da bola a menos de 3 metros.
Cada vez que um jogador passar com o pé, deliberadamente a bola em direcção ao guarda-redes da sua equipa, este último não está autorizado a tocá-la com as mãos.
Assim, se o guarda-redes tocar a bola com as mãos, será concedido um pontapé livre indirecto à equipa contrária no local onde a falta foi cometida, sob reserva das condições impostas na Lei XIII de futebol de 11.
O FORA DE JOGO não se aplica no futebol de 7 no escalão de escolas, aplicando-se no escalão de Infantis a partir da linha da área.

MODELO DE JOGO SEGUNDO CARLOS CARVALHAL

Modelo de Jogo

Modelo de jogo é um conceito muitas vezes utilizado no futebol! Mas será que a esmagadora maioria das pessoas que o utiliza sabe verdadeiramente do que está a falar?

Recordo uma frase de um treinador de uma equipa após uma derrota: “Temos que começar a jogar à Porto…” Os adeptos nunca lhe perdoaram esta expressão! Conclusão: em pouco tempo teve que sair do clube!

Como é que isto se relaciona com o Modelo de Jogo? Já vamos perceber!

O Modelo de Jogo não é conjuntural, é essencialmente estrutural! Um treinador ao ser contratado, está a transportar as suas ideias para uma estrutura existente (ela existe por muito fraca que seja)! Um imperativo nesta profissão, é ter a capacidade de analisar muito bem o contexto onde se vai inserir: clube, relações entre pessoas, adeptos, meio social, político, local, regional, nacional, os costumes, as crenças, a história do clube e as suas melhores épocas, o sistema predominante nos anos de sucesso, as últimas equipas e jogadores, os jogadores que têm ao dispor, os que pode contratar, entre outras… só depois poderá definir um Modelo de Jogo.

Estive muito recentemente num País Europeu onde assisti a dois jogos. A pressão exterior era enorme, os adeptos faziam realmente muito barulho, são extremamente emocionais. Em várias situações percebi claramente a intenção de um jogador querer lateralizar um passe, tendo sido incrível o condicionamento provocado pelos adeptos, quase que o “obrigando” a jogar na vertical!

Acham que ao perceber o envolvimento, o treinador não deverá ter estes aspectos em atenção?! Claro que sim! Procurar jogadores com forte personalidade, trabalhar a sua mente para terem a capacidade de se imunizar ao envolvimento.

Recordam-se da infeliz expressão de um colega meu sobre o jogar “à Porto”? Em muitos clubes não teria eco! Mas foi proferida num clube com adeptos com muita paixão, um clube com forte identidade e elevada exigência, sendo para estes incompreensível modificar a sua matriz.

Perceber a história do clube, a sua personalidade e sua força social é fulcral para ter êxito!

Outro exemplo, este vivenciado por mim! Da análise prévia que fiz ao contexto do Vitória de Setúbal e do Leixões, fez-me chegar a algumas conclusões importantes. Eis apenas algumas delas: Importante e significativa massa crítica por parte dos seus (apaixonados) adeptos, carregados de amor clubístico, com uma participação extremamente activa (para o melhor e pior), tanto nos jogos em casa como fora; percebi claramente quais as estruturas tácticas e dinâmicas utilizadas nas suas melhores épocas; nestes períodos ambos os clubes tinham nos seus planteis uma base importante e significativa de jogadores oriundos da sua formação; havia uma valorização de jogadores mais sobre o aspecto técnico do que outra capacidade; necessidade de escolher jogadores com forte personalidade (não é qualquer jogador que joga no Vitória ou no Leixões); ganhar não chegava, tinha que se jogar bem…

Concordam comigo quando refiro que todos estes aspectos são importantíssimos para definir um Modelo de Jogo? A escolha de jogadores dentro de um conjunto de características, devem por um lado ir ao encontro das ideias do treinador, e ao mesmo tempo perceber a filosofia, história e cultura do clube! Não só porque estão melhor preparados para o envolvimento, como podem ser veículos de transmissão para os outros jogadores. Em ambos os clubes procurámos jogadores da sua formação, e creio não estar enganado ao referir que no ano da subida de divisão do Vitória tínhamos 13 jogadores da formação, no Leixões 14.

Como escolher o sistema de jogo? Recordo o que aconteceu quando ainda jogava no Espinho, na 1ª divisão! Os melhores anos deste clube tinham sido orientados por Quinito, jogando preferencialmente em 1.4.3.3, com dois extremos bem “abertos” nas linhas laterais. Um treinador em determinada altura optou por jogar em 1.4.4.2! Pois bem, para além dos jogadores terem que se adaptar a esse novo sistema, o treinador teve ainda a dificuldade de ter que lidar com a pressão dos adeptos que diziam que faltava um jogador ali, e outro acolá! Conclusão: acabou por mudar rapidamente para o sistema mais tradicional no clube.

Adivinho o que estão a pensar! O treinador deveria ter personalidade e impor as suas ideias! Concordo em parte, mas erro maior é contrariar a história do clube… experimentem ir para o Atlético de Bilbau e proponham a contratação de um jogador que não seja da região Basca!

A cultura, os hábitos e costumes devem ser cuidadosamente analisados pelo treinador na definição de um Modelo de Jogo, e muitas vezes os pormenores podem fazer toda a diferença! Será que, por exemplo, no caso do Espinho, as dimensões do campo também possam estar relacionados com a definição do Modelo de Jogo? Campo mais pequeno, adversários mais fechados na zona central, logo a necessidade de ter “campo grande “ a atacar e de criar desequilíbrios pelos corredores, tornou-se cultural. A procura de jogadores com determinadas características para uma estrutura tornou-se um imperativo, desenvolveram-se relações colectivas e emocionais, criou-se um Modelo de Jogo.

Vamos então falar do Modelo de Jogo adoptado… como assim? Ouço e leio muitas vezes esta expressão! Isso não existe! O Modelo de jogo idealizado, parece-me a expressão mais adequada! Não existem dois Modelos de Jogo iguais, logo não acho correcto falar em adopção de um Modelo. Isto será o mesmo que dizer que só existe um futebol… existem muitos futebóis! O Real Madrid Joga igual ao Barcelona?! O Porto joga igual ao Benfica?!

Modelo de Jogo idealizado, porquê? Porque é aquilo a que aspiramos jogar, aspiramos porque nunca chegamos a atingir! O Modelo idealizado está permanentemente a ser construído e reconstruído. Definimos princípios e sub-princípios para cada momento de jogo! Quando pensamos que estão consolidados e estamos a melhorar outros, no jogo seguinte aqueles que momentaneamente “abandonamos” deixam de se manifestar com eficiência.

O jogo tem um fluxo contínuo! Quando falamos em princípios de Jogo, falamos da sua articulação, não só entre si como também na relação e articulação com os sub-princípios e concomitantemente a articulação entre estes. Nisto, o treinador deve revelar-se como um gestor do processo, na necessidade de hierarquizar os princípios e sub-princípios (e ainda os sub dos sub-princípios…), de modelar comportamentos através da inovação de exercícios, incutindo uma forte matriz emocional, sem nunca perder o sentido do Todo no “desmontar” desse mesmo Todo, de forma a reduzir sem empobrecer. Isto é, temos um problema para resolver na equipa, queremos treinar sobre um grande princípio e enfatizar as relações com os sub–princípios! Ao organizar a unidade de treino devemos ter cuidado de não perder o sentido do Todo, ao “fraccionar” o jogo para inovar determinado exercício.

A matriz emocional do treinador no processo transmite a sua singularidade. Ele é único, os clubes, as equipas, os jogadores são todos diferentes. Num processo que deve ser de ensino-aprendizagem emerge a figura do treinador, na gestão e modelação de comportamentos e emoções, direccionando-os intencionalmente para a sua Ideia de Jogo, que é única, logo singular.

Cumpre ao treinador gestor fazer evoluir a sua ideia, através da sua sensibilidade, para detectar onde o processo está a crescer ou a “mirrar”, que relação entre princípios e entre estes e os sub-princípios deve acentuar, num processo extremamente dinâmico. Assim o Modelo de Jogo cresce, configurando um Todo muito mais do que a soma das partes.

Podemos dizer que o Modelo de Jogo é algo utópico, podemos andar lá perto mas nunca se alcança! Está em permanente evolução e reconstrução, até porque o “descobrir” as capacidades e deficiências dos nossos próprios jogadores, leva a que muitas vezes se enriqueça ou empobreça o Modelo inicial que idealizamos.

Mourinho referiu no final do jogo com o Real Madrid que o Barcelona é um projecto acabado e que o Real Madrid está a dar os primeiros passos! Concordo e entendo esta expressão, apenas acrescento que sendo um projecto acabado, não quer dizer que não possa evoluir ou regredir. Acabado na completa interpretação dos princípios e sub-princípios de Jogo muito bem definidos - completamente de acordo! A manutenção e evolução dependem em primeira instância da qualidade do treino, depois dos jogos e as suas incidências!

Esta abordagem ao Barcelona x Real Madrid não foi inocente! Defrontaram-se claramente duas equipas com Filosofias de clube completamente diferentes, que como referimos anteriormente se manifestam no Modelo de Jogo.

De um lado o Barcelona, com um Modelo de Jogo de clube, contratando treinadores dentro desta ideia, que possam acrescentar algo à ideia original! Ideia e Modelo que vem da formação, que tem anos e que representa muito do que é a Catalunha, o seu fervor regional. Princípios e sub-princípios de Jogo bem definidos desde a base até aos seniores! A procura de jogadores de fino recorte técnico, que possam integrar uma Ideia estrutural.

Por outro lado, ainda um projecto de autor (como creio ter referido Valdano)! Com uma Filosofia claramente diferente, mais virada para o exterior e para a mediatização. Ideia que Mourinho (o autor) procura contrariar, criando uma estrutura desde a base até aos seniores, de forma a ter futuramente um projecto de clube, o ser Real Madrid desde a cantera… isto é um Modelo diferente e por ser diferente não se vai modificar na 2ª parte do jogo… vai demorar anos a implementar!